Apartamentos de luxo, turismo costeiro: o momento bizarro em que Administração Trump apresenta planos para a ‘Nova Gaza’

Os documentos detalham a construção de mais de 100.000 unidades habitacionais permanentes, 75 instalações médicas, 200 centros educativos e 180 centros culturais, religiosos e profissionalizantes. O projeto prevê ainda arranha-céus futuristas, grandes rodovias, áreas verdes e zonas de turismo costeiro, com 180 torres identificadas nas imagens oficiais

Francisco Laranjeira
Janeiro 22, 2026
16:17

O Governo de Donald Trump revelou novos e controversos planos para transformar a Faixa de Gaza numa “Nova Gaza”, incluindo apartamentos de luxo, turismo costeiro e centros de dados. As imagens, geradas por computador, foram apresentadas pelo genro do presidente, Jared Kushner, durante uma conferência de imprensa em Davos, na Suíça, por ocasião da assinatura do novo acordo de paz promovido pelo executivo americano.

Os documentos detalham a construção de mais de 100.000 unidades habitacionais permanentes, 75 instalações médicas, 200 centros educativos e 180 centros culturais, religiosos e profissionalizantes. O projeto prevê ainda arranha-céus futuristas, grandes rodovias, áreas verdes e zonas de turismo costeiro, com 180 torres identificadas nas imagens oficiais.



Trump descreveu a localização costeira como um fator determinante: “Pessoas que vivem em condições precárias passarão a viver muito bem. Mas tudo começou com a localização”, afirmou. Segundo o presidente, o Conselho de Paz supervisionará a desmilitarização de Gaza e funcionará como fórum de mediação de conflitos, numa alternativa às Nações Unidas.

Reações internacionais e críticas

A iniciativa recebeu críticas imediatas de aliados europeus. O Reino Unido, representado pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, recusou-se a assinar o acordo, destacando preocupações com a participação do presidente russo, Vladimir Putin. França e Alemanha também não participaram da cerimónia. Por outro lado, 35 países, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Turquia, comprometeram-se a integrar o conselho.

O anúncio suscitou ainda polémica entre líderes árabes devido à inclusão do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, cuja atuação na guerra em Gaza provocou mais de 72 mil mortes palestinas.

Conselho de Paz e participação de bilionários

O plano apresentado em Davos inclui quatro fases de implementação, partindo de Rafah, passando por Khan Younis até à Cidade de Gaza. Além de Kushner, a apresentação contou com a presença de Sir Tony Blair, cuja nomeação para o conselho gerou debate.

Imagens e vídeos promovidos pelo Ggoverno americano mostram ainda a participação de figuras como Elon Musk, sugerindo que a transformação da faixa devastada pela guerra poderá incluir elementos de turismo e desenvolvimento tecnológico, refletindo uma visão futurista e urbanisticamente ambiciosa.

Trump afirmou que o conselho de paz representa “um dos órgãos mais importantes já criados” e que o objetivo é garantir prosperidade para Gaza e estabilidade regional. A Rússia afirmou estar a avaliar a proposta e indicou o envio de 1 mil milhões de dólares americanos para apoiar a iniciativa.

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