Número de mães estrangeiras quintuplicou em Portugal numa década

O perfil da maternidade em Portugal mudou de forma profunda nos últimos dez anos, com um crescimento expressivo do número de mulheres estrangeiras que dão à luz no país, em contraste com a quebra acentuada dos partos de mães portuguesas.

Revista de Imprensa
Janeiro 20, 2026
9:41

O perfil da maternidade em Portugal mudou de forma profunda nos últimos dez anos, com um crescimento expressivo do número de mulheres estrangeiras que dão à luz no país, em contraste com a quebra acentuada dos partos de mães portuguesas. Os dados oficiais confirmam uma inversão estrutural da tendência demográfica, associada ao aumento da imigração e ao adiamento da parentalidade entre os casais nacionais.

Segundo números do Ministério da Justiça divulgados pelo Jornal de Notícias, em 2025 deram à luz 25 083 mulheres estrangeiras residentes em Portugal, um valor cinco vezes superior ao registado em 2015, quando se contabilizavam 4591 partos de mães de outras nacionalidades. No mesmo período, os nascimentos de mães portuguesas recuaram de 81 524 para 64 079, evidenciando uma quebra significativa ao longo da última década.

Para o geógrafo Paulo Nuno Nossa, especialista em Geografia Humana e Ordenamento do Território, esta evolução reflete diretamente o fluxo migratório recente. “É o reflexo do movimento migratório que Portugal viveu nos últimos anos, traduzido em futuras mães que chegaram ao país em idade fértil provenientes de países onde a média de filhos é mais elevada e que aqui encontram melhores condições médicas durante e no pós-gravidez”, explica. Em paralelo, sublinha que os casais portugueses “adiam para cada vez mais tarde a decisão de serem pais devido à instabilidade laboral, aos baixos salários ou aos elevados custos da habitação”.

O ano de 2022 marcou o ponto de viragem, depois de uma evolução gradual interrompida em 2020 e 2021 pela pandemia de covid-19, período em que os nascimentos caíram de forma transversal. Desde então, a diminuição das mães portuguesas tornou-se mais acentuada, enquanto os partos de mulheres emigrantes praticamente duplicaram. Para a socióloga Rita Ribeiro, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, “ser português é apenas e só uma casualidade de fronteira. Somos um mosaico de peças, definido por populações que se movimentam”.

Entre os milhares de casos está o de Inna Kuzko, ucraniana de 42 anos, residente em Portugal desde 2020, que teve a filha Margarita em 2025 no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. Apesar de complicações no pós-parto, recorda com gratidão o acompanhamento recebido: “O SNS foi fantástico e acompanhou-me sempre. Os médicos ligavam-me com frequência para saber como eu e a bebé estávamos”. Casada com um português e mãe de um filho nascido na Polónia, Inna afirma não ter dúvidas sobre o país onde quer viver: “Só tenho elogios a fazer ao sistema de cá”.

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