A Rússia alertou que continuará a “resolver a questão militarmente” até que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky aceite os chamados “termos realistas” para negociações, numa declaração feita pelo Representante Permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, durante uma reunião do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia esta segunda-feira.
O alerta surge após o lançamento, pela Rússia, de um míssil Oreshnik contra a região de Lviv, em território ucraniano, intensificando a tensão internacional e provocando críticas de Kiev, Washington e aliados europeus.
Durante a sessão da ONU, Nebenzya afirmou que os ataques russos não têm como alvo civis, acusando Kiev de alvejar populações e os países ocidentais de ignorarem essas ações. “Enquanto o líder em Kiev não cair em si e concordar com termos de negociação realistas, continuaremos a resolver a questão militarmente”, afirmou. O diplomata acrescentou que cada ataque ucraniano seria recebido com uma “resposta dura” e que as condições na capital ucraniana “piorariam a cada dia”.
O representante russo criticou ainda o envio de forças de paz ocidentais e o avanço da NATO em direção às fronteiras da Ucrânia, argumentando que essas medidas não alterariam a situação militar.
Ucrânia e Ocidente reagem a ameaça e ataques
O representante ucraniano na ONU, Andriy Melnyk, rebateu a posição de Moscovo, considerando que os ataques em larga escala contra cidades ucranianas demonstram “a falta de interesse do Kremlin em pôr fim à guerra” e caracterizando-os como “um sinal político deliberado, dirigido particularmente aos EUA”.
Os EUA condenaram o lançamento do míssil balístico com capacidade nuclear Oreshnik no oeste da Ucrânia, classificando-o como uma escalada perigosa do conflito. Um vice-embaixador americano afirmou que os ataques ao sistema energético e à infraestrutura civil deixaram centenas de milhares de pessoas sem aquecimento ou eletricidade em temperaturas abaixo de zero.
O Reino Unido também criticou o lançamento, qualificando-o de “imprudente” e alertando para os riscos de escalada e erros de cálculo com consequências regionais e globais.
Impacto dos ataques russos na Ucrânia
Além do Oreshnik, a Rússia lançou cerca de 270 mísseis e drones na mesma noite, principalmente contra Kiev, provocando pelo menos quatro mortes, danos à embaixada do Qatar e cortes de energia em quase 6.000 edifícios residenciais.
O Kremlin afirmou que o Oreshnik atingiu uma instalação aeronáutica em Lviv, alegando que a ação seria uma retaliação a uma tentativa ucraniana de atacar uma residência de Vladimir Putin, o que foi rejeitado por Kiev e pelos EUA como falso.
Analistas militares apontam que, apesar da promoção da Rússia do míssil como impossível de intercetar, o sistema carece de manobrabilidade típica de armas hipersónicas, tornando-o menos avançado do que alegado.
Negociações em risco
Nebenzya também criticou o que descreveu como “condições irrealistas” de Zelensky para negociações e rejeitou sugestões da Comissão Europeia de diálogo com Moscovo, alegando que o Ocidente contava erroneamente com uma derrota estratégica da Rússia.
Enquanto isso, Zelensky pediu uma resposta internacional firme, sublinhando que sinais claros, sobretudo dos EUA, são essenciais para impedir uma escalada ainda maior por parte da Rússia.














