As primeiras negociações diretas entre Estados Unidos e Irão após duas semanas de cessar-fogo arrancam este sábado, em Islamabad, no Paquistão, num contexto de elevada tensão e com sinais de fragilidade no terreno.
A iniciativa diplomática foi confirmada pela Casa Branca e surge numa fase crítica do conflito, marcada por ameaças militares, novos ataques na região e receios de escalada. A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance.
Diplomacia avança — mas guerra continua no terreno
Apesar da trégua anunciada, os combates não cessaram totalmente. Nos últimos dias, Israel intensificou operações no Líbano, atingindo mais de uma centena de alvos ligados ao Hezbollah, incluindo posições em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país.
Os ataques terão causado mais de 250 mortos e cerca de mil feridos, segundo dados da Defesa Civil libanesa citados pela ‘Reuters’.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou claro que o cessar-fogo não abrange o Hezbollah, garantindo que as operações militares vão continuar.
Irão endurece discurso e ameaça rotas marítimas
Do lado iraniano, o tom também subiu. Teerão ameaça atacar embarcações no Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais importantes do mundo, caso não cumpram as suas condições.
Mensagens atribuídas às autoridades iranianas, citadas por fontes do setor marítimo, indicam que navios poderão ser destruídos se tentarem atravessar a região sem autorização.
A par disso, o Irão promete retaliar contra Israel pelos ataques no Líbano, aumentando o risco de alargamento do conflito.
Delegações sob pressão política e militar
As negociações em Islamabad decorrem também num momento delicado para a liderança iraniana. Vários responsáveis políticos e militares experientes morreram recentemente, o que fragiliza a capacidade de decisão do regime.
A delegação iraniana deverá ser liderada por Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento e antigo comandante da Guarda Revolucionária, acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.
Um cessar-fogo frágil
O encontro surge numa fase em que o cessar-fogo parece cada vez mais instável. O aumento dos ataques, as ameaças no Golfo e a multiplicação de frentes de combate levantam dúvidas sobre a viabilidade de um acordo duradouro.
Ao mesmo tempo, a importância estratégica do Estreito de Ormuz — por onde passa uma parte significativa do petróleo mundial — coloca pressão adicional sobre os mercados e a comunidade internacional.
Diplomacia contra o relógio
As conversações deste sábado são vistas como uma tentativa urgente de evitar uma escalada maior no Médio Oriente.
No entanto, com múltiplos atores envolvidos, interesses divergentes e combates ainda ativos, o caminho para um acordo permanece incerto — e altamente volátil.














