As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram uma nova vaga de ataques contra Beirute, capital do Líbano, visando quartéis e depósitos de armas do grupo xiita Hezbollah.
Os meios de comunicação social libaneses, como o L’Orient-Le Jour, noticiaram explosões nos subúrbios do sul da cidade, a mesma zona que foi atacada na madrugada de segunda-feira.
O grupo xiita libanês atacou o norte de Israel na madrugada de segunda-feira em resposta ao assassinato de Khamenei e aos atentados de Teerão, o que provocou uma resposta israelita com uma ofensiva em grande escala contra Beirute e o sul do Líbano.
Israel já tinha avisado que iria continuar a sua campanha contra o grupo xiita apoiado pelo Irão e admitiu que “todas as opções estão em cima da mesa” sobre a possibilidade de um ataque terrestre contra o grupo xiita libanês, apoiado por Teerão, em adição à campanha aérea em curso.
As forças de Israel estão a operar no Líbano “para eliminar uma ameaça significativa”, justificou o porta-voz do exército, Effie Defrin em conferência de imprensa, acrescentando que “todas as opções estão em cima da mesa” no objetivo de desarmar o Hezbollah.
Nadav Shoshani, porta-voz internacional do exército, descartou porém aos jornalistas estrangeiros a possibilidade uma invasão terrestre no curto prazo.
A ONU manifestou hoje preocupação com o relançamento da violência entre Israel e o Hezbollah, apelando a todas as partes para que exerçam máxima contenção.
“Apelamos para a máxima contenção e instamos as partes a respeitarem o acordo de cessar-fogo”, acrescentou Stéphane Dujarric, referindo-se à trégua em vigor desde novembro de 2024 e que os dois lados se acusam mutuamente de sucessivas violações desde então.
Segundo dados oficiais de Beirute, os ataques aéreos israelitas em grande escala contra o Líbano mataram na segunda-feira pelo menos 52 pessoas e feriram 154.
Os militares israelitas já tinham reivindicado bombardeamentos a mais de 70 armazéns de armas, locais de lançamento e lançadores de mísseis pertencentes ao Hezbollah, que anteriormente tinha visado o norte de Israel, em resposta aos ataques lançados desde sábado por Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Além disso, o exército israelita indicou que a série de ataques no Líbano teve como alvo a empresa financeira Aal-Qard al-Hassan, ligada ao Hezbollah e confirmou que o chefe dos serviços de informações do grupo libanês foi morto.
Segundo o grupo islamita palestiniano Hamas, aliado do Hezbollah e do Irão, os ataques israelitas na periferia sul de Beirute provocaram também a morte do chefe do braço armado da Jihad Islâmica no Líbano.
Ao mesmo tempo, o Governo libanês proibiu as atividades militares do Hezbollah e exigiu que o grupo entregue as armas ao Estado, limitando-se às suas atividades políticas, anunciou na segunda-feira o primeiro-ministro do país, Nawaf Salam, após uma reunião do executivo.
Em resposta, o Hezbollah condenou a decisão sem precedentes do Governo libanês, argumentando que seria mais vantajoso responder aos ataques israelitas.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de quatro militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.













