NATO prepara defesa contra Putin às portas de Portugal: 12 mil soldados realizam maior exercício de treino de 2026

Exercício envolve forças de vários países, incluindo Itália, Grécia, Alemanha, República Checa, Lituânia, Bulgária, Reino Unido, Turquia e Espanha, e integra capacidades terrestres, aéreas, espaciais, cibernéticas, marítimas e de operações especiais

Francisco Laranjeira

Se a Rússia atacasse hoje o flanco leste da NATO e fosse acionado o Artigo 5, cerca de 12.000 soldados da Força de Reação Aliada seriam imediatamente mobilizados. Esse seria, na prática, o início de um conflito aberto, num cenário que está a ser testado no maior exercício da Aliança Atlântica deste ano, o Steadfast Dart, que arrancou este fim de semana a partir da base naval de Rota, em Cádis (Espanha).

De acordo com o jornal espanhol ‘ABC’, parte significativa da capacidade naval espanhola está envolvida nestas manobras, que incluem igualmente forças turcas, com a participação de quatro navios de guerra, entre os quais o porta-aviões ‘Anadolu’. Do lado espanhol, o contingente integra o navio de assalto anfíbio ‘Castilla’, navio-almirante do Comando Marítimo de Alta Prontidão, com capacidade para transportar mais de uma centena de veículos de combate, e a fragata ‘Cristóbal Colón’.

Manobras num contexto de tensão geoestratégica

As operações decorrem num contexto de condições meteorológicas adversas, com ventos fortes a dificultarem a chegada das forças aliadas, em particular das unidades turcas. Ainda assim, o general Ingo Gerhartz, comandante do Comando Conjunto de Brunssum, chegou a horas desde a Alemanha para supervisionar pessoalmente o início das manobras, a bordo de um avião Airbus A400M.

No discurso de abertura, Gerhartz sublinhou que o exercício decorre num momento de crescentes tensões geoestratégicas, encaradas como “uma oportunidade para os europeus se unirem e se fortalecerem”. Segundo o comandante, as manobras não visam enviar uma mensagem contra um adversário específico, mas sim demonstrar que a NATO está preparada e que a Europa permanece unida.

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“Estamos a demonstrar que o conjunto de ferramentas da Força de Reação Aliada contém todas as capacidades necessárias para reagir a qualquer ameaça”, afirmou Gerhartz, a bordo do ‘Castilla’, onde foi recebido pelo vice-almirante Juan Bautista Pérez Puig, comandante do Comando da Componente Marítima da NATO.

A sombra da ausência dos Estados Unidos

Segundo o ‘ABC’, sobre o exercício paira a perceção de uma presença americana mais distante, numa altura em que Washington tem vindo a sinalizar a retirada de algumas capacidades estacionadas na Europa para reforçar o seu posicionamento no Pacífico. Ainda assim, do ponto de vista militar, a cooperação com os Estados Unidos mantém-se inalterada, em particular em Rota, onde a colaboração remonta à década de 1950.

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Pérez Puig garante que o trabalho conjunto continua a ser “excelente”, enquanto Gerhartz afirma não ter dúvidas de que os Estados Unidos permanecerão na NATO e continuarão a defender a Europa. O comandante insiste que o reforço da unidade europeia é crucial, defendendo um aumento das despesas com a defesa por parte dos países europeus para fortalecer a componente europeia da Aliança.

Preparação permanente e alerta elevado

O exercício envolve forças de vários países, incluindo Itália, Grécia, Alemanha, República Checa, Lituânia, Bulgária, Reino Unido, Turquia e Espanha, e integra capacidades terrestres, aéreas, espaciais, cibernéticas, marítimas e de operações especiais.

Em Espanha, o ambiente é descrito como relativamente mais tranquilo face às preocupações registadas noutros países europeus, apesar do elevado nível de prontidão operacional. O vice-almirante Pérez Puig admite que o estado de alerta permanente impede, por exemplo, períodos de férias, com quase 400 militares envolvidos diretamente nas operações do Castilla e do Estado-Maior em regime de crise.

A preparação inclui também cenários de sabotagem, nomeadamente face a incidentes registados no Mar Báltico envolvendo navios da chamada “frota fantasma” russa. Embora as áreas onde o exercício decorre não sejam consideradas de máxima tensão, as forças aliadas garantem estar prontas para qualquer eventualidade.

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O hospital de bordo do ‘Castilla’, com oito camas, quartos de isolamento e capacidade para evacuação médica aérea, será igualmente utilizado durante os exercícios no Mar Báltico, reforçando a dimensão operacional e humanitária das manobras.

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