Inovação e tecnologia para um Mundo Sem Fumo

A inovação está no centro da estratégia da BAT, combinando ciência, tecnologia e responsabilidade para desenvolver produtos sem combustão que apoiam a transição dos fumadores adultos, conciliando saúde pública, sustentabilidade e crescimento económico.

Executive Digest
Janeiro 20, 2026
15:00

Frederico Monteiro, director Regional para a América e Europa da British American Tobacco (BAT), partilha a visão estratégica da empresa numa altura em que o grupo está a acelerar a sua transformação para um futuro predominantemente sem fumo. Nesta entrevista, explica como a BAT está a investir em inovação, ciência e regulação responsável para o desenvolvimento de novas alternativas, sublinhando a importância do papel do modelo Omni™ na promoção da transparência científica e reflectindo sobre a forma como mercados como a Suécia e Portugal estão a ajudar a demonstrar o impacto real das Novas Categorias na saúde pública e no crescimento sustentável.

Nos últimos anos, a BAT tem vindo a reforçar o investimento em Novas Categorias. Que peso estratégico têm hoje dentro da empresa e de que forma transformaram o modelo de negócio da BAT?



Nos últimos anos, as Novas Categorias tornaram-se centrais na estratégia e no modelo de negócio da BAT. O que começou como uma área emergente, evoluiu para um dos principais motores de crescimento sustentável da empresa, apoiando a ambição de se tornar uma empresa predominantemente sem fumo até 2035.

Os produtos sem combustão, como os produtos de vaping, de tabaco aquecido e as bolsas de nicotina já representam cerca de 18% da receita do grupo. Estes produtos estão também a tornar-se cada vez mais rentáveis, contribuindo para 7,1% da margem do grupo, o que demonstra que esta transição é economicamente sólida. Mais de 29 milhões de consumidores adultos já fizeram a transição para Novas Categorias, o que mostra um progresso sólido rumo ao objectivo de alcançar 50 milhões até 2030.

Esta mudança não é apenas tecnológica; redefine a própria identidade da BAT. A empresa está agora centrada em disponibilizar alternativas aos consumidores, sustentadas pela ciência, reflectindo o seu propósito de criar Um Amanhã Melhor. Apesar de ter mais de um século de história, a BAT está hoje totalmente orientada para o futuro, ao transformar o seu portefólio e ao realinhar prioridades, acelerando, desta forma, a inovação.

O impacto desta transformação já é visível no seu próprio desempenho: em 2025, a BAT superou as suas próprias previsões, alcançando um crescimento tanto na receita como no lucro operacional ajustado, com expectativas de novas revisões em 2026, impulsionadas por novos lançamentos de produtos.

Estas Novas Categorias, como o vaping e os produtos de tabaco aquecido, têm crescido rapidamente no portefólio da BAT. O que explica este dinamismo e como planeiam acelerar esta transição nos próximos anos?

O investimento em Novas Categorias resulta da convergência de vários factores: a crescente procura dos consumidores adultos por produtos alternativos de nicotina, a inovação científica e tecnológica contínua e a evolução dos enquadramentos regulamentares, que reconhecem cada vez mais o impacto na saúde pública. Os fumadores adultos estão mais informados e motivados para alterar padrões de comportamento, desde que existam produtos alternativos credíveis disponíveis – como os produtos de tabaco aquecido, o vaping ou as bolsas de nicotina.

É necessário oferecer alternativas realistas e fundamentadas cientificamente, permitindo que os consumidores adultos façam esta transição para opções suportadas pela ciência. Investimos fortemente em I&D para melhorar o desempenho e a segurança de modo a que nos permita desenvolver produtos alinhados com as necessidades e expectativas em constante evolução dos consumidores adultos, adaptando a nossa abordagem regionalmente para satisfazer as preferências locais e as condições regulamentares.

O nosso objectivo é alcançar 50 milhões de utilizadores adultos de produtos sem combustão até 2030, um marco fundamental no caminho para um Mundo Sem Fumo.

O conceito de Inovação é central na estratégia global da BAT. Como explicaria o que significa e porque é tão importante?

