Quando o Sol se tornar gigante: a possível “digestão” da Terra explicada pela NASA

Segundo a agência espacial, estas imagens oferecem “uma visão detalhada do possível destino final do nosso Sol e do nosso sistema planetário”

Francisco Laranjeira

A NASA revelou imagens impressionantes que oferecem um vislumbre do possível destino do nosso sistema solar. Capturadas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), mostram a Nebulosa da Hélice, uma camada de gás e poeira formada por uma estrela semelhante ao Sol que esgotou o seu combustível há milhares de anos, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra.

Segundo a agência espacial, estas imagens oferecem “uma visão detalhada do possível destino final do nosso Sol e do nosso sistema planetário”. O mais fascinante é que, apesar da ameaça que estas estrelas representam, as estruturas de gás e poeira podem conter a matéria-prima para formar novos planetas capazes de sustentar vida complexa.

Como morre uma estrela como o Sol

Durante a maior parte da sua vida, o Sol mantém-se estável graças à fusão nuclear, convertendo hidrogénio em hélio no seu núcleo. Mas quando o hidrogénio começa a escassear, o núcleo colapsa e a pressão gerada provoca reações que fundem hélio em carbono, libertando energia e expandindo as camadas externas.

O resultado é a transformação do Sol numa gigante vermelha, entre 100 a 1.000 vezes maior do que o seu tamanho atual, antes de o núcleo se tornar uma anã branca — uma estrela quente do tamanho da Terra. As camadas externas, agora libertadas, formam uma nebulosa planetária, iluminada pela radiação intensa da anã branca. É esta fase que o JWST captou com uma nitidez inédita, revelando detalhes das transições entre gases quentes e frios, e bolsões de poeira onde podem surgir moléculas complexas.

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O impacto para a Terra

Os cientistas alertam que, quando o Sol atingir a fase de gigante vermelha, a Terra poderá ser consumida pelo calor intenso ou despedaçada pelas forças gravitacionais. Estudos recentes sugerem que estrelas nesta fase têm muito menos probabilidade de manter planetas grandes em órbitas próximas, como a Terra.

No entanto, o material expelido ao espaço pode formar novos mundos. Segundo a professora Janet Drew, astrónoma do University College London, trata-se de um processo de “criação, e não de destruição”. O gás e a poeira lançados pela estrela morta ficam disponíveis para a próxima geração de estrelas e planetas, fornecendo os elementos necessários para a vida baseada em carbono.

O ciclo continua

A Nebulosa da Hélice mostra claramente este ciclo cósmico. Tons de azul indicam regiões mais quentes, energizadas pela radiação da anã branca, enquanto amarelos e vermelhos marcam zonas mais frias, onde o gás se torna raro e a poeira começa a condensar. Estes detalhes ajudam os cientistas a entender melhor como se formam novas estrelas e planetas a partir do material libertado por estrelas moribundas.

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Daqui a cinco bilhões de anos, o nosso Sol deverá seguir este mesmo caminho, expandindo-se, destruindo a Terra e criando uma nova nebulosa. Ainda não se sabe se algum núcleo rochoso do planeta sobreviverá, mas é certo que os elementos que constituem a Terra poderão contribuir para novos mundos em formação.

Em última análise, a morte do Sol não é apenas um fim: é também o começo de um novo ciclo de vida cósmica, um processo que transforma destruição em oportunidade para criar vida e estruturas planetárias no futuro.

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