Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que Luís Miguel Ribeiro, presidente da AEP, antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.
- Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
- Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
- Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
- Uma palavra que possa definir 2026.
1. Desde logo, as alterações no contexto geopolítico, com impactos geoeconómicos relevantes, que podem modificar o actual modelo de globalização. Durante muitos anos, o relacionamento económico foi essencialmente multilateral, mas temos vindo a assistir a uma transição clara para relações cada vez mais bilaterais.
Valorizou-se durante muito tempo o transnacional, mas hoje o que parece ganhar maior relevância é o transaccional, ou seja, a lógica da transacção directa entre países. Neste contexto, as parcerias tornam-se cada vez mais importantes para os empresários, sobretudo em relações directas com empresas de outros países. O bilateralismo tenderá a afirmar-se não apenas entre Estados, mas também nos negócios e nas empresas.
2. A nível nacional, espera-se que Portugal mantenha um quadro de estabilidade. No plano europeu, é fundamental que a Europa acelere a tomada de decisões e defina metas e caminhos claros que lhe permitam assumir um papel mais relevante face aos outros blocos económicos. Já a nível global, o que se deseja é um maior equilíbrio entre os grandes blocos económicos, algo que, neste momento, ainda não se verifica.
3. Espero que o acordo entre a União Europeia e a América do Sul venha a concretizar-se, pois poderá representar uma grande oportunidade para as empresas nacionais, sobretudo tendo em conta a relação privilegiada que Portugal mantém com o Brasil.
Espero também que a relação histórica com África seja cada vez mais valorizada e que sejam criados mecanismos eficazes de apoio às empresas que pretendem investir nesses mercados.
Paralelamente, é importante que estas alterações e instabilidades sejam minimizadas e que se consiga alcançar algum grau de estabilização, mesmo num horizonte de curto prazo. A previsibilidade é essencial para viabilizar investimentos, preparar melhor as empresas e definir com maior clareza o caminho a seguir.
Há oportunidades e há desafios. Acredito que 2026 não será um dos anos mais complexos, até porque ainda existem recursos importantes para aplicar. Espero, por isso, que seja um ano com alguma estabilidade, sobretudo ao nível da capacidade de antecipar cenários a alguns meses, sabendo que, no plano internacional, a incerteza continuará a fazer parte do quotidiano.
4. Esperança.