A inovação está no centro da nossa missão. O nosso compromisso passa por disponibilizar novas alternativas, sustentadas por evidência científica, aos consumidores adultos que, de outra forma, continuariam a fumar. A nossa abordagem multicategoria garante que cada produto é desenvolvido com base em ciência rigorosa, assegurando que os consumidores adultos possam fazer escolhas informadas e seguras – sendo que o nosso conselho passa por reforçar que o ideal é deixar de fumar e não começar. Estes produtos reforçam a sustentabilidade e a rentabilidade do negócio, demonstrando que é possível conciliar saúde pública, inovação e crescimento económico.

Em 2025, reforçámos também a implementação do modelo Omni™, a nossa plataforma global organizada como uma fonte abrangente de conhecimento científico, regulamentar e de mercado sobre produtos sem combustão. Não se trata apenas de um repositório de dados; é uma ferramenta estratégica que permite à BAT alinhar todas as suas categorias de produtos, garantindo que cada lançamento é sustentado por evidência científica e boas práticas regulamentares.

Mais do que uma mudança de portefólio, esta transformação reflecte a evolução da própria BAT enquanto organização: uma empresa que combina ciência, tecnologia e responsabilidade social para responder às expectativas da sociedade, criar valor a longo prazo e contribuir para um futuro mais sustentável.

Este percurso tem sido sustentado por investimentos robustos em investigação e desenvolvimento, que impulsionam a inovação contínua e permitem expandir o nosso portefólio de Novas Categorias. Esta estratégia já permitiu que mais de 29 milhões de adultos fizessem a transição para os nossos produtos sem combustão, e a nossa ambição é alcançar 50 milhões até 2030. A longo prazo, visamos ser uma empresa predominantemente sem fumo até 2035.

Para apoiar esta transição, investimos cada vez mais em investigação e na análise de experiências internacionais bem-sucedidas, de modo a que os fumadores adultos possam alterar padrões de comportamento. A Suécia é um excelente exemplo, onde os fumadores fizeram, com sucesso, a transição para produtos alternativos de nicotina, tornando-se num dos primeiros países sem fumo do mundo. Actualmente, a taxa de fumadores na Suécia é de cerca de 5%. Este sucesso deve-se à disponibilidade de produtos alternativos de nicotina no mercado, à consciencialização entre consumidores adultos e a um enquadramento regulamentar adequado.

Países como o Reino Unido reforçam esta evidência e mostram que é possível alinhar inovação, necessidades dos consumidores e saúde pública de forma eficaz.

Toda a nossa investigação e estes resultados validam a importância da nossa estratégia, ao disponibilizar produtos sem combustão desenvolvidos e sustentados pela ciência, acreditamos que os fumadores adultos podem fazer a transição completa.

Que evidência científica existe hoje para apoiar a existência de produtos alternativos?

Estudos independentes e internos demonstram que os produtos de vaping e de tabaco aquecido expõem os utilizadores a níveis significativamente mais baixos de substâncias tóxicas nocivas quando comparados com os cigarros tradicionais.

A BAT realizou mais de 250 estudos científicos – incluindo ensaios clínicos, avaliações toxicológicas e investigação sobre consumidores adultos – que são publicados de forma transparente através da nossa plataforma Omni™. Esta ferramenta não só consolida e partilha toda a investigação científica de forma aberta e transparente, como também oferece informação detalhada a cientistas, reguladores, autoridades de saúde e investidores sobre ensaios clínicos, testes de segurança, impacto na saúde pública e desempenho de mercado. Embora nenhum produto seja isento de risco, acreditamos na transição completa para alternativas sem combustão.

A transformação da BAT vai muito além do portefólio de produtos – é também cultural e organizacional. Estamos a construir uma empresa mais ágil, digital e sustentável, capaz de responder aos desafios de um contexto social e económico em constante mudança. Queremos ser uma referência na transição responsável para produtos alternativos de nicotina, contribuindo para moldar políticas públicas com base em ciência e nas necessidades dos consumidores adultos. O nosso papel é liderar esta mudança de forma responsável, sustentável e científica, garantindo que a inovação, a investigação e a experiência internacional de sucesso se traduzem em alternativas seguras para os consumidores, promovendo a saúde pública e um futuro mais sustentável para a sociedade.

