Irão: Israel reivindica eliminação de comandante da Força Quds no Líbano

As Forças de Defesa de Israel (FDI) reivindicaram hoje a eliminação, num ataque aéreo em Teerão, do comandante interino da Força Quds da Guarda Revolucionária Iraniana no Líbano, Daud Ali Zadeh. 

Executive Digest com Lusa
Março 3, 2026
22:03

As Forças de Defesa de Israel (FDI) reivindicaram hoje a eliminação, num ataque aéreo em Teerão, do comandante interino da Força Quds da Guarda Revolucionária Iraniana no Líbano, Daud Ali Zadeh. 


Em comunicado, as FDI adiantam que Ali Zadeh, que tinha uma patente equivalente a general de brigada, “era o comandante iraniano de mais alta patente no comando do Líbano”, responsável por manter o contacto entre o Irão e o Hezbollah, bem como por apoiar o desenvolvimento do movimento xiita, considerado terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia.


As forças israelitas acusam Ali Zadeh de comandar pessoalmente o ramo de armas estratégicas da Força Quds e de apoiar o envio de armas para as milícias apoiadas pelo Irão, além de contribuir para o rearmamento do Hezbollah após a guerra de 2024 com Israel.


Zadeh era o substituto do anterior comandante do Corpo Libanês da Força Quds, Hassan Mahdabi, morto noutro ataque israelita, e o ataque e eliminação de hoje foi realizado pela Força Aérea israelita, guiada por informações das FDI, adianta. 


Numa declaração posterior, o porta-voz do exército israelita em árabe avisou os dirigentes iranianos no Líbano que serão também atacados se não “abandonarem imediatamente o país” vizinho de Israel.


“Os militares não tolerarão qualquer presença do regime terrorista iraniano em território libanês”, disse o porta-voz do exército em árabe, Avichay Adraee, citando o exemplo da morte de Ali Zadeh em Teerão.


Os militares deram 24 horas a estes representantes da República Islâmica para abandonarem o Líbano, após o que “nenhum local” no país “será considerado um refúgio seguro para elementos do regime iraniano”, e as forças armadas atacariam qualquer local onde fossem detetados.


O Hezbollah é parte do chamado “eixo da resistência iraniano”, um conjunto de movimentos financiados e municiados por Teerão para atacar Israel, e que integra o Hamas em Gaza, os Huthis no Iémen e ainda milícias xiitas no Iraque, entre outros.


Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, tendo matado o guia supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, e grande parte dos altos responsáveis da Guarda Revolucionária.


O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.


Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.


Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques israelo-norte-americanos fizeram até agora pelo menos 787 mortos. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.


Por sua vez, o Irão lançou ataques de retaliação com mísseis e drones contra Israel e bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Iraque, Kuwait e Chipre.


Israel, onde dez pessoas foram mortas por mísseis iranianos, também estendeu os seus ataques ao Líbano, contra o Hezbollah, e aí pelo menos 52 pessoas morreram numa onda de bombardeamentos aos arredores de Beirute, no sul do país e no leste do Vale de Bekaa.


 

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