Irão: Conselho de Liderança pós-Khamenei pede que população “prove doce néctar da obediência”

O Conselho de Liderança Iraniano, “troika” que dirige o país após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei nos ataques norte-americanos e israelitas, apelou hoje à população para que “prove o doce néctar da obediência” perante incitamentos à sublevação.

Executive Digest com Lusa
Março 2, 2026
21:12

O Conselho de Liderança Iraniano, “troika” que dirige o país após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei nos ataques norte-americanos e israelitas, apelou hoje à população para que “prove o doce néctar da obediência” perante incitamentos à sublevação.


Num discurso divulgado pela agência de notícias oficial Tasnim, o clérigo Alireza Arafi, um dos três dirigentes do Conselho, manifestou confiança de que a situação atual de “perigo” seja ultrapassada e assegurou que “todas as forças do país” estão “a trabalhar afincadamente para gerir os assuntos nacionais nestas circunstâncias muito difíceis”. 


“Mais uma vez, os Estados Unidos e o regime sionista (Israel) basearam o seu erro de cálculo num ato injusto e cruel e, se Alá quiser, este erro de cálculo também se revelará errado”, afirmou Arafi, membro do Conselho juntamente com o Presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do poder judicial, Gholam Hossein Mohseni-Ejei.


Esta “troika” está encarregada de conduzir a transição até que seja escolhido o sucessor de Khamenei, morto no sábado num bombardeamento em Teerão.


Depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter apelado a uma sublevação contra o regime de Teerão, alvo de protestos populares brutalmente reprimidos no início do ano, Arafi previu que o povo “provará o doce néctar da obediência”.


“Estamos agora numa situação decisiva que pode ser ultrapassada com sucesso com a ajuda do povo”, afirmou o clérigo, assegurando estar em execução um plano de “resistência” deixado por Khamenei. 


Numa mensagem semelhante, o chefe do poder judicial apelou à união do povo iraniano, instando-o a não responder ao apelo de Washington para sair à rua.


“Quando o inimigo tiver utilizado todas as suas capacidades militares e, pela vontade de Alá, não tiver conseguido atingir nenhum dos seus objetivos, sem dúvida fracassará também desta vez”, disse Mohseni-Ejei, segundo a imprensa oficial.


O povo iraniano “não deve ouvi-los nem sair à rua para protestar”, sublinhou, em referência a Washington.


“Vocês (população) devem ajudar o governo, devem ajudar as forças de segurança, devem estar presentes no local”, adiantou.


Numa mensagem anterior, um dia após a criação do Conselho de Liderança para preencher o vazio de poder deixado pela morte de Khamenei, Pezeshkian afirmou ter dado instruções aos ministros e aos organismos governamentais para garantirem a prestação “ininterrupta” de serviços à população.


“Ordenei a todos os ministros e chefes de órgãos e agências do executivo que prestem serviços ininterruptos e integrados no público, com autoridade suficiente e planeamento específico, de acordo com as suas atribuições e até ao fim da guerra imposta”, disse o Presidente iraniano.


Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.


O Irão confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.


O Crescente Vermelho informou hoje que o número de mortos em no Irão ultrapassou os 555 desde o início dos bombardeamentos.


Em Israel, os ataques com mísseis iranianos já provocaram a morte a 10 pessoas.


O Presidente norte-americano afirmou que a operação iniciada no sábado visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.


O atual conflito agravou também as hostilidades entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, apoiado por Teerão, que nunca deixaram de se acusar mutuamente de violações do acordo de cessar-fogo assinado em novembro de 2024.


 

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