O Conselho Nacional do PSD vai reunir-se esta quarta-feira pela primeira vez este ano, após uma derrota política nas presidenciais, uma sucessão de tempestades no país e várias intervenções críticas do ex-líder do partido Pedro Passos Coelho.
A reunião do órgão máximo do PSD entre congressos, marcada para as 21 horas no Centro de Congressos de Lisboa, realiza-se também poucos dias depois das eleições internas para os órgãos locais do partido, marcadas pela continuidade, mas com uma derrota dos candidatos próximos da direção na poderosa distrital de Braga e na simbólica concelhia de Espinho.
O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, chega a este primeiro Conselho Nacional de 2026 com uma baixa no Governo ao fim de dez meses, na sequência da sucessão de tempestades que causaram 18 mortes e levaram o executivo a lançar o programa Portugal Transformação Recuperação Resiliência (PTRR), com medidas de curto, médio e longo prazo e um horizonte para lá da atual legislatura.
No meio da crise, Maria Lúcia Amaral demitiu-se por falta de condições pessoais e políticas para continuar à frente da Administração Interna, tendo sido substituída por Luís Neves, até então diretor nacional da Polícia Judiciária.
A escolha foi bem recebida pela maioria dos partidos e veio do antigo primeiro-ministro do PSD Passos Coelho uma das maiores críticas, dizendo que esta passagem direta abria “um precedente grave”.
Nas últimas semanas, multiplicaram-se as intervenções de Passos Coelho, com várias críticas ao Governo, incluindo que deveria aproveitar a atual maioria numérica da direita para fazer reservas e que deveria ter sido tentado um acordo de governação com Chega e IL para a legislatura.
O número e o tom das intervenções levaram a direção do PSD a reagir, com Hugo Soares a acusar Passos de ter dado “tiros ao lado”, e Montenegro a limitar-se a dizer que não iria contribuir para este “enredo, por mais pitoresco que seja”.
O ex-líder do PSD acabou a semana com nova intervenção e uma entrevista onde disse não ter de pedir licença a ninguém para intervir publicamente e a recusar excluir um regresso à vida partidária, mas avisando que, se tal acontecer, “não será pelas melhores razões”.
“Quando eu quiser candidatar-me, candidato-me, e anuncio que me vou candidatar”, afirmou Passos, em entrevista ao ECO.
Nas eleições internas e na única distrital a que concorreram duas listas, o antigo deputado social-democrata e vereador da Câmara de Barcelos Carlos Eduardo Reis venceu o até então presidente do PSD/Braga, o eurodeputado Paulo Cunha, que foi vice-presidente do líder Luís Montenegro até ao último Congresso.
Carlos Eduardo Reis – que entrou no parlamento durante a liderança de Rui Rio e suspendeu o mandato no ano passado quando foi acusado na operação judicial Tutti Frutti — venceu apenas em quatro dos 14 concelhos, mas a vantagem em Barcelos e Vila Verde (onde foi autarca o atual ministro da Agricultura José Manuel Fernandes) permitiu-lhe ganhar o distrito por onde é eleito o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.
Já na concelhia de Espinho – onde vive e vota o líder do PSD, Luís Montenegro -, Ricardo Sousa foi reeleito líder por apenas dois votos, depois de nas últimas autárquicas a direção nacional ter vetado o seu nome em detrimento de Jorge Ratola (que venceria a Câmara).
Na análise da situação política, o primeiro ponto da reunião, poderá caber ainda um balanço das presidenciais, em que o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes, ficou em quinto lugar com cerca de 11% dos votos e não passou à segunda volta, disputada entre o antigo secretário-geral do PS António José Seguro – que venceu com mais de 66% dos votos – e o líder do Chega André Ventura.
Para a segunda volta, o presidente do PSD, Luís Montenegro, não deu indicação de voto em nenhum dos candidatos por considerar que o espaço político do seu partido não estava representado.
Na ordem de trabalhos, está também a apresentação, discussão e votação do Orçamento para 2026, do Regulamento das Secções Temáticas e do Regulamento de Ética e Designação de Cargos Políticos, previstos nos estatutos aprovados em outubro de 2024, no último Congresso do PSD.














