Ozempic sem efeitos secundários? Cientistas descobrem que o segredo pode estar…numa serpente

Uma descoberta científica recente está a gerar entusiasmo na comunidade médica internacional: investigadores das universidades de Stanford e do Colorado identificaram uma molécula presente no metabolismo de serpentes pitão que poderá vir a transformar o tratamento da obesidade.

Pedro Zagacho Gonçalves

Uma descoberta científica recente está a gerar entusiasmo na comunidade médica internacional: investigadores das universidades de Stanford e do Colorado identificaram uma molécula presente no metabolismo de serpentes pitão que poderá vir a transformar o tratamento da obesidade, oferecendo uma alternativa potencial aos atuais fármacos, como o Ozempic, mas sem os efeitos secundários associados.

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O estudo, divulgado pelo jornal britânico The Guardian, centra-se numa característica extraordinária destes répteis: a capacidade de permanecerem entre 12 e 18 meses sem se alimentarem. Este fenómeno levou os cientistas a investigar os mecanismos metabólicos que regulam o apetite nas pitões, culminando na identificação de um metabolito designado pTOS.

As pitões possuem um sistema metabólico altamente eficiente, capaz de adaptar o organismo a longos períodos de jejum. Foi precisamente essa capacidade que motivou os investigadores a procurar a substância responsável pelo controlo do apetite nestes animais.

O metabolito pTOS revelou-se a chave desse processo. Segundo os cientistas, esta molécula regula diretamente a ingestão alimentar, tornando-se uma candidata promissora para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade — uma doença que afeta cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Testes em ratos mostram perda de peso significativa
Para testar o potencial do pTOS, os investigadores administraram a molécula a ratos com obesidade induzida em laboratório. Os resultados foram considerados surpreendentes: os animais reduziram drasticamente a ingestão de alimentos e perderam peso de forma rápida e consistente.

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Após 28 dias de tratamento, os ratos apresentaram uma redução de cerca de 9% do peso corporal. Segundo explicou Jonathan Long, “o que regulou foi o apetite e os hábitos alimentares dos ratos”, sublinhando que o efeito não resultou de um aumento artificial do gasto energético.

Alternativa aos fármacos atuais sem efeitos adversos
Atualmente, medicamentos baseados em análogos do GLP-1, como o Ozempic, têm revolucionado o tratamento da obesidade, mas frequentemente apresentam efeitos secundários relevantes, incluindo náuseas persistentes, problemas gastrointestinais e dores abdominais.

Neste contexto, o pTOS destaca-se por uma vantagem crucial: durante os ensaios em animais, não foram observadas reações adversas. A investigadora Leslie Leinwand afirmou que “basicamente, descobrimos um supressor do apetite que funciona em ratos sem alguns dos efeitos secundários que têm os fármacos GLP-1”.

Cautela científica antes da aplicação em humanos
Apesar do entusiasmo gerado, os especialistas alertam para a necessidade de prudência. A investigação encontra-se ainda numa fase inicial e será necessário aprofundar os estudos antes de considerar uma aplicação clínica em humanos.

Leslie Leinwand sublinhou essa necessidade, destacando a importância de continuar a investigação laboratorial: a cientista afirmou ter “um profundo respeito pelas serpentes” e acrescentou que estes animais oferecem lições valiosas, uma vez que evoluíram para desempenhar “proezas extremas”.

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Potencial impacto global no tratamento da obesidade
Caso os resultados se confirmem em estudos futuros, o pTOS poderá representar uma mudança de paradigma no tratamento da obesidade, uma das principais crises de saúde pública a nível global.

Para já, a descoberta reforça o papel da investigação científica inspirada na natureza, mostrando como mecanismos biológicos aparentemente distantes da realidade humana podem abrir novas portas na

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