São já 110 os subscritores de um manifesto, publicado na semana passada, que pede ao Governo português uma recuperação económica «justa e sustentável» em Portugal.
Mais de 15 novas entidades e indivíduos assinaram o «Manifesto por uma Recuperação Económica Justa e Sustentável em Portugal», como é o caso do Eurodeputado Francisco Guerreiro, da atriz joana Seixas e do Centro Helen Keller, «um número com tendência para crescer nos próximos dias, à medida que se discutem as medidas a implementar na reabertura da economia portuguesa», admite a ANP|WWF, promotora da iniciativa, em comunicado.
Na mesma nota de imprensa, a ANP|WWF refere que está a ultimar uma proposta de medidas concretas para a recuperação económica, que será enviada aos gabinetes do primeiro-ministro, ministro do Ambiente e Ação Climática, ministro da Economia e ministra da Agricultura. A promotora levanta um pouco mais o pano: «As medidas incluem o investimento em maior eficiência energética, electrificação dos transportes, sistemas alimentares sustentáveis, restauro ecológico, etc., e excluem o investimento em infraestruturas pesadas (estradas, aeroportos, barragens, etc.), combustíveis fósseis (incluindo isenções fiscais), agricultura de grande escala e intensidade, entre outros».
A ANP|WWF afirma ainda que, «por toda a Europa, pedidos semelhantes repetem-se nos diferentes países», sendo o mais recente um pedido conjunto feito à Comissão Europeia por 10 organizações não governamentais, entre as quais a WWF, a Greenpeace, a Health and Environment Alliance e a BirdLife Europe. A petição, lançada também em português, reitera a necessidade dos Governos responderem à crise com um modelo económico que «fomenta as desigualdades sociais, compromete a saúde e que tem levado a natureza e o nosso planeta ao colapso». Conta já com 59,107 assinaturas (até às 15:05 desta segunda-feira, 27 de Abril).
Apelam, igualmente, ao aumento das politicas contra as alterações climáticas e a perda de biodiversidade na União Europeia, e a nível nacional, que não sejam feitos resgates a indústrias «inviáveis ou poluentes que não têm futuro na economia de amanhã, como sectores com elevadas emissões de carbono e outros potenciais poluentes como a agricultura intensiva».
Pedem também que seja estabelecido um fundo de recuperação verde, apoiado por todas as ferramentas financeiras europeias, para financiar uma recuperação verde e «justa», e a orientação do investimento publico e privado para acelerar a transição de sectores poluentes para verdes. Ao Banco de Investimento Europeu, apelam para que «coloque as suas políticas de empréstimos em linha com os objectivos do Pacto Ecológico Europeu até ao final de 2020, devendo todos os planos de recuperação colocar o bem-estar das pessoas no coração da resposta à crise, fornecendo benefícios sociais e protegendo os direitos dos trabalhadores através de uma ‘transição justa para todos’».
O Governo decretou o Estado de Emergência a 19 de Março, que já foi prorrogado duas vezes, estando previsto agora o seu fim a 2 de Maio. O diploma prevê a possibilidade de uma «abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais». Entretanto, o Governo anunciou a proibição de deslocações entre concelhos no fim de semana prolongado de 1 a 3 de Maio.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 206 mil mortos e infectou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios. Perto de 810 mil doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.