Do ponto de vista regulamentar, considera que os governos europeus e americanos estão a acompanhar esta transformação ou ainda existe resistência em reconhecer o potencial das Novas Categorias?

O progresso regulamentar continua a ser desigual entre regiões. Países como a Suécia demonstraram como políticas pragmáticas, baseadas na ciência, podem gerar resultados excepcionais na alteração de padrões de comportamento dos consumidores adultos.

Outros exemplos de sucesso são o Reino Unido e vários estados dos Estados Unidos que vieram reforçar esta evidência. No entanto, outros mercados mantêm-se cautelosos, muitas vezes, devido a estruturas regulamentares herdadas do passado ou à falta de conhecimento entre produtos com e sem combustão.

Do meu ponto de vista, é de extrema importância supervisionar estes mercados diversos e assegurar uma regulamentação fundamentada em evidência científica. Essa regulamentação deve reflectir o consenso científico, possibilitar a escolha informada dos consumidores adultos e estimular a inovação de forma responsável.

Que desafios enfrenta a BAT na comunicação destes produtos, especialmente em mercados onde o tabaco tradicional ainda domina?

O principal obstáculo reside na educação dos consumidores adultos e na superação de percepções erradas. Apesar da vasta evidência científica que suporta estas novas alternativas, muitos consumidores adultos continuam a desconhecer a sua existência ou a não compreender a diferença face ao tabaco tradicional.

Adicionalmente, as restrições regulamentares impostas à comunicação neste tipo de produtos limitam o acesso à informação sobre as suas características.

Neste contexto, a nossa prioridade é actuar sempre dentro dos enquadramentos legais, adoptando uma comunicação responsável e transparente. O nosso objectivo é fornecer aos consumidores adultos informação rigorosa e cientificamente sustentada.

A criação de consciencialização e confiança é essencial, pois a inovação, por si só, não basta para acelerar a transição para um Futuro Sem Fumo. É igualmente crucial ir além de apenas desencorajar o consumo, oferecendo soluções realistas e cientificamente fundamentadas que permitam fazer a transição para opções sustentadas pela ciência.

A inovação tecnológica tem sido crucial no desenvolvimento de produtos alternativos. Que avanços destacaria nos últimos anos?

Estamos a tirar partido da digitalização e da inteligência artificial para optimizar a qualidade e a segurança dos nossos produtos. Desenvolvemos ainda um sistema de reconhecimento facial para impedir a compra de produtos de nicotina por menores em pontos de venda. Esta tecnologia já foi implementada em alguns países e o nosso plano é alargá-la progressivamente.

O nosso centro de I&D de última geração no Reino Unido, com mais de 400 especialistas, demonstra o compromisso da BAT em liderar a inovação. Estas tecnologias não só melhoram a qualidade dos produtos, como também apoiam o cumprimento regulamentar e a segurança dos consumidores, reforçando a nossa liderança na Redução de Danos.

A sustentabilidade é hoje uma expectativa transversal a todos os sectores. De que forma as Novas Categorias contribuem para os objectivos ESG da BAT?

As Novas Categorias estão intrinsecamente ligadas à nossa agenda ESG. Ao reduzir a dependência dos cigarros tradicionais, contribuem para diminuir o impacto ambiental, desde a produção até aos resíduos.

Além disso, a inovação e a ciência estão no centro desta transformação. Investimos cerca de 300 milhões de libras anualmente em investigação e desenvolvimento, e os nossos laboratórios operam de acordo com rigorosos padrões GLP e GCP, com sistemas de garantia de qualidade que sustentam a segurança e a eficácia dos produtos. Contamos com equipas multidisciplinares de cientistas, engenheiros e especialistas em dados a desenvolver soluções cada vez mais seguras e eficazes, todas suportadas por evidência científica. Temos um dos centros de inovação mais avançados da indústria em Southampton e inaugurámos recentemente um novo centro de I&D em Inglaterra, que reúne mais de 400 especialistas em biotecnologia, engenharia, desenvolvimento de sistemas e ensaios clínicos.

