O Ministério da Defesa do Qatar afirmou ter intercetado dois mísseis balísticos lançados contra o seu território, após o Irão ter anunciado nova vaga de ataques a países do Médio Oriente.
Em comunicado divulgado esta noite, o ministério qatari reiterou que “graças à vigilância constante e à coordenação conjunta entre as autoridades competentes, dois mísseis balísticos que tinham como alvo várias zonas do país foram intercetados e neutralizados com sucesso”.
“A ameaça foi imediatamente combatida após a sua deteção, em conformidade com os planos operacionais previamente aprovados, e ambos os mísseis foram intercetados antes de atingirem o território do Qatar”, adiantou.
As forças armadas do país “possuem plenas capacidades e recursos” para “defender a sua soberania”, frisou.
Com Teerão visada desde sábado por ataques israelitas e norte-americanos, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou na segunda-feira o lançamento da 13.ª vaga de ataques contra alvos em países da região, incluindo o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos, além de Israel.
Segundo o comunicado, uma dezena de ‘drones’ atingiram a base naval norte-americana em Arifjan, no Kuwait, e um outro ataque teve como alvo “um dos pontos de concentração norte-americanos” no Dubai.
Nos Emirados Árabes Unidos, a Autoridade Nacional de Gestão de Emergências, Crises e Desastres indicou esta noite que os sistemas de defesa aérea “estão a responder a uma ameaça de míssil”, apelando à população para que procure um local seguro.
A Austrália anunciou hoje que o seu quartel-general no Médio Oriente, localizado nos Emirados Árabes Unidos, foi alvo de um ataque com um ‘drone’ iraniano no fim de semana, mas que todos os funcionários estão em segurança.
O ministro australiano da Defesa, Richard Marles, confirmou que a Base Aérea de Al Minhad, a cerca de 24 quilómetros a sul do Dubai, foi atingida no fim de semana.
O Ministério da Defesa do Kuwait anunciou na segunda-feira que foram detetados 178 mísseis balísticos e 384 ‘drones’ desde o início do conflito, resultando em ferimentos em 27 militares.
A agência de notícias do Kuwait (KUNA) confirmou que as sirenes de emergência soaram esta noite por todo o país.
A televisão iraniana publicou imagens nas redes sociais de outros alegados ataques com mísseis contra a base aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, e contra Telavive, no âmbito de uma operação que Teerão denominou “Verdadeira Promessa 4”.
Também na Arábia Saudita foram registadas explosões na zona das embaixadas na capital, Riade.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) informaram que as suas defesas aéreas estão ativas a intercetar mísseis disparados do Irão, enquanto os Emirados Árabes Unidos também estão sob ataque.
Pouco depois das 00:00 de terça-feira locais (22:00 em Portugal continental) as IDF indicaram que tinham “identificado recentemente mísseis lançados do Irão em direção ao território israelita”, apelando à população de diversas localidades para que procure abrigos.
“Os sistemas de defesa estão em ação para intercetar esta ameaça”, acrescentou.
Mais tarde, as IDF deram também conta de que foram ativadas sirenes de emergência de norte a sul do país.
As IDF reivindicaram hoje a destruição da Corporação de Radiodifusão Iraniana (IRIB), que confirmou ter sido atacada embora assegurando que mantém as suas transmissões.
Israel realizou esta noite ataques aéreos em Teerão contra os quartéis-generais do Ministério da Inteligência iraniano e da Força Quds da Guarda Revolucionária, divulgaram ainda as IDF.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.












