O OMODA 9 SHS que hoje vos apresento, afirma-se como um SUV de luxo que utiliza o inovador Super Hybrid System para competir com marcas premium estabelecidas. Este modelo destaca-se pela sua autonomia elétrica de 145 km e uma bateria de carregamento rápido, características invulgares que permitem uma condução urbana maioritariamente sustentável.
A minha missão é perceber se esta promessa tem fundamento. O ensaio vai ser, como sempre, muito focado na experiência de condução em Portugal.
Trata-se de um disruptor que força as marcas tradicionais a repensar a sua estratégia ou é apenas uma proposta com um bom marketing?
Vamos desmontar isto peça por peça.
Trata-se de um SUV do segmento D, o que o coloca a par de carros como um Volvo XC60 mas com um preço que supostamente ataca o segmento C, o dos SUV mais pequenos.
É uma estratégia de mercado clássica, mas executada de forma extremamente agressiva. Aqui, a proposta de valor é muito direta. Oferecer mais carro pelo mesmo dinheiro.
O objetivo é quebrar a lealdade às marcas tradicionais através de uma lógica de produto e preço irrrefutável.
A autonomia elétrica vai até 145 km, o que surpreende. Saí de Lisboa com 428km de autonomia a gasolina e 145km elétricos. Cheguei com 178km de autonomia a gasolina e 32 elétricos em ciclo WLTP num trajeto de 268 km.
O resultado?
Uma enorme eficiência para um “monstro” de 537 cv: média de 6,5 L/100 km, mantendo ainda reserva elétrica. É a prova de que a engenharia do Super Hybrid System consegue equilibrar performance de luxo com economia real no contexto das estradas portuguesas. Para um SUV de luxo com 537 cv e o peso das baterias, estes números são excelentes.
Num SUV puramente a combustão desta potência, a média seria facilmente superior a 12 L/100 km, donde se a matemática não me falha, utilizei o motor elétrico para “ajudar” em mais de 40% da viagem, o que valida o argumento do Super Hybrid System ser uma alternativa real de custo-benefício.
De que forma?
Transforma-o para a esmagadura maioria das pessoas num carro elétrico para o dia a dia. A rotina semanal, ir para o trabalho, levar os miúdos à escola, ir às compras, pode ser feita inteiramente a zero emissões, sem nunca ligar o motor a gasolina.
Ou seja, o motor a combustão passa a ser na prática um extensor de autonomia para as viagens de fim de semana ou férias, eliminando a ansiedade de autonomia dos elétricos puros.
O Omoda 9 tem 537 cavalos de potência combinada e uma aceleração dos 0 aos 100 em 4,9 segundos. São números de um desportivo. Mas é um automovel familiar, confortável, com uma capacidade de aceleração que rivaliza com desportivos dedicados. O interessante é ver como o sistema gere isso pois tambem suporta carregamento rápido DC até 70 kW, um verdadeiro game changer. e com uma garantia de 7 anos ou 150.000 km para o OMODA e 8 anos para a bateria; uma declaração de confiança para acalmar os receios de fiabilidade de uma nova marca.
Os quatro motores
Mas existiu algo que me intrigou pois se lerem as fontes da marca, fala-se em dois motores elétricos, 3 e até 4.
Vamos aos factos – O OMODA 9 não é um híbrido comum; a sua arquitetura ‘Tri-Motor’ (dois de tração e um gerador dedicado) gerida pela caixa 3DHT – de três velocidades – permite 11 combinações de energia diferentes o que explica como consegui fazer 6,5 L/100 km num SUV com mais de 500 cv — onde é o automóvel que decide em tempo real qual a combinação de motores mais eficiente e o quarto motor é a combustão.
Design
A Omoda 9 sabe que a primeira impressão é visual. O artigo foca-se muito nesta ideia de quiety.
O lançamento do OMODA 9 em solo nacional, pelas mãos do experiente Grupo JAP, demonstra que o Grupo Chery não está apenas a trazer automóveis para Portugal, mas a redefinir o segmento de luxo sustentável com o Super Hybrid System.
A Chery é um dos maiores fabricantes de automóveis da China e o maior exportador de automóveis de passageiros da China durante mais de 20 anos consecutivos. A OMODA foi criada em 2022 especificamente para o mercado global (Europa, América Latina, etc.) com um posicionamento premium e futurista.
Em Portugal ouvimos falar da dupla: OMODA & JAECOO (O&J), onde a OMODA surge focada no design futurista, tecnologia e público jovem/urbano (estilo “Moda”) e a JAECOO que se foca em SUVs mais robustos, com um estilo clássico “off-road” e luxo tradicional.
Como em Portugal, a operação não é feita diretamente pela fábrica chinesa, então foi entregue a um parceiro estratégico muito forte: o Grupo JAP , um dos maiores e mais antigos grupos automóveis em Portugal (com mais de 100 anos de história).
