Recalls sem fim: as marcas que mais chamaram carros às oficinas em 2025

Consulta da base de dados europeia ‘Rapex’ revela a existência de 317 campanhas de recolha em 2025, o que corresponde a quase uma por dia e representa um aumento de 17 face a 2024

Automonitor
Janeiro 26, 2026
12:23

O ano de 2025 ficou marcado por um número elevado de campanhas de recolha no setor automóvel, algumas de grande dimensão, outras mais discretas, muitas delas ainda relacionadas com o prolongado caso dos airbags Takata. Mas nem todos os construtores foram afetados da mesma forma. Uma análise aos dados oficiais da União Europeia permite identificar quais as marcas que mais vezes chamaram veículos de volta às oficinas ao longo do último ano.

Segundo o ‘L’Automobile Magazine’, a consulta da base de dados europeia ‘Rapex’ revela a existência de 317 campanhas de recolha em 2025, o que corresponde a quase uma por dia e representa um aumento de 17 face a 2024. Ainda assim, os números devem ser lidos com cautela, já que vários fabricantes optam por realizar correções técnicas fora do enquadramento formal de um recall, evitando a sua comunicação às autoridades e ao público.

Nem todas as intervenções chegam a ser oficialmente classificadas como campanhas de recolha. Algumas marcas não lançaram qualquer recall formal em 2025, como MG, Abarth ou Cupra, mas isso não impediu a realização de correções técnicas em determinados modelos. Um dos exemplos citados é o da Renault, que resolveu um problema na caixa de velocidades de mais de 150 mil veículos híbridos através de uma “operação técnica especial”, não comunicada às autoridades por não envolver diretamente riscos de segurança ou ambientais.

Este tipo de atuação, menos visível, é frequente na indústria automóvel. Trata-se de intervenções menos dispendiosas e que evitam a exposição mediática associada aos recalls tradicionais. Muitas destas correções são realizadas durante revisões periódicas e acabam por passar despercebidas aos próprios proprietários.

Entre os construtores que recorreram mais vezes a campanhas oficiais de recolha, a Mercedes lidera o ranking de 2025, com 26 operações, um número explicado em parte pela vasta gama de modelos comercializados. Logo atrás surge a Peugeot, com 25 campanhas, seguida da Kia, com 24. Opel e Citroën, ambas do grupo Stellantis, integram também o topo da tabela, sendo que a Chevron partilha a quinta posição com a Volkswagen. BMW, Ford e Audi aparecem igualmente entre os construtores com maior número de regressos às oficinas ao longo do ano.

O peso do caso Takata voltou a fazer-se sentir de forma significativa em 2025. De acordo com o ‘L’Automobile Magazine’, o regresso ao primeiro plano do escândalo dos airbags defeituosos levou marcas como Citroën, Toyota, Mercedes e o grupo Volkswagen a imobilizarem centenas de milhares de veículos. Em vários casos, estas campanhas assumiram a forma de recalls do tipo “Stop Drive”, que implicam a paragem imediata do veículo até à substituição do componente. Este tipo de procedimento, ainda relativamente recente na Europa, passou mesmo a poder ser sinalizado em contra-inspeções no controlo técnico em França.

A situação foi particularmente relevante no grupo Stellantis, responsável por várias campanhas de grande escala. Entre elas destaca-se o recall de cerca de 900 mil veículos das marcas Citroën, DS, Opel e Peugeot equipados com o motor 1.5 BlueHDi, motivado por problemas de fiabilidade. Apesar de poder ter optado por uma intervenção mais discreta, o grupo decidiu comunicar oficialmente a operação, numa altura em que o descontentamento dos clientes começava a ganhar expressão. A isto somaram-se mais de 200 mil veículos em França com o motor a gasolina de três cilindros que sucedeu ao 1.2 PureTech, devido a risco de incêndio, e mais de 240 mil Peugeot 308 de geração anterior, chamados às oficinas por um defeito no cinto de segurança.

Quando se analisam os dados por grupos automóveis, o Stellantis surge destacado, com 95 campanhas de recolha em 2025. Seguem-se o grupo Volkswagen, com 47, e o consórcio Hyundai-Kia, com 38. Uma parte significativa destas operações incidiu, no entanto, sobre veículos comerciais e derivados, segmento em que o Stellantis dispõe de uma oferta particularmente vasta. Excluindo esses modelos, a diferença entre os grandes grupos torna-se menos acentuada.

Mesmo marcas tradicionalmente associadas a elevados níveis de fiabilidade não ficaram imunes. A Toyota e a Lexus chamaram de volta mais de 90 mil veículos produzidos internamente durante o verão, numa abordagem que reflete uma estratégia de intervenção rápida, antes que os problemas se generalizem. Neste contexto, um elevado número de recalls não é necessariamente um sinal negativo, podendo traduzir uma resposta mais célere a potenciais falhas, ainda que para os proprietários nunca seja agradável regressar inesperadamente à oficina.

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