“A IA já faz parte da estratégia da maioria das empresas, mas 2026 vai expor uma realidade desconfortável”, alerta o CEO da Emergn

Apesar do investimento crescente e da pressão para gerar retorno rápido, os principais entraves à adoção eficaz da IA deixaram de ser tecnológicos e passaram a ser organizacionais, ligados à liderança, à tomada de decisão e à capacidade de execução à escala.

André Manuel Mendes

A inteligência artificial já está no centro da estratégia das empresas, mas a maioria continua a enfrentar dificuldades em transformar ambição em resultados concretos. Segundo um estudo internacional da consultora Emergn, apesar do investimento crescente e da pressão para gerar retorno rápido, os principais entraves à adoção eficaz da IA deixaram de ser tecnológicos e passaram a ser organizacionais, ligados à liderança, à tomada de decisão e à capacidade de execução à escala.

“A IA já faz parte da estratégia da maioria das empresas, mas 2026 vai expor uma realidade desconfortável: muitas organizações não estão preparadas para a executar à escala. O problema deixou de ser tecnológico e passou a ser organizacional, na forma como se lidera, se decide e se transforma ambição em valor real”, afirma Alex Adamopoulos, Chairman e CEO da Emergn.

O estudo, intitulado The Global Intelligent Delusion, identifica cinco tendências que irão marcar o uso da inteligência artificial nas empresas ao longo do próximo ano.

A primeira grande tendência prende-se com a dificuldade em escalar a IA. De acordo com a Emergn, 57% dos líderes admitem que as expectativas em torno da inteligência artificial estão a evoluir mais rapidamente do que a capacidade real de execução, forçando as organizações a abandonar a fase de experimentação e a adotar um foco mais rigoroso nas prioridades e na criação de valor sustentável. Em paralelo, a crescente complexidade organizacional surge como um dos principais travões à escala, com modelos de gestão rígidos e estruturas hierárquicas tradicionais a revelarem-se incapazes de acompanhar o ritmo da transformação.

O estudo destaca ainda o papel central do product management na criação de valor com IA. Enquanto empresas sem esta função desenvolvem iniciativas fragmentadas e pouco alinhadas com a estratégia, aquelas que colocam o product management no centro da decisão conseguem ligar tecnologia, negócio e necessidades do cliente. Prova disso é o facto de 88% das organizações terem aumentado o investimento nesta área. Ao mesmo tempo, a liderança intermédia emerge como um ponto crítico de tensão: 68% dos inquiridos consideram que os gestores necessitam de reforçar competências para lidar com contextos de mudança contínua e decisões aceleradas.

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Por fim, a formação assume um impacto direto na competitividade das empresas. Segundo a Emergn, 64% dos profissionais evitariam candidatar-se a organizações sem bons programas de aprendizagem e 89% mostram-se mais leais a empresas que investem em upskilling. “As organizações que não aprendem à velocidade da mudança ficam para trás. Mais do que uma questão tecnológica, a verdadeira transformação é organizacional e humana”, conclui Alex Adamopoulos.

 

 

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