Irmão do chefe de gabinete de Luís Montenegro nomeado consultor coordenador com salário de 4.400 euros. Há um ano era estagiário

O Ministério da Reforma do Estado justificou a escolha com base no mérito académico e no processo de recrutamento realizado.

Executive Digest

De acordo com a TVI, Frederico Perestrelo Pinto é irmão de Pedro Perestrelo Pinto, atual chefe de gabinete de Luís Montenegro, ligação familiar confirmada após a publicação da nomeação em Diário da República.

A decisão foi formalizada através de um despacho assinado por três membros do Governo: o ministro das Finanças, o ministro da Presidência e o ministro da Reforma do Estado. Frederico Perestrelo Pinto integra agora a equipa de consultores coordenadores do Grupo de Trabalho criado para preparar e executar a reforma da administração pública, uma das principais bandeiras do atual executivo.



Segundo a TVI, este grupo de trabalho pode incluir até 15 pessoas em regime de comissão de serviço e tem como missão promover a racionalização de serviços, o aumento da eficiência do Estado e a reorganização da administração pública.

O currículo publicado em Diário da República refere que Frederico Perestrelo Pinto é licenciado e mestre em Economia, tendo exercido funções como analista de negócios na EDP Renováveis, além de estágios na mesma empresa e na Caixa Geral de Depósitos.

A informação disponível indica que o agora consultor coordenador realizou um estágio na EDP Renováveis, em Madrid, iniciado em novembro de 2024 e concluído em abril de 2025. Desde maio desse ano, passou a desempenhar funções como analista de desenvolvimento de negócios na mesma empresa em Espanha.

Contactado pela TVI, o chefe de gabinete do primeiro-ministro garantiu que não teve qualquer intervenção no processo. Pedro Perestrelo Pinto afirmou que apenas teve conhecimento da proposta quando o irmão o informou, sublinhando que este tem uma carreira profissional autónoma e independente.

Na resposta enviada, o responsável acrescentou que as competências do irmão podem ser avaliadas através da nota curricular publicada, bem como junto de anteriores superiores hierárquicos e do orientador de mestrado.

O Ministério da Reforma do Estado justificou a escolha com base no mérito académico e no processo de recrutamento realizado. Segundo a explicação enviada à TVI, Frederico Perestrelo Pinto cumpre os critérios definidos para o cargo, que exigem perfil analítico ou jurídico, experiência de gestão, capacidade de acompanhamento de projetos e uma sólida base académica nas áreas económica ou jurídica.

O ministério destacou ainda que o consultor coordenador tem licenciatura na Nova SBE, com classificação de 17 valores, e mestrado na Universidade Bocconi, em Milão, onde obteve 109 em 110 pontos e a nota máxima na dissertação.

O Governo sublinhou também que Frederico Perestrelo Pinto deixou o cargo que ocupava em Madrid para integrar este grupo de trabalho, cuja duração está prevista até 31 de dezembro de 2026. A remuneração associada ao cargo de consultor coordenador é semelhante à de um deputado, situando-se nos 4.400 euros mensais.

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