A sustentabilidade é uma prioridade global para nós, com iniciativas concretas para minimizar o impacto ambiental. Comprometemo-nos a reduzir em 50% as emissões de gases com efeito de estufa no Scope 1 e 2 até 2030, a utilizar 50% de energia renovável nas nossas operações e a garantir que todas as embalagens de plástico são reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025. Trabalhamos também com os nossos fornecedores para promover práticas agrícolas sustentáveis, proteger a biodiversidade e assegurar cadeias de fornecimento éticas e transparentes.

No seu conjunto, as Novas Categorias são essenciais para concretizar os compromissos

ESG da BAT, ao oferecer alternativas de menor risco que apoiam a saúde pública, contribuindo simultaneamente para a sustentabilidade ambiental e a resiliência do negócio a longo prazo.

Operando em mais de 180 países, a BAT tem uma presença verdadeiramente global. Como é que esta escala internacional influencia a estratégia de inovação e a adaptação das Novas Categorias aos diferentes mercados?

A escala global da BAT é um dos nossos maiores activos estratégicos e tem um impacto directo no desenvolvimento das Novas Categorias. Operar em mais de 180 países permite-nos criar, testar e aperfeiçoar estas soluções em mercados com perfis de consumidores, contextos culturais e enquadramentos regulamentares muito distintos, garantindo que as Novas Categorias são adaptadas às realidades locais antes de serem implementadas de forma mais alargada.

Esta abordagem é reforçada pela diversidade interna da organização, que impulsiona uma inovação mais informada e responsável. As mulheres ocupam 60% dos cargos de liderança na Europa Ocidental e cerca de 40% a nível global, contribuindo para uma maior compreensão dos mercados e para a evolução contínua das Novas Categorias. Assentes na evidência científica e na compreensão das expectativas dos consumidores, estas categorias evoluem de forma consistente, apoiando o nosso objectivo de construir um Futuro Sem Fumo.

Que papel desempenham Portugal – e a Europa enquanto região – no ecossistema de inovação e desenvolvimento da BAT para as Novas Categorias?

A Europa desempenha um papel central no ecossistema de inovação da BAT para as Novas Categorias, sendo uma região onde a ciência, a inovação e enquadramentos regulamentares pragmáticos podem trabalhar em conjunto. Mercados como a Suécia tornaram-se uma referência internacional, demonstrando como esta combinação pode acelerar esta transição.

Neste enquadramento, Portugal afirma-se como um hub estratégico para a inovação e para a liderança da transformação da BAT. O dinamismo do mercado português torna o país num parceiro relevante nesta transformação, já que as Novas Categorias representam cerca de 50% da receita da BAT em Portugal. Este papel reforça o nosso contributo e o do país para construir um Futuro Sem Fumo.

Olhando para o futuro, qual é a sua visão para a BAT nos próximos 10 anos em termos de redução de danos e transição para um portefólio sem fumo?

A minha visão para a próxima década é ver a BAT firmemente estabelecida como uma empresa predominantemente sem fumo, com um portefólio moldado pela ciência, pela inovação responsável e pela transformação do consumidor. Já estamos a avançar a bom ritmo: em 2024, a receita das Novas Categorias atingiu 1.651 milhões de libras. Actualmente, os produtos sem combustão representam 18% da nossa receita e, até 2035, esperamos que metade da receita provenha destes produtos. Até 2030, o nosso objectivo é apoiar 50 milhões de consumidores adultos na transição para produtos alternativos. Esta mudança é não só estrategicamente essencial, como também economicamente sólida.

A nossa transformação a longo prazo é impulsionada por uma equipa global de mais de 1.600 cientistas, que trabalham nas áreas de engenharia, biotecnologia, desenvolvimento de produtos e investigação digital, garantindo que a inovação se mantém rigorosa, baseada em evidência científica e focada na redução de danos. A Europa, e países como Portugal, em particular, continuarão a desempenhar um papel importante, graças a um enquadramento regulamentar robusto e a uma crescente abertura dos consumidores a alternativas de menor risco.

Olhando para a frente, ambicionamos que o nosso portefólio evolua de forma decisiva para produtos sem combustão, apoiado por investimento científico contínuo e guiado pela transparência e responsabilidade. Em paralelo, estamos a explorar oportunidades para além da nicotina, assegurando que o nosso crescimento futuro se mantém diversificado, sustentável e alinhado com a nossa ambição mais ampla de concretizar um Mundo Sem Fumo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.