Com a aproximação da primavera, regressa também um dos maiores perigos sazonais em Portugal e noutros países do sul da Europa: a lagarta do pinheiro, conhecida como processionária. O ‘El Economista’ alerta para os riscos graves que este inseto representa sobretudo para os cães, enquanto autoridades portuguesas reforçam avisos devido ao aumento da sua presença nesta fase do ano.
Apesar do aspeto aparentemente inofensivo, a lagarta processionária liberta pelos microscópicos com toxinas altamente inflamatórias. A médica imunoalergologista Sofia Pinto Luz explicou à ‘TVI’ que esses pelos podem provocar reações cutâneas, oculares e respiratórias, mesmo sem contacto direto com o inseto. Segundo a especialista, as partículas podem dispersar-se no ar e atingir até 200 metros de distância, tornando o risco invisível e mais difícil de controlar.
A processionária constrói ninhos no topo dos pinheiros entre outubro e novembro, formando os característicos “novelos”. A partir de janeiro e fevereiro, inicia o seu percurso no solo em fila indiana — comportamento que lhe dá o nome — espalhando-se por vários metros ou mesmo quilómetros. É precisamente nesta fase que o perigo aumenta, já que os pelos libertados mantêm propriedades irritantes mesmo depois da passagem do inseto.
Nos humanos, os sintomas mais frequentes incluem irritação cutânea com vermelhidão, comichão intensa, urticária e pequenas pápulas semelhantes a picadas. Em casos mais graves, podem surgir conjuntivites com lacrimejo e edema ocular, bem como sintomas respiratórios como espirros, pieira e dificuldade súbita em respirar. Em situações extremas, a inflamação pode evoluir para necrose dos tecidos.
Nos cães, o risco é ainda mais elevado. De acordo com o ‘El Economista’, o contacto pode causar salivação excessiva, inflamação oral, dor intensa, dificuldades respiratórias, perda de visão e necrose da língua — especialmente quando o animal tenta morder ou cheirar as lagartas. Veterinários sublinham que a rapidez de atuação é determinante e que as consequências podem tornar-se irreversíveis.
Para reduzir os riscos, recomenda-se evitar pinhais durante a primavera e qualquer área onde existam ninhos visíveis ou filas de lagartas. A proximidade já constitui perigo, uma vez que os pelos podem circular no ar. Durante os passeios, os cães devem permanecer com trela e impedidos de cheirar ou lamber o chão.
Ao regressar a casa, é aconselhável verificar cuidadosamente patas, almofadas plantares, boca e nariz do animal. Em caso de contacto, deve-se afastar imediatamente da zona afetada e lavar abundantemente a área com água morna, sem esfregar. A roupa deve ser retirada e lavada a temperaturas superiores a 60 graus.
Para sintomas ligeiros em humanos, pode ser administrado um anti-histamínico. No entanto, em casos mais severos poderá ser necessária intervenção médica com corticoterapia tópica, ocular ou oral. Nos animais, qualquer sinal clínico exige deslocação urgente ao veterinário. Como sublinham os profissionais citados pelo ‘El Economista’, “cada minuto conta”.
A prevenção assume especial importância para pessoas com doenças respiratórias crónicas, mas a médica recorda que toda a população está exposta ao risco. A sinalização das áreas afetadas e a educação preventiva junto de crianças e proprietários de animais são consideradas medidas essenciais numa época em que a lagarta processionária volta a invadir parques, jardins e pinhais.














