Ensaio. BMW i4 M60: a essência desportiva eletrificada

Um modelo que não só, não desilude, como cativa e onde apetece passar muitas horas ao volante

Jorge Farromba
Janeiro 13, 2026
10:32

Quando ensaio um automóvel, quase sempre efetuo um disclaimer por uma questão de ética e profissionalismo quando o tema se impõe como é o caso:

– já tive dois automóveis BMW e atualmente possuo automóveis de uma marca concorrente – a Mercedes – e, portanto, são duas marcas que operam no mesmo segmento com propostas de valor que cada marca interpreta segundo a sua filosofia, o seu ADN.
– Não que uma marca esteja mais evoluída que a outra, mas o foco de cada uma baseia-se na proposta de valor que oferece ao cliente e agora o que pretende atingir com a nova era da eletrificação.

Mas uma marca não se faz somente de modelos mas de história. A BMW, tal como as outras marcas que atuam no segmento premium,  e é expectável que, no mínimo, cada automóvel seja muito melhor que o anterior. E a BMW, mais uma vez, não se esqueceu disso! Em termos estéticos, o BMW I4 – não é um defeito, mas uma constatação – é uma marca com um desenho mais desportivo, mais arrojado para um público que se identifica mais com esta tendência.

Continuo a considerar que são modelos elegantes e que envelhecem bem. Ou seja, mesmo com as formas mais arrojadas são modelos que foram pensados, idealizados e muito estudados para que serem sempre “jovens”. Isso é relevante porque alguns modelos tornam-se muitas vezes intemporais e, por vezes verdadeiros clássicos da indústria automóvel.

E isso é importante nos dias de hoje, onde um dos problemas é a lealdade! Não sejamos ingénuos. Mas neste momento a globalização trouxe desafios enormes e estes não passam somente por ter o melhor automóvel, passam por uma proposta de valor, muitas vezes assente em fatores que nada têm a ver diretamente com o modelo em questão.

E porquê? Felizmente estive num evento na BMW em Munique, nos dias de responsabilidade da marca, um evento mundial.

E a marca mostrou uma nova tendência que está a despontar na indústria automóvel. Quer estar no mercado como uma marca que não só constrói ótimos automóveis mas acima de tudo que se preocupa e contribui para um planeta mais sustentável, com responsabilidade social e também está à procura de soluções que melhorem a vida das pessoas, preocupando-se com algo que há muitos anos tal que não acontecia de forma tão focada, mas que hoje é transversal a todas as industrias de todos os setores: a gestão do talento!

E para isso criou o BMW Group Talent Campus (ou simplesmente Talent Campus Munich) para incorporar dentro da sua estrutura jovens, parcerias com a indústria e com as universidades, com a academia, para trazer ideias, ideias essas que muitas vezes podem não ter aplicação direta, mas há, entre tantas, aplicações indiretas que ajudam.

Seria mais fácil para mim seguir o press release da marca e “vender-vos” o meu artigo, mas não é o meu posicionamento, não só porque trabalho na indústria da aviação, um dos mercados mais rigorosos, um dos setores mais rigorosos e mais exigentes, onde o erro não pode existir, mas também na academia, na faculdade, onde não me posso basear no “cheiro”, no “achismo”, ou seja, referir que eu acho que o carro é muito bom, não! Tem de ter um contexto, dados factuais e reais, e componente pedagógica.

A BMW investe milhões anualmente para que os seus colaboradores e estagiários tenham a melhor formação, para que dali surjam também novas propostas, para que utilizem inteligência artificial – não só para nos facilitar o trabalho, para nos dar respostas imediatas, mas para construir uma sociedade e um mundo melhor.

Para termos uma ideia da forma como por acaso a BMW trabalhou este domínio, as novas baterias que vêm nos novos automóveis são cilíndricas e representam uma evolução notável nas baterias. A BYD, pelo contrário usa uma estratégia de Blade Batteries, a Tesla com outro tipo de tecnologia, a Stellantis outro tipo de tecnologia. Quem está certo? Todas e existem motivos para isso que não vou analisar num artigo que é afinal sobre o I4.

Mas hoje as marcas, a que se junta também a Volvo, apostam no blockchain, para conseguir perceber desde o momento que são recolhidos os vários materiais para a construção das baterias até ao momento atual. E isso permite rastrear e garantir que a marca está de acordo com os valores que definiu, nomeadamente em ser sustentável. Ou seja, a BMW poderia dizer que as suas baterias são sustentáveis e ser uma única jogada de marketing. Mas a marca não faz isso. A marca mostra que desde o processo de extração até ao momento de produção e reciclagem consegue garantir processos de sustentabilidade e de rastreabilidade nem todo o processo. E isso é importante quando adquirimos uma viatura mas também quando a vendemos pois ali está declarada a história do automóvel.

Isto é para onde se deve caminhar em termos de indústria automóvel. E isto não é marketing, é a realidade onde as marcas têm posicionado. Mas não só as marcas automóveis, como a indústria da aviação, a o setor marítimo, o setor dos transportes, tudo isto é o novo caminho. que as marcas todas percorrem.

E feita esta… enorme declaração de interesses, passemos então ao ensaio do modelo.

