A Dinamarca vai a eleições antecipadas a 24 de março, anunciou esta quinta-feira a primeira-ministra Mette Frederiksen no parlamento, em Copenhaga, segundo indicou o jornal ‘POLITICO’. A chefe do Governo revelou ter recomendado ao rei Frederik a marcação da votação para essa data, antecipando o calendário eleitoral quando faltava menos de um ano para o fim da legislatura, que terminaria até 31 de outubro.
A decisão surge num contexto de forte tensão internacional, marcado pelas declarações do presidente americano Donald Trump sobre a eventual anexação da Gronelândia. No discurso perante os deputados, Frederiksen fez referência direta ao diferendo entre Copenhaga e Washington, sublinhando que, apesar da campanha eleitoral, o executivo continuará atento aos desenvolvimentos externos.
“O mundo lá fora não está à espera”, afirmou, acrescentando que o conflito em torno da Gronelândia “ainda não terminou” e que o Governo, agora em gestão corrente até às eleições, manterá a defesa dos interesses dinamarqueses.
De acordo com o ‘POLITICO’, a antecipação das eleições pode também estar relacionada com a recuperação nas sondagens do Partido Social-Democrata. Apesar de uma derrota significativa nas eleições municipais de dezembro, a formação liderada por Frederiksen tem beneficiado de um aumento de popularidade, impulsionado pela defesa firme da soberania dinamarquesa face às declarações vindas de Washington.
As mais recentes projeções eleitorais apontam para cerca de 22% das intenções de voto para os social-democratas, praticamente o dobro do valor atribuído ao principal adversário, o Partido Verde-Esquerda.
Frederiksen lidera atualmente uma coligação com liberais e moderados de centro. No entanto, enfrenta pressão interna de setores progressistas que defendem uma maior aproximação a partidos de esquerda. A nível doméstico, o Governo tem sido criticado pela resposta à crise da habitação e por uma alegada inflexão política à direita.
Questionada sobre possíveis alianças após as eleições, a primeira-ministra recusou-se a excluir cenários. Admitiu que tanto uma renovação da parceria com o centro político como um entendimento com forças de esquerda são opções em aberto. “Não estou a descartar nada”, afirmou, justificando que, no atual contexto internacional, prefere evitar compromissos rígidos antes do voto.









