As insolvências empresariais a nível mundial deverão voltar a aumentar em 2026, ainda que a um ritmo mais moderado, num contexto marcado por um ligeiro alívio dos custos de financiamento, mas também por níveis persistentes de fragilidade no tecido empresarial. A previsão aponta para um crescimento global de 2,8%, refletindo uma estabilização apenas aparente após vários anos de forte agravamento das falências, segundo um comunicado divulgado esta segunda-feira pela Coface.
De acordo com a análise, os países desenvolvidos continuam a concentrar uma parte significativa das insolvências, apesar de sinais de desaceleração. França e Reino Unido deverão registar um aumento de 2%, em linha com a criação de novas empresas, enquanto nos Estados Unidos a subida prevista é de 4%, penalizada pela vulnerabilidade de setores afetados por políticas recentes, nomeadamente a absorção interna de direitos aduaneiros. A Alemanha deverá limitar o crescimento a 1%, apesar de uma atividade privada fraca compensada por estímulos públicos, enquanto Itália (-2%) e Espanha (-3%) surgem como exceções, beneficiando, respetivamente, de efeitos estatísticos e de um maior dinamismo macroeconómico. Ainda assim, a Coface alerta que um aumento de apenas 25 pontos base nas taxas de juro aplicadas aos empréstimos às empresas seria suficiente para inverter esta tendência de abrandamento e empurrar novamente o crescimento das insolvências globais para níveis entre 4% e 5%.
Em Portugal, os riscos são considerados particularmente relevantes devido à forte dependência das exportações e ao peso das pequenas e médias empresas no tecido empresarial. A desaceleração económica na Europa, principal destino das exportações nacionais, cruza-se com um ambiente internacional marcado por tarifas, tensões comerciais e maior incerteza regulatória, pressionando margens e competitividade. A isto somam-se custos energéticos ainda elevados, que afetam de forma desproporcionada setores como o têxtil, a metalomecânica, o papel e a indústria química. Num contexto de financiamento ainda exigente, as PME portuguesas, com menor capacidade de absorver choques financeiros e acesso limitado a instrumentos de mitigação de risco, permanecem especialmente vulneráveis a perturbações adicionais na procura externa ou a novos aumentos dos custos operacionais.
A nível global, a Coface descreve 2026 como um ano de “estabilização enganadora”, sublinhando que o número de insolvências não deverá diminuir, apenas deixar de acelerar, mantendo-se em patamares elevados após três anos consecutivos de subidas significativas. “2026 deverá trazer um alívio, não uma melhoria. O número de insolvências não vai cair: simplesmente deixará de acelerar. Se as taxas descerem mais lentamente do que o previsto, a estabilização desaparece de imediato”, afirma Jonathan Steenberg, economista responsável pelos países do Noroeste Europeu na Coface. A seguradora de crédito destaca ainda que, num cenário de elevada sensibilidade ao custo do crédito, sobretudo na Europa, a trajetória das insolvências dependerá menos do crescimento económico e mais do ritmo do ajustamento monetário, tornando o financiamento o verdadeiro fator decisivo para a evolução do risco empresarial em 2026.



