A pandemia da Covid-19 mudou hábitos, rotinas e até a forma como se paga uma refeição fora de casa. Cinco anos depois de 2020, o setor da hotelaria continua a ajustar-se a um novo normal que mistura menos horas de trabalho, mais tecnologia e discussões inesperadas à hora da conta.
O chef Jordi Cruz tem sido uma das vozes mais claras sobre essa transformação. Em várias intervenções públicas, lembrou que, entre 2020 e 2025, a profissão mudou radicalmente. “Passámos de uma lógica quase espartana, com jornadas de 14 horas vistas como um sacrifício bonito, para um modelo de oito horas de trabalho”, afirmou, citado pelo ‘HuffPost’, numa reflexão que espelha uma mudança mais ampla no setor.
Mas não foi só o ritmo de trabalho que se alterou. O dinheiro também mudou de forma. A pandemia acelerou a transição para pagamentos por cartão e por telemóvel, afastando o dinheiro físico dos balcões e das carteiras. Um hábito que, para muitos, já parece irreversível.
Essa nova realidade voltou recentemente ao centro da conversa depois de um vídeo viral no ‘TikTok’. As imagens mostram quatro pessoas num restaurante no momento de pagar a conta — e o impasse que se seguiu. Segundo o relato partilhado, o estabelecimento aceitava apenas dinheiro ou transferência bancária. Do outro lado da mesa, a resposta foi imediata: não tinham dinheiro e não sabiam fazer transferências, acrescentando que gostariam de ter sido avisados logo à chegada. A discussão que se seguiu foi calma, mas suficiente para incendiar as redes sociais, conta o ‘HuffPost’.
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O episódio abriu um debate clássico, mas sempre atual: afinal, quem tem razão quando chega a hora de pagar?
Nos comentários, multiplicaram-se opiniões. Alguns defenderam os restaurantes, lembrando as comissões cobradas pelos bancos em cada pagamento com cartão. “A indignação devia ser dirigida às taxas bancárias, não aos estabelecimentos que tentam sobreviver”, escreveu um utilizador. Outros mostraram menos paciência para o drama, sugerindo soluções simples: enquanto dois clientes vão levantar dinheiro, os outros podem esperar tranquilamente com um copo na mão.
Para lá das opiniões, há também a lei. Em Espanha, não existe qualquer obrigação legal para que bares e restaurantes disponham de terminal de pagamento automático. Regra geral, quando um estabelecimento não aceita cartões, essa informação deve estar claramente visível. Também é permitido definir um valor mínimo para pagamentos eletrónicos, desde que o cliente seja informado previamente.
Há, no entanto, um ponto que não levanta dúvidas: o pagamento em dinheiro não pode ser recusado. Independentemente da era digital ou da popularidade dos pagamentos por aproximação, as notas continuam a ter curso legal — e direito de entrada garantido.
No fim de contas, entre cartões, transferências e moedas, a discussão parece menos sobre meios de pagamento e mais sobre expectativas. Porque, em 2026, pedir a conta continua a ser um momento simples… até deixar de o ser.














