O teste de liderança que ninguém quer: comunicar más notícias eficazmente

Mais cedo ou mais tarde, um líder tem de enfrentar o momento que mais receia: comunicar más notícias às suas pessoas. É um teste que ninguém pede, mas que chega a todos os que ocupam posições de liderança.

Executive Digest

Por: Nancy Duarte, CEO da Duarte Inc., É autora de seis livros, entre os quais DataStory: Explain Data and Inspire Action Through Story (Ideapress Publishing, 2019).

Quando comunicadas de forma inadequada, as más notícias corroem a confiança e a moral. Podem drenar a energia precisamente dos colaboradores mais necessárias para ultrapassar a adversidade. Pelo contrário, quando bem geridas preservam a dignidade, libertam recursos e criam impulso. O desafio não está em saber se esse momento chegará, mas em como se responde a ele.



Nem todas as más notícias são iguais. Algumas situações são solucionáveis, sendo que exigem resiliência e capacidade colectiva. Outras são definitivas. Nenhum esforço alterará o desfecho, pelo que o papel da liderança passa por criar um sentido de encerramento e redireccionar activos para actividades de maior valor.

Ao comunicar más notícias, a sua origem é determinante. Por vezes, o problema é auto-infligido, resultante de decisões internas, falhas de execução ou erros estratégicos da organização. Noutros casos, a causa é externa, como mudanças de mercado, choques na cadeia de abastecimento ou ondas tecnológicas.

Em conjunto, estas duas dimensões dão origem a quatro tipos de momentos de liderança. Vejamos cada um deles.

ESTRUTURE A MENSAGEM QUE DESEJA TRANSMITIR

Parece óbvio, mas importa dizê-lo: antes de comunicar más notícias, os líderes precisam de saber exactamente o que vão dizer.

Quando é possível identificar claramente o tipo de momento em que se encontram, os líderes conseguem comunicar com clareza — ajudando os colaboradores a serem resilientes quando o problema é solucionável ou a aceitá-lo quando é definitivo. Na minha experiência no sector da Comunicação, tenho visto líderes a avançarem precipitadamente com e-mails ou reuniões gerais sem terem clareza sobre a mensagem que pretendem transmitir. Uma boa comunicação exige um confronto honesto com o que aconteceu e com o que se segue.

Desenvolvi um enquadramento simples que recomendo aos meus clientes para os ajudar a situarem-se. Cada quadrante deste modelo corresponde a uma mensagem distinta associada às más notícias: vamos corrigir, vamos encerrar, vamos recuperar ou vamos avançar. Cada mensagem exige uma abordagem diferente por parte da liderança. Mostram‑se, em seguida, exemplos práticos de cada uma das mensagens.

1.“VAMOS CORRIGIR”

Esta é a mensagem adequada quando foi a própria organização a criar a situação adversa, mas esta pode ser resolvida. Perante um erro auto-infligido, pode ser tentador esconder-se, mas a credibilidade começa por assumir a responsabilidade.

Vivi esta situação directamente. A minha empresa de comunicação contratou a agência errada para reconstruir o nosso website. O custo rondou os 300 mil euros e os resultados foram desastrosos: o tráfego de entrada colapsou e os contactos comerciais reduziram-se drasticamente. O negócio estagnou. Este episódio ficou registado como a pior crise da nossa história.

A liderança teve de assumir este desastre. Comunicámos com frequência, partilhando evidências concretas do que estávamos a fazer para o resolver. Reestruturámos a equipa de marketing, uma decisão dolorosa. Reportámos de forma transparente, em reuniões gerais, o progresso da recuperação e como os colaboradores podiam ajudar. Ao partilharmos regularmente a evolução, os colaboradores puderam acompanhar o nosso percurso até à recuperação gradual das receitas. E sabe o que aconteceu? Demorou quase dois anos, mas conseguimos resolver a situação.

Os colaboradores não esperam perfeição dos seus líderes, mas esperam que estes expliquem, de forma clara, o que correu mal, identifiquem quem vai ser o responsável pela resolução do problema e apresentem os primeiros sinais que marcam a saída da crise.

2.“VAMOS RECUPERAR”

Choques externos, como tarifas variáveis, rupturas na cadeia de abastecimento ou alterações regulatórias súbitas, exigem firmeza. A voz da liderança deve ser calma, específica e solidária. Qualquer colaborador quer saber como é que a empresa irá adaptar as suas operações, que grau de flexibilidade terão e como será medido o sucesso enquanto a instabilidade persistir.

Quando a pandemia de COVID-19 paralisou as viagens, a comunicação transparente e empática do CEO da Airbnb, Brian Chesky, sobre os despedimentos, ajudou a empresa a atravessar a crise. Naquilo que descreveu como “o e-mail mais difícil que alguma vez tive de escrever”, Chesky apresentou uma explicação clara e lógica para a necessidade de reduzir 25% da força de trabalho. Expressou apreço pelos colaboradores que saíam, detalhou os pacotes de compensação e mobilizou a equipa que ficou em redor de uma missão renovada e mais focada. A transparência e a clareza quanto ao caminho a seguir permitiram à empresa lançar com sucesso o programa Online Experiences, recuperar e concretizar uma Oferta Pública Inicial altamente bem-sucedida, planeada há muito tempo, apenas alguns meses depois.