O quiet luxury é uma tendência de design muito interessante que se opõe ao luxo ostensivo. Em vez de cromados e símbolos gigantes, valoriza-se a qualidade dos materiais, a subtileza, a tecnologia integrada e a experiência do utilizador. O foco é a serenidade e o conforto.
A grelha frontal sem moldura possui ….134 LEDs e os puxadores das portas são retráteis. São detalhes que contribuem para uma superfície mais limpa e fluida.
Interiores
O interior parece ser o ponto central dessa filosofia. O que domina o tablier é o enorme écran curvo de 24,6 polegadas (dois de 12,3″), com conforto acústico derivado dos vidros duplos laminados e até pneus especiais com isolamento.
A prova do algodão: A condução
Os kms muito variados, desde a A2 ao trânsito do IC19 e até às ruas de calçada de Lisboa deram-me uma conclusão interessante, o comportamento do Omoda 9 é o de um GT de conforto, mais focado em viajar de forma relaxada do que em atacar curvas, com a responsabilidade a cair na suspensão eletromagnética adaptativa, uma tecnologia que normalmente encontramos em segmentos bem mais caros, pois permite que leia a estrada em tempo real e ajuste os amortecedores para isolar os passageiros.
E o cérebro do sistema é a transmissão DHT de três velocidades. Confesso que quando investiguei, três velocidades soou-me a antiquado. A chave está na sigla DHT, Dedicated Hybrid Transmission – não é uma caixa de velocidades tradicional mas um sistema complexo cujo único objetivo é orquestrar a entrega de potência de todas as fontes, motor, gasolina e os 3 motores elétricos da forma mais suave e eficiente possível.
Ou seja as três velocidades não são como as de uma caixa normal mas são rácios otimizados para diferentes cenários híbridos e que é impercetível para quem o conduz.
O pedal de travão requer alguma habituação mas é algo muito mais complexo e levanta uma questão importante em qualquer veículo eletrificado pois não é um defeito, mas uma característica da tecnologia. O Omoda 9 tem de fazer a transição entre dois tipos de travagem: a regenerativa, que recupera energia e a hidráulica tradicional. Conseguir que essa mistura seja linear e intuitiva é um dos desafios da engenharia. É comum exigir adaptação.
Voltando ao interior, a lista de equipamento de série é impressionante. Bancos em pele nappa com massagem, aquecimento e ventilação à frente e atrás reclinam e têm ventilação – uma estratégia de sobreequipamento , com sistema de som da Sony de 14 colunas. que inclui altifalantes no encosto de cabeça do condutor para dar instruções de navegação privadas.
Quanto à tecnologia de condução, headup display de 50″ com realidade aumentada – dos melhores que já usei – e uma câmara de 540º com visão de chassis transparente (uma daquelas funcionalidades que parece ficção científica, mas é extremamente útil, pois o sistema usa as várias câmaras para projetar no ecrã uma imagem do que está diretamente por baixo do carro, como se o capot e o motor fossem transparentes. Ajuda imenso em manobras)
E em termos de segurança, o automóvel tem as cinco estrelas Euro NCAP, já nos testes mais exigentes de 2025 e uma gestão de energia preditiva que usa ,,, AI, ou seja, o OMODA 9 não reage apenas ao que o condutor faz, mas antecipa o que vai acontecer pois usa os dados do GPS e o histórico de condução para decidir a melhor estratégia energética; “tão simples” como isto: ele sabe que vai entrar numa zona urbana daqui a 5 km e usa mais o motor a gasolina na autoestrada para poupar a bateria, garantindo que chega à cidade com carga máxima. É a inteligência do sistema a trabalhar em segundo plano.
Veredito do ensaio
- Pontos positivos:
- Autonomia de 145 km
- Boa relação de preço e equipamento
- Carregamento rápido DC é um game changer para um PEV
- Conforto
- Autonomia
- Consumo
- Tecnologia
- Ergonomia
- Sobre-equipamento
- Aspetos a evoluir:
- O sistema de infotainment, apesar de rápido, parece ter alguns menus escondidos
- Alguns ruídos parasitas traseiros
- O peso da bateria sente-se condução mais desportiva
- Avisos sonoros do assistente de faixa intrusivos (transversal a todos os modelos de todas as marcas)
Sobre os assistentes de condução é uma queixa muito comum em quase todas as marcas. As nossas estradas nacionais são um teste de fogo para estes sistemas. Mas é uma questão de calibração que também pode ser afinada ou simplesmente desligada pelo condutor.
Preço final 49.900 €.
Para o mercado doméstico é um bom preço mas para o empresarial torna-se numa proposta puramente lógica e financeira pelos benefícios fiscais. Como tem uma autonomia elétrica muito superior aos 50 km exigidos, as empresas podem deduzir a totalidade do IVA e beneficiam de taxas de tributação autónoma muito reduzidas.
O Omoda 9 não vende apenas um logótipo, vende conteúdo tecnológico e eficiência elétrica. É a escolha lógica para quem procura o luxo de um segmento superior sem o emblema das marcas premium tradicionais.































