Seis planetas estão alinhados no céu noturno ao longo deste mês, num fenómeno conhecido como “desfile planetário”, mas é esta noite que as condições de observação são mais favoráveis, segundo indicou o investigador em astrofísica, Pedro Machado, em declarações à rádio ‘TSF’, que explicou por que razão este alinhamento é raro e como pode ser observado.
Mercúrio, Vénus, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno surgem praticamente alinhados, num evento que só deverá repetir-se em 2040. O momento ideal para observar o fenómeno acontece pouco depois do pôr do sol, quando os planetas estão mais próximos entre si no céu.
Pedro Machado, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, esclareceu que, embora os planetas do Sistema Solar orbitem aproximadamente no mesmo plano, movem-se a velocidades diferentes.
“Apesar de estarem todos no mesmo plano, um pouco como se fossem azeitonas em cima de uma pizza, eles rodam em torno do Sol com velocidades diferentes”, explica. Por isso, encontram-se em posições distintas ao longo do ano, tornando incomum que vários fiquem visíveis ao mesmo tempo durante a noite.
Em regra, não é possível observar muitos planetas em simultâneo a olho nu. Este alinhamento permite ver quatro deles sem recurso a equipamento especial.
Quais são visíveis a olho nu?
Vénus, Júpiter e Saturno são facilmente identificáveis a olho nu. Mercúrio também pode ser observado sem telescópio, embora exija “um bocadinho mais de perícia e paciência”, dado o seu menor brilho e proximidade ao horizonte.
Já Urano e Neptuno só são visíveis com recurso a binóculos ou telescópio.
Como observar o “desfile planetário”?
O investigador aconselhou a procurar o fenómeno olhando para oeste, na direção onde o Sol se pôs, cerca de 15 a 20 minutos depois do pôr do sol, para permitir que os olhos se adaptem à escuridão.
“Aconselho primeiro a divisar o ponto mais brilhante, que vai ser Vénus”, refere Pedro Machado. A partir desse ponto, será mais fácil localizar os restantes planetas nas proximidades.
Para uma melhor experiência, recomenda-se um local com vista desimpedida para o horizonte e com pouca poluição luminosa. Trata-se de um fenómeno astronómico raro e acessível, que não exige equipamentos sofisticados — apenas céu limpo, paciência e atenção ao horizonte.













