Estado já gastou quase 1,7 milhões de euros a guardar quadros de Ricardo Salgado

Desde julho de 2015, o Estado português tem vindo a pagar uma renda mensal de 13 549 euros pela guarda de 75 obras de arte pertencentes a Ricardo Salgado.

Revista de Imprensa

As obras de arte encontram-se depositadas nas instalações da empresa Sala Branca, Lda., com sede em Santarém, que era já responsável pela sua guarda quando estas foram arrestadas no âmbito do processo BES/GES, em julho de 2015.

De acordo com o Correio da Manhã, a própria Sala Branca apresentou, em outubro de 2025, uma proposta para adquirir as 75 obras de arte pelo valor global de 175 300 euros. A informação consta dos autos do processo BES/GES e revela, pela primeira vez, o custo suportado pelo Estado com a guarda deste património arrestado.

Na proposta, a empresa explica que, desde o arresto, o Estado tem pago mensalmente 13 549,68 euros para manter as obras depositadas nas suas instalações, valor que continuará a ser cobrado enquanto os bens ali permanecerem.

A Sala Branca condiciona a compra das obras ao facto de estas estarem livres de quaisquer ónus ou encargos judiciais. No entanto, a empresa indica que 67 das 75 obras estão penhoradas em um ou mais processos de execução de coimas e custas que correm no Tribunal da Concorrência de Santarém.

Qualquer venda das obras de arte arrestadas no processo BES/GES depende de autorização judicial. Questionado sobre a aceitação da proposta, o Gabinete de Administração de Bens, entidade responsável pela gestão de bens apreendidos ou recuperados em processos judiciais, recusou comentar, afirmando não se pronunciar sobre processos em curso.

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A coleção de arte de Ricardo Salgado inclui quadros, serigrafias, estatuetas e fotografias, com obras de artistas como Francisco Tropa, Pedro Cabrita Reis, António Poppe, Cristina Ataíde e Candida Höffer.

O julgamento do processo principal BES/GES teve início em outubro de 2024 e envolve 18 arguidos, entre 15 pessoas singulares e três empresas. O processo é de grandes dimensões, com mais de 300 crimes em investigação, 733 testemunhas e 135 assistentes.

A queda do BES ocorreu em 2014, na sequência da derrocada do Grupo Espírito Santo, motivada pela falta de liquidez para fazer face às suas dívidas.

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Antes de serem arrestadas, Ricardo Salgado mantinha 138 obras de arte num armazém em Loures. Em janeiro de 2015, estas obras foram transferidas para a Sala Branca – Leilões de Arte, em Lisboa, com o objetivo de serem vendidas. Em julho desse ano, 75 acabariam por ser arrestadas no âmbito do processo BES/GES.

Entretanto, a Sala Branca, Lda., com sede em Santarém, incorporou por fusão a anterior Sala Branca – Leilões de Arte, onde se encontravam os bens arrestados.

Segundo o Correio da Manhã, as obras de arte arrestadas que se encontram atualmente nas instalações da Sala Branca deverão passar para a guarda da entidade pública Museus e Monumentos de Portugal. Para esse efeito, o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça e o Ministério da Cultura estão em vias de assinar um protocolo de colaboração.

Esta medida poderá permitir ao Estado reduzir os elevados custos associados à guarda prolongada de bens arrestados em processos judiciais de grande dimensão, como é o caso do BES/GES.

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