3.“VAMOS ENCERRAR”

Por vezes, a decisão correcta é terminar uma iniciativa. Isso implica honrar o trabalho realizado, identificar as aprendizagens e clarificar para onde seguirão as pessoas, os orçamentos e os activos valiosos. O encerramento evita que projectos “zombie” continuem a consumir atenção e recursos, permitindo que o talento seja redireccionado para trabalho com propósito.

As startups são particularmente vulneráveis a este tipo de momento. Por exemplo, no início de 2024, foi anunciado o encerramento da Artifact, uma aplicação de notícias baseada em Inteligência Artificial criada pelos co-fundadores do Instagram, Kevin Systrom e Mike Krieger, apenas um ano após o seu lançamento. Systrom explicou a decisão num artigo no Medium, afirmando que, apesar de a aplicação ter uma base de utilizadores leal, a oportunidade de mercado não era suficientemente grande para continuar a justificar o investimento. “O maior custo de oportunidade é o tempo investido em trabalhar em coisas mais novas, maiores e melhores, com capacidade para chegar a muitos milhões de pessoas”, escreveu. Elogiou as conquistas da equipa, enquadrando o encerramento como uma necessidade estratégica, o que conferiu um desfecho digno ao projecto. (Na prática, não foi o fim da ideia: alguns meses depois, a Yahoo adquiriu a Artifact, afirmando num comunicado que “a tecnologia criada pela empresa terá ainda maior impacto com a escala da rede Yahoo News”.)

4.“VAMOS AVANÇAR”

Quando o mundo muda e torna inviável o caminho habitual, o papel da liderança é ajudar as pessoas a libertarem‑se do passado e a depositarem esperança no futuro. Nestas circunstâncias, os encerramentos exigem mais do que um simples memorando; beneficiam de símbolos e cerimónias que enquadram as mudanças num contexto mais amplo e tornam a transição mais tangível.

Um exemplo marcante é a encenação protagonizada por Steve Jobs, co-fundador e então CEO da Apple, na Conferência Mundial de Programadores de 2002. Para encerrar a era do sistema operativo «clássico» Mac OS, Jobs organizou um funeral simbólico. Tocou música fúnebre, um caixão foi colocado em palco e o CEO da empresa da maçã proferiu um breve elogio fúnebre, declarando o OS 9 «morto». Foi dramático e ligeiramente lúdico, mas a mensagem para os programadores era clara: deixem de desenvolver para o mundo antigo e concentrem a vossa energia no Mac OS X. Honrou o que tinha sido construído, tornou o fim memorável e redireccionou a atenção da comunidade de programadores para o futuro. Ficou claro que era tempo de deixar de resistir à mudança e adoptar o novo sistema operativo.

Independentemente de os líderes terem de corrigir, recuperar, encerrar, avançar ou concluir, e de qual das quatro mensagens escolham transmitir, existem elementos essenciais que devem estar presentes em qualquer comunicação. Os colaboradores e equipas precisam de ouvir empatia, reconhecimento, transparência e algum grau de persuasão.

Quando um cliente perdeu a maior parte dos seus projectos quase da noite para o dia, ajudámo‑lo a preparar um guião para a comunicação interna. Más notícias são recebidas como perda, e os líderes começaram por demonstrar empatia para com as equipas, reconhecendo a dificuldade humana da situação. (A mensagem era algo como: «Tivemos de tomar decisões que nenhum líder deseja tomar, e despedimo‑nos de pessoas cujos contributos foram fundamentais para aquilo que construímos.») Os líderes expressaram o quanto valorizavam o trabalho de todos, destacando a resiliência e o orgulho partilhados. («O que sobressai é o grau de compromisso que demonstraram uns com os outros e com o nosso propósito.») Assumiram erros, dizendo a verdade de forma clara. («Ainda estamos a tentar perceber tudo isto, e haverá mais decisões difíceis pela frente.») Depois, passaram para um registo persuasivo, neste caso mobilizando os colaboradores. («Há um futuro que vale a pena construir, e construiremo‑lo juntos.»)

Transmitir más notícias não consiste em encontrar as palavras perfeitas para suavizar o impacto. Trata se de dizer a verdade para manter a confiança e mobilizar as pessoas para o que vem a seguir. Identifique o momento em que se encontra — corrigir, recuperar, encerrar ou avançar — e comunique com empatia, reconhecimento, transparência e persuasão, seja para mobilizar ou para reflectir, de acordo com o caminho a seguir. Más notícias podem encerrar um capítulo, mas também podem concentrar energia. Os líderes que dominam a arte de dizer o que é difícil, no momento certo e com as palavras certas, libertam as suas organizações para alcançarem o próximo grande objectivo.

