Portugal enfrenta um agravamento significativo do risco de cheias e movimentos de terras nos próximos dias, com especial incidência nas zonas ribeirinhas dos principais cursos de água. O alerta foi deixado esta quarta-feira, ao final da manhã, pelo comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, que descreveu um cenário de “potencial grande de inundações” e admitiu a necessidade de novas evacuações preventivas.
Segundo explicou aos jornalistas, o maior foco de preocupação está atualmente concentrado no rio Mondego, onde existe “probabilidade elevada de galgamento dos diques”, situação que já obrigou à retirada de algumas populações e que poderá estender-se a mais localidades nas próximas horas.
O responsável sublinhou que a evolução meteorológica prevista deverá agravar a pressão sobre os cursos de água e tornar os próximos dias particularmente exigentes para as autoridades e para as comunidades afetadas.
Mário Silvestre foi claro ao caracterizar o período que se aproxima como especialmente crítico, afirmando que “os próximos dias vão ser dias complexos e difíceis” e apelando a comportamentos responsáveis por parte da população. “O que voltamos a recomendar é que tenham atitude de segurança e que zelem uns pelos outros”, declarou.
Entre as ocorrências já registadas, destacam-se os deslizamentos de terras, que têm provocado impactos diretos na vida quotidiana. Estes fenómenos estão a causar danos em edifícios, interrupções de vias rodoviárias e limitações na mobilidade, com estradas cortadas ou comprometidas.
“Temos vias rodoviárias comprometidas, e portanto temos problema de não poder circular”, alertou, acrescentando que a situação “vai agravar-se nos próximos dias em virtude da precipitação prevista”.
O comandante nacional insistiu que as cheias e os deslizamentos de terras são, neste momento, os principais perigos e exigem prudência máxima. Deixou recomendações concretas à população, alertando que atravessar linhas de água pode ser fatal.
“Não atravessem os cursos de água, podem ser perigosos e uma armadilha mortal”, advertiu, pedindo também que se evite estacionar veículos em zonas inundadas ou potencialmente inundáveis, devendo ser escolhidos locais seguros.
Preparação para evacuações
Face à possibilidade de agravamento das cheias, a Proteção Civil aconselha as famílias a prepararem-se antecipadamente para eventuais retiradas rápidas das habitações. O comandante apelou a que os cidadãos organizem bens essenciais e medicamentos.
“Preparem-se para cheias, preparem-se para evacuação, tenham medicamentos prontos a levar, caso seja preciso sair de casa”, recomendou.
Além disso, qualquer sinal de instabilidade do terreno deve ser comunicado de imediato às autoridades. Indícios como árvores ou muros a mover-se, ou a queda de pedras nas estradas, podem sinalizar movimentos de encostas e deslizamentos iminentes.
“Se virem indícios de deslizamentos de terras, árvore, muro que se mexe, quedas de pedras nas estradas, indiciam movimento de deslizamento de arribas, e devem informar imediatamente a Proteção Civil”, reforçou.
Com o agravamento das condições meteorológicas previsto, a Proteção Civil mantém o apelo à vigilância permanente e à adoção de comportamentos preventivos, sublinhando que a colaboração da população será determinante para reduzir riscos e proteger vidas.







