Site de apostas proibido em Portugal ‘ignora’ ordem de encerramento: milhões de euros movimentados nas horas finais das presidenciais

Mercado de apostas nas presidenciais portuguesas já ultrapassou os 110 milhões de euros movimentados na plataforma, embora este tipo de atividade seja proibido em Portugal

Executive Digest

Um site de apostas online ilegal em Portugal movimentou mais de quatro milhões de euros em mercados relacionados com as eleições presidenciais portuguesas nas horas que antecederam a divulgação dos resultados oficiais. A situação levou o Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) a ordenar o encerramento da plataforma no prazo de 48 horas, embora o site continue ativo no país, segundo a rádio ‘Renascença’.

O caso envolve a plataforma Polymarket, que não possui licença para operar em território nacional. Um dos mercados mais ativos foi precisamente o das presidenciais portuguesas, onde, apenas nas horas finais antes do fecho das urnas, foram investidos vários milhões de euros, levantando dúvidas sobre eventual utilização de informação privilegiada ou acesso antecipado a dados de sondagens à boca das urnas.



Em resposta à ‘Renascença’, o SRIJ confirmou ter tido conhecimento da atividade do Polymarket “muito recentemente” e classificou-a como ilegal, sublinhando que a legislação portuguesa não permite apostas sobre acontecimentos políticos, sejam de âmbito nacional ou internacional.

A entidade reguladora explicou que notificou a plataforma na passada sexta-feira para cessar a atividade em Portugal no prazo de 48 horas. Apesar disso, o site manteve-se operacional esta segunda-feira, levando o regulador a preparar a notificação dos serviços de rede para proceder ao bloqueio da página.

O mercado de apostas nas presidenciais portuguesas já ultrapassou os 110 milhões de euros movimentados na plataforma, embora este tipo de atividade seja proibido em Portugal. Questionado sobre o eventual reembolso de verbas apostadas por utilizadores portugueses, o SRIJ esclareceu que apenas regula operadores licenciados e que o seu poder se limita a notificar plataformas ilegais para cessarem voluntariamente a atividade, não existindo garantias de recuperação do dinheiro investido após o bloqueio do site.

Subidas abruptas levantam suspeitas

A evolução das probabilidades no Polymarket nas horas que antecederam o fecho das urnas alimentou suspeitas. António José Seguro iniciou o domingo eleitoral com cerca de 60% de probabilidades de vitória, enquanto André Ventura surgia com 30%. Por volta das 18 horas, uma hora antes do encerramento das urnas, a probabilidade atribuída a Seguro disparou para 95%, atingindo os 100% após a divulgação das projeções.

Um comportamento semelhante foi registado no mercado sobre quem seria o próximo Presidente da República. Entre as 18h30 e as 19h30, António José Seguro passou de 68,6% para 93,2% de probabilidades, enquanto Cotrim de Figueiredo desceu de 22% para 2,5%. Às 20 horas, quando começaram a ser conhecidos os primeiros resultados oficiais, a probabilidade de vitória de Seguro já se situava nos 95%.

De acordo com uma análise da ‘Renascença’ aos dados disponíveis na plataforma, nas duas horas em que estas subidas ocorreram, e antes da divulgação pública das primeiras sondagens, foram movimentados mais de cinco milhões de euros nos vários mercados associados às presidenciais.

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