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 238 de Janeiro de 2026

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Volvo ES90 – A ascensão da serenidade sueca no paradigma do luxo elétrico A indústria automóvel vive hoje um momento de inovação tecnológica e de disrupção onde a potência bruta é frequentemente utilizada mas não mostra a verdadeira alma/essência de um automóvel Contudo ao sentar-me ao volante o novo Volvo ES90 percebi de imediato que não estamos perante mais um sedan elétrico mas sim uma nova filosofia de automóvel Este é para mim um dos melhores Volvo já fabricados e talvez dos mais bonitos, o que é difícil dizer porque sempre os considerei todos eles muito elegantes. A marca conseguiu manter a verdadeira essência do minimalismo e rigor/luxo discreto, mas elevando-o a uma experiência sensorial sem precedentes, onde o rigor construtivo e o conforto – absurdo é mesma palavra – dita as regras. O Volvo ES90 pertence ao segmento E- Premium e trata-se de modelo “hibrido” pois está posicionado acima das segmentações tradicionais, e trata‑se de um fastback mas com alma de SUV. Desafia também as convenções volumétricas pois tem 4,99 m de comprimento, mas um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25, Trata-se de um modelo desenhado sobre a batuta da equipa de design da Volvo em Gotemburgo mas respira ADN escandinavo Os faróis martelo de Thor evoluíram para uma assinatura digital pixelizada enquanto a traseira apresenta uma porta de abertura ampla sublinhando a versatilidade. Foi exaustivamente testado na Suécia enfrentando condições de frio extremo para garantir que a dinâmica de condução e a gestão térmica da bateria são infalíveis. Testei a unidade com tração integral Twin Motor que revelou um comportamento de exceção. A plataforma SPA2, a mesma do EX90, confere uma rigidez estrutural que há muito não se via no segmento. Nas estradas portuguesas, entre o empedrado cidadino, estradas de terra batida, AE para Évora e as nacionais, vejo que o ES90 isola os ocupantes de forma magistral (até o teto de abrir escurece). A suspensão pneumática com tecnologia ativa adapta-se em milissegundos eliminando qualquer vibração O espaço interior é o habitual, ou seja, muito amplo, minimalista mas de um conforto e desenho discretos. A experiência é de um silêncio absoluto sendo que a Volvo afirma ser o habitáculo mais silencioso de sempre da marca, graças ao uso extensivo de materiais de isolamento acústico e vidros laminados duplos de série. A ergonomia dos bancos segue o habitual da marca com a certificação ortopédica e redefina o que esperamos de uma viagem de longo curso. Mas o ES90 não é simplesmente um automóvel, mas também um computador sobre rodas equipado com um sistema de computação central e com vários processadores Nvidia onde a capacidade de processamento inteligência artificial é oito vezes superior aos modelos anteriores. Através dos sensores lidar e dos radares da última geração, cria-se um escudo de 360° detectando objetos a 250 m mesmo em escuridão total. O sistema de infotainment com inteligência artificial da Google permite um controlo por voz natural e uma personalização preditiva de rotas baseada nos hábitos do condutor. O ecrã central é hoje muito mais intuitivo e apresenta vários modos de condução e os habituais comandos de voz natural e da afinação dos espelhos etc. As baterias também estão associadas a algoritmos de inteligência artificial para otimizar a saúde da mesma, permitindo carregamentos mais rápidos mas sem degradar as células. Este modelo é fabricado na unidade de última geração da Volvo que tal como a marca preconiza utiliza energia 100% energia renovável As baterias desenvolvidas com as melhores marcas, da CATL à Northvolt possuem uma capacidade líquida até 106 kW na versão ultra. A grande inovação reside aqui no sistema elétrico de 800 wattts, que é uma estreia na marca e que permite recuperar 300 km em apenas 10 minutos As células têm também uma vantagem pois utilizam uma química de baixo teor de cobalto (caro, volátil em preço, associado a riscos na cadeia de abastecimento e frequentemente ligado a preocupações éticas na sua extração) Muito importante é o passaporte da bateria recorre a blockchain para garantir a reestabilidade total dos materiais. Já falamos do luxo do minimalismo, da qualidade de construção e dos materiais, de um bem-estar a bordo que convida alongas viagens num conforto sem precedentes e um comportamento demasiado preciso. E é isso mesmo que este Volvo transmite para o cliente que valoriza o estatuto mas sem ostentação; o executivo ou aquela família que procura segurança máxima e sustentabilidade real. Concorre com os BMW e a Mercedes e o Audi, contudo pela sua versatibilidade e altura posiciona-se numa zona cinzenta de conforto superior que o torna único. Temos finalmente ao rival à altura das marcas premium mais conceituadas. O Volvo está disponível em três versões com preço a partir dos 72.945 para particulares ou 55.000 mais IVA para as empresas. Possui uma autonomia até 700 km na versão single Motor extended range e a potência pode ir até aos 680 cavalos Twin Motor Performance. “O ES90 representa a nossa abordagem holística à sustentabilidade e à segurança, sendo o sedan mais avançado que alguma vez concebemos.” — Vanessa Butani, Head of Global Sustainability da Volvo Cars. “Com o ES90, elevamos o padrão do que uma berlina de luxo deve ser na era elétrica: equilibrada, inteligente e profundamente humana.” — Jim Rowan, CEO da Volvo Cars.

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