Portugal prepara-se para entrar no horário de verão dentro de uma semana, com a habitual mudança da hora marcada para a madrugada de domingo, 29 de março de 2026. Este sábado, 21 de março, assinala o início da contagem decrescente para uma alteração que, todos os anos, afeta milhões de pessoas em todo o país.
A transição implica adiantar os relógios uma hora, o que significa que os portugueses vão “perder” 60 minutos de sono, numa das mudanças mais debatidas e discutidas a nível europeu.
Quando muda a hora em Portugal
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, a mudança ocorre na madrugada de 29 de março, o último domingo do mês.
No território continental e na Madeira, quando for 01h00, os relógios devem ser adiantados para as 02h00. Já nos Açores, a alteração acontece à meia-noite, passando diretamente para a 01h00.
Este ajuste faz com que o dia 29 de março seja o mais curto do ano, com menos uma hora do que o habitual.
Uma rotina anual com duas mudanças
A mudança para o horário de verão não será a única em 2026. Está já prevista uma nova alteração no final do ano, a 25 de outubro, altura em que os relógios voltam a atrasar uma hora, marcando o regresso ao horário de inverno.
Este sistema de dois ajustes anuais mantém-se em vigor em Portugal e em vários países, apesar das críticas e do debate crescente sobre a sua utilidade.
Porque existe a mudança da hora
A origem da mudança da hora remonta ao século XVIII, quando Benjamin Franklin sugeriu, em 1784, que o aproveitamento da luz natural poderia reduzir o consumo de velas.
No entanto, a aplicação prática desta ideia só surgiu muito mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, quando países como a Alemanha e o Reino Unido adotaram oficialmente a mudança horária para poupar energia, sobretudo carvão. Portugal seguiu esse exemplo em 1916.
Décadas depois, a crise petrolífera de 1973 voltou a reforçar a importância deste mecanismo, levando à sua sistematização com o objetivo de reduzir o consumo energético.
Objetivo: aproveitar melhor a luz natural
O princípio da mudança da hora é simples: ajustar os horários à luz solar disponível.
No verão, adianta-se o relógio para prolongar a luz ao final do dia, reduzindo a necessidade de iluminação artificial à noite. No inverno, faz-se o inverso, privilegiando mais luz natural durante a manhã.
Esta estratégia visa não só poupar energia, mas também reduzir as emissões de dióxido de carbono associadas à produção elétrica.
Debate continua: há vantagens ou prejuízos?
Apesar dos objetivos iniciais, a mudança da hora tem sido cada vez mais contestada, sobretudo do ponto de vista da saúde.
A Associação Portuguesa do Sono tem defendido que a manutenção permanente do horário de inverno traria mais benefícios para a população.
Segundo esta entidade, a mudança para o horário de verão pode provocar efeitos negativos a curto prazo, como sono mais reduzido, pior desempenho profissional e escolar e aumento do risco de acidentes cardiovasculares e rodoviários.
Além disso, a associação considera que o argumento da poupança energética “não se tem revelado com peso suficiente” para compensar os impactos negativos.
A mesma entidade sublinha que o horário de inverno está mais alinhado com o ciclo natural de luz e escuridão, facilitando o descanso, melhorando a saúde mental e reduzindo riscos associados a várias doenças.
Com apenas sete dias até à mudança, os especialistas recomendam que os cidadãos comecem a adaptar gradualmente os seus horários de sono, de forma a minimizar o impacto da perda de uma hora.
A partir de 29 de março, os dias vão parecer mais longos ao final da tarde, marcando a entrada definitiva no horário de verão — uma alteração que, apesar de rotineira, continua a gerar discussão todos os anos.




