A subida das taxas de juro já se está a fazer sentir nas prestações da casa — e o pior pode ainda estar por vir. Depois de meses de aparente estabilização, os primeiros sinais de abril mostram que a tendência vai agravar-se ainda mais, com impacto direto no bolso das famílias.
Os números da subida da Euribor ainda são provisórios, mas o alerta já está lançado. “Se isto se mantiver, devemos estar a projetar subidas muito significativas, principalmente na Euribor a 12 meses”, explica Nuno Rico, especialista da DECO PROteste, em exclusivo à ‘Executive Digest’. “Podemos estar a falar de aumentos na prestação já acima de 50 euros.”
O dado ganha ainda mais relevância porque abril poderá ser apenas o início. Segundo o especialista, o efeito total da subida ainda não foi sentido — e será mais visível já nas próximas revisões. “O que vai acontecer é que, como os valores se mantêm mais altos, a média vai saltar bastante. E isso vai causar um impacto mais significativo nas prestações”, sublinha.
Maio pode trazer o verdadeiro choque
Para quem tem revisão do crédito nos próximos meses, o cenário é claro: a prestação vai subir — e pode subir mais do que o esperado.
“Todos os consumidores que tenham contratos cuja taxa vai ser revista até ao final de junho devem atuar desde já”, avisa Nuno Rico. “Mesmo que haja alguma descida das taxas, uma renovação vai sofrer um agravamento da prestação.”
O risco é maior para quem já está com a taxa de esforço elevada ou perto do limite. E é precisamente nesses casos que a margem de manobra começa a desaparecer.
Cinco soluções para travar o impacto
Perante este cenário, há várias opções em cima da mesa. Algumas permitem poupanças reais, outras ajudam a aliviar a pressão no curto prazo — mas todas exigem ação imediata.
Renegociar o contrato é o primeiro passo
A principal recomendação da DECO é clara: negociar.
“É urgente ir verificar as condições que tem no contrato e perceber qual é a possibilidade de negociar”, diz o especialista.
No mercado, ainda existem alternativas competitivas, sobretudo com taxas mistas. “Encontrei propostas com fixação inicial da taxa a dois anos abaixo dos 3%. Há casos de 2,25%, o que já rivaliza com as taxas variáveis atuais.”
A recomendação passa por comparar e ponderar seriamente a mudança. “Quem tem taxa variável deve olhar para as melhores propostas do mercado e considerar uma taxa mista com fixação até dois anos.”
Usar a concorrência para baixar a prestação
Se o banco não acompanhar, há outra arma: a transferência do crédito.
“Se encontrar uma proposta mais interessante, deve ponderar a transferência”, explica Nuno Rico. “Na maioria dos casos, os bancos acabam por negociar quando percebem que podem perder o cliente.”
Segundo a experiência da DECO, isso acontece na grande maioria das situações. “Em 80% a 90% dos casos, quando confrontados com propostas da concorrência, os bancos aceitam melhorar as condições.”
Amortizar pode fazer a diferença
Para quem tem poupanças, a solução é direta. “Amortizar é a forma mais rápida e eficaz de poupar no crédito”, diz o especialista. “Permite reduzir imediatamente o impacto da subida da prestação.”
E pode ser combinada com outras medidas. “Há muitos consumidores a fazer amortização e renegociação ao mesmo tempo.”
Alargar o prazo reduz a prestação — mas tem custos
Quando a pressão já é maior, há soluções que aliviam a prestação mensal, mas aumentam o custo total do crédito.
Uma delas é alargar o prazo. “Permite reduzir a prestação, mas implica pagar mais juros no final”, explica Nuno Rico.
Além disso, há limites. “Os contratos não devem ultrapassar os 75 anos de idade, e muitos consumidores já estão próximos desse limite.”
Período de carência ou capital no final
Outra opção é pedir um período de carência, pagando apenas juros durante algum tempo. “Permite uma redução imediata da prestação, mas não está a amortizar dívida, o que aumenta o custo total”, alerta.
Há ainda soluções como deixar uma parte do capital para o final do contrato. “Pode reduzir bastante a prestação agora, mas implica ter esse valor para liquidar no futuro.”
Há poupanças escondidas fora do crédito
Para além do crédito em si, há margem de poupança noutros custos associados.
“O seguro de vida feito através do banco é, muitas vezes, bastante mais caro do que fora”, explica o especialista.
E a diferença pode compensar. “Mesmo perdendo a bonificação no crédito, há casos em que ainda assim se poupa dinheiro todos os meses.”
O aviso final: agir antes que seja tarde
No meio da incerteza, há uma mensagem que a DECO considera essencial. “É muito importante que os consumidores sejam proativos e não reativos”, sublinha Nuno Rico. “Não é depois de já não conseguirem pagar que devem agir — é antes.”
O momento ainda permite escolhas. Mas essa janela pode não durar muito. “Quem vai ter o contrato revisto nos próximos meses deve atuar já. Ainda há boas soluções no mercado para proteger o orçamento das famílias.”
Porque, como resume o especialista, o risco é claro: esperar pode significar perder margem — e ficar, literalmente, com a corda na garganta.














