CGTP acusa Governo de tentativa de a afastar da discussão da lei laboral

O secretário-geral da CGTP acusou hoje o Governo de tentar afastar a intersindical da discussão das alterações à lei laboral e de utilizar formas de discussão “completamente à margem” do que tem sido a condução de processos negociais.

Executive Digest com Lusa

O secretário-geral da CGTP acusou hoje o Governo de tentar afastar a intersindical da discussão das alterações à lei laboral e de utilizar formas de discussão “completamente à margem” do que tem sido a condução de processos negociais.


A ministra do Trabalho vai reunir-se esta tarde com as confederações patronais para discutir as alterações à legislação laboral, mas sem a presença da CGTP, que não foi convocada pelo Governo, nem da UGT, que anunciou que não vai participar na reunião, considerando-a “extemporânea” e lamentando a sua divulgação quando informou atempadamente o Governo da sua indisponibilidade nesta data.


Em declarações à Lusa, o secretário-geral da CGTP confirma que a central sindical “não foi convocada para qualquer tipo de reunião” nem tem sido para as reuniões técnicas que têm decorrido para discutir as alterações à legislação laboral.


“Não temos sido convocados para nada”, afirma Tiago Oliveira, referindo que este posicionamento do Governo revela “a tentativa de afastar a CGTP de todo este processo” e de ter “um objetivo político bem assente”, ao querer “alterar profundamente as relações de trabalho”, atacando “profundamente” os direitos dos trabalhadores.


“Por isso, [o Governo] está a seguir este caminho de tentar, por vias travessas, para chegar ao seu destino”, indica o secretário-geral da CGTP, acrescentando que o executivo “que lida muito mal com opiniões contrárias àquilo que é o objetivo deste Governo”.

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A ministra do Trabalho tem vindo a reiterar que a CGTP se tem colocado, desde o início, à margem das negociações, que estão a decorrer no âmbito da Concertação Social.


Em declarações à Lusa, Tiago Oliveira volta a rejeitar as críticas, lembrando que a central sindical apresentou uma contraproposta ao anteprojeto apresentado em julho pelo Governo em 03 de setembro com “propostas concretas”, que visam nomeadamente, “valorizar o trabalho, no sentido de diminuir os horários de trabalho para os trabalhadores”, combater a precariedade e a “desvalorização da contratação coletiva” e “melhorar as condições de paternidade e maternidade”.


“Isto ficou patente em todo o processo. Até fica bem patente quando o Governo diz que está aberto a negociar e a discutir, e depois, quando tem de facto que o fazer, arranja estas formas de discussão, que são completamente à margem de tudo aquilo que tem sido a condução de processos, de auscultação dos parceiros sociais, de construção de alternativas”, acrescenta.

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Tiago Oliveira sinaliza ainda que “a luta dos trabalhadores vai continuar”, lembrando a manifestação nacional que vai decorrer em Lisboa e no Porto no próximo dia 28 de fevereiro.


A reunião de hoje foi convocada para as 15:00 no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), em Lisboa.


Na reunião deverão estar presentes delegações da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e Confederação do Turismo Português (CTP).


A discussão de hoje realiza-se fora do quadro das reuniões formais da Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), na qual a CGTP também tem assento, seguindo-se a reuniões de trabalho que o ministério liderado por Maria do Rosário Palma Ramalho tem vindo a realizar a nível técnico com representantes das entidades patronais e da UGT.


O anteprojeto de reforma, chamado “Trabalho XXI”, foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em julho de 2025 e continua em discussão na Concertação Social, antes de o executivo submeter uma proposta de lei no parlamento.

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As alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um ‘não’ das centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos dos trabalhadores. A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025.


As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.


Perante as críticas da CGTP e da UGT, o executivo entregou à UGT uma nova proposta com algumas cedências, mas reiterou que não está disponível para retirar toda a iniciativa, nem para deixar cair as traves mestras das alterações anunciadas.


A UGT fez chegar uma contraproposta ao Governo em 04 de fevereiro.


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