O BMW i4 M60 xDrive tem 601cv de potência máxima (com a função M Sport Boost) e tração integral (xDrive) através de dois motores elétricos, um por eixo, oferecendo uma aceleração de 0 a 100 km/h em 3,7 segundos, elétrico  e que se posiciona de uma forma diferente,  mais arrojado, maior desportividade tendo em conta o publico mais jovem e tecnológico. O facto de ter o pacote M não só lhe permite conjugar ainda uma maior agressividade, sem exageros, subtil.

O I4 é um automóvel muito interessante, explosivo e dócil, elegante, mas que neste modelo tem estatuto de desportivo, até na própria pintura baça. A grelha que que já teve muito destaque com o duplo rim está muito bem assumida na carroçaria. Os vários defletores que a marca incorporou na lateral,mas também os pequenos spoilers traseiro e dianteiro são subtis, os puxadores incorporados na carroçaria distintos dos da Tesla.

Depois, entrar num BMW é sempre encontrar um veículo desportivo. Não é tão tradicional como outras marcas, a interpretação da marxa visa o prazer de condução e não é uma jogada de marketing. Este  surge quando nos sentamos ao volante, quando utilizamos os bancos esculpidos para nos manterem agarrados à estrada e que conjugam vários elementos, pele sintética, uma espécie de baquets com várias elementos sobrepostos.

Questões como ergonomia, apoio lateral, apoio para a as pernas com o extensor de pernas, os bancos aquecidos… toda a indústria já oferece mas o segredo é que não são moles, mas não são rijos. São exatamente os bancos que fazem sentido num automóvel desta natureza. Depois o volante com a largura, o diâmetro e espessura correta e com faixa vermelha no topo superior que claramente o identifica como um modelo desportivo. O ecrã, novamente central conjuga o painel de instrumentos com a ecrã central. Está claramente voltado para o condutor.

Estes automóveis são, de certo modo mais individualistas: voltados para o condutor. Software muito bom em termos do painel central. Um problema que muitas vezes existe é que os botões são muito pequenos e não conseguimos navegar entre eles quando vamos a conduzir. Aqui, temos botões de grandes dimensões.

É verdade: o software tem mão da Portuguesa Critical Software – Critical Techworks, muito intuitivo e fácil de utilizar. Permite-nos conjugar todo o tipo de situações, desde utilizar o assistente de voz, mas também personalizar o automóvel desde o modo eco – com muita potência já disponível – e o modo normal, conforto e desportivo. Este último é … avassalador, tal a disponibilidade de potência que conseguimos ter e depois tem obviamente um modo individual. Tudo isto é parametrizável e é conjugado com materiais muito nobres, neste caso, que tentam ter um equilíbrio entre a qualidade dos materiais, muito boa, robustez, mas depois um justo equilíbrio entre pele e algumas aplicações em carbono. Atrás, o espaço é bom!

Onde também vemos a qualidade deste automóvel é quando o levamos  ao pior piso possível, o paralelepípedo das cidades antigas. E aí, o ruído que o I4 M60 é só um: silêncio. Não há ruídos parasitas, nada treme e isso é extremamente relevante da qualidade que ele demonstra. E, com isto não estamos a dizer que as outras marcas como Mercedes, Audi e Volvo estão piores. Não. Este é o patamar que estas marcas colocam e isso tem um preço, obviamente que se reflete no valor final, mas é o preço a pagar quem quer exclusividade e qualidade.

O I4 M60 utiliza os motores elétricos com um rigor e precisão, que bate certo com o facto de eu ter há muitos anos adorado ter dois BMWs da série 3, pois ainda surgem “mais agarrados” à estrada, conjugação entre potência, chassis e software para um comportamento exemplar. Quando eu digo que o o I4 não se desvia do seu objetivo, não foge, não se atravessa… obviamente dentro de determinados limites.

É um modelo que tem o tal prazer de condução que a BMW define como premissa. E no meu ensaio – e não para poupar bateria, mas precisamente porque para mim chega-me, usei o modo Eco, – que conjuga conforto com estabilidade, comportamento, com diversão.

Um modelo que não só, não desilude, como cativa e onde apetece passar muitas horas ao volante. E por falar muitas horas ao volante, foi um automóvel que me apareceu com uma autonomia de 400 km. Consegui fazer 300, 320, pois “abusei dele” nalgumas acelerações, para o testar na sua eficácia em estradas portuguesas, para perceber potencial insegurança no seu comportamento, mas também o utilizei numa pequena incursão em ambiente de serra com curvas apertadas.

E foi tudo isto que mostrou BMW i4 M60 xDrive tem 601Cv, um automóvel para apreciadores, que pode ser um “cordeiro” ou um “lobo”. Conduzi-lo normalmente é fácil, tanto serve para para levar os filhos à escola e depois poder divertir-se um pouco ao volante.

São estes os pergaminhos da BMW que não quis descurar em nenhum momento. Uma marca que não só se atualizou, que passou dos motores a combustão para os elétricos e manteve intacto o seu ADN, demonstrando que até nos elétricos podemos ser desportivos e competentes.

Isto tem um nome: um construtor que sabe fazer automóveis!

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