“Campeã europeia em combustíveis renováveis”: CEO de Moeve explica parceria com Galp

Maarten Wetselaar, CEO da Moeve, explicou que a operação permitirá competir à escala global. “Se a integração avançar, com a permissão das autoridades competentes, teremos mais opções para liderar o novo mercado dos combustíveis renováveis”, sublinha

Francisco Laranjeira
Janeiro 22, 2026
18:52

A integração dos negócios de downstream da Moeve com a Galp representa “um grande passo em frente” na estratégia da antiga Cepsa e poderá transformar a Península Ibérica no principal centro europeu de moléculas verdes. A convicção é expressa por Maarten Wetselaar, CEO da Moeve, numa entrevista exclusiva ao ‘El Expansión’, a primeira desde o anúncio da aliança, feito há apenas duas semanas.

“Estamos a aumentar a nossa presença na Península Ibérica e a nossa capacidade de investimento, sobretudo em projetos industriais”, afirma o gestor, sublinhando que a integração com a Galp permitirá à Moeve tornar-se “o principal interveniente europeu em combustíveis renováveis, como o hidrogénio e os biocombustíveis”, indicou ao jornal espanhol.

Questionado sobre o impacto da aliança com a Galp, o CEO é claro quanto ao alcance geográfico e estratégico da operação. “A Península Ibérica passará a ser o principal polo europeu de moléculas verdes, como o hidrogénio e os seus derivados”, afirma, destacando os acessos ao mar como um fator decisivo para aumentar o potencial comercial.

Para Wetselaar, a operação permitirá competir à escala global. “Se a integração avançar, com a permissão das autoridades competentes, teremos mais opções para liderar o novo mercado dos combustíveis renováveis”, sublinha.

Foco financeiro e estrutura acionista

O responsável rejeita que o processo de integração possa distrair investidores ou comprometer a disciplina financeira. “Pelo contrário”, diz. “Esperamos que a integração reforce a resiliência de ambas as plataformas e melhore as condições para o investimento contínuo na transição energética”, explica, apontando a escala e as sinergias como fatores-chave.

O objetivo estratégico mantém-se intacto. “Que mais de 50% do nosso EBITDA provenha de negócios sustentáveis até 2030 continua a ser o nosso principal objetivo”, afirma Wetselaar. “Estamos confiantes de que o podemos alcançar.”

Sobre a estrutura acionista, o CEO é taxativo. “O acordo com a Galp implica já uma reconsideração da estrutura acionista nas duas empresas que seriam criadas”, afirma, afastando a hipótese de outras operações. “Não estamos a trabalhar em outras transações”, garante.

Atualmente, cerca de 37% da Moeve está nas mãos da Carlyle, enquanto os restantes 63% pertencem à Mubadala, holding estatal de Abu Dhabi. No caso da Galp, o principal acionista é o grupo Amorim, com 36,7%, seguindo-se a Parpública, com 8,2%.

Duas novas empresas no downstream

A operação prevê a cisão dos ativos de downstream para criar duas entidades. Na empresa industrial, focada em química e refinação, os acionistas da Moeve deterão 80% e os da Galp 20%. Na empresa de comercialização, centrada nos postos de abastecimento, a participação será repartida em partes iguais.

Quanto ao calendário, Wetselaar aponta para um entendimento próximo. “Esperamos chegar a um acordo vinculativo até meados deste ano”, afirma, justificando a escolha da Galp com uma visão estratégica comum assente na inovação, sustentabilidade e liderança energética na Península Ibérica.

Quatro anos de viragem estratégica

Quatro anos depois de ter assumido o comando da empresa, e a meio do plano de descarbonização “Positive Motion”, Wetselaar faz um balanço claramente positivo. “Se compararmos a Cepsa de há quatro anos com a empresa atual, verificamos um progresso significativo”, afirma, apontando como prova as avaliações de analistas e agências de rating ESG. “Somos pioneiros no setor”, acrescenta, lembrando o reconhecimento do Fórum Económico Mundial em Davos.

O CEO destaca a profunda reestruturação do portefólio, com a alienação de cerca de 70% dos ativos de exploração e produção de hidrocarbonetos e a venda do negócio de butano e propano. Nos biocombustíveis de segunda geração, sublinha a construção, em Huelva, da maior fábrica do sul da Europa, com capacidade para 500 mil toneladas por ano. “Representa um aumento de 93% da nossa capacidade instalada”, refere.

A Moeve consolidou ainda o fornecimento de combustível de aviação sustentável nos principais aeroportos espanhóis e em dezenas de portos, lançou o diesel renovável HVO100 para transporte rodoviário profissional e está a desenvolver projetos de biometano com uma capacidade total prevista de 4.000 megawatts. “Estamos também a construir um ecossistema abrangente de carregamento ultrarrápido para veículos elétricos”, acrescenta Wetselaar, recordando a aquisição da rede Ballenoil, atualmente com 380 postos de abastecimento.

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