Incumprimentos quase duplicam por falta de salário e expõem fragilidade económica das famílias portuguesas

O número de portugueses que falham o pagamento de contas por não receberem o salário atempadamente quase duplicou no último ano, num contexto em que, apesar do crescimento económico, do emprego elevado e da inflação controlada, a perceção de fragilidade financeira se mantém elevada.

Revista de Imprensa

O número de portugueses que falham o pagamento de contas por não receberem o salário atempadamente quase duplicou no último ano, num contexto em que, apesar do crescimento económico, do emprego elevado e da inflação controlada, a perceção de fragilidade financeira se mantém elevada. Os dados mostram um agravamento claro das dificuldades no cumprimento de compromissos mensais, com impacto direto na confiança no futuro e nas decisões de consumo das famílias.

De acordo com a análise divulgada pelo Diário de Notícias, com base no European Consumer Payment Report, da Intrum, 21% dos consumidores portugueses admitiram em 2025 ter entrado em incumprimento por não terem recebido o salário, face a 12% em 2024 e apenas 8% em 2023. O problema afeta mais os homens (26%) do que as mulheres (16%) e tem maior incidência no Alentejo, onde mais de metade dos trabalhadores (55%) refere atrasos salariais, seguido da Área Metropolitana de Lisboa (22%).

Apesar deste agravamento, a principal razão apontada para o incumprimento continua a ser a falta de dinheiro, embora com uma tendência de descida. Este motivo foi indicado por 40% dos inquiridos em 2025, abaixo dos 46% registados em 2024 e dos 51% de 2023. Entre os mais jovens, da Geração Z, o cenário é mais preocupante: quase metade (46%) afirma não ter fundos suficientes para pagar as contas, um aumento significativo face aos 28% do ano anterior. Ainda assim, 77% dos consumidores dizem cumprir os pagamentos dentro do prazo, valor inferior aos 85% registados em 2024.

O estudo traça um retrato globalmente negativo da saúde financeira dos portugueses, revelando que 62% considera que o aumento do custo de vida — impulsionado pela inflação e pela subida dos juros — teve um impacto negativo permanente nas suas finanças, muito acima da média europeia de 43%. Este sentimento é particularmente forte nas gerações Z e X, abrangendo cerca de 70% dos inquiridos, e é mais intenso no Alentejo, Açores, Madeira e Área Metropolitana de Lisboa. Em paralelo, a perceção da capacidade para sustentar a família registou uma ligeira melhoria, passando de 62% em 2024 para 60% em 2025.

A instabilidade económica está também a refletir-se na saúde mental, com quase metade dos portugueses (47%) a assumir sentir ansiedade ao acompanhar notícias sobre a situação económica. Este impacto é mais expressivo entre as mulheres (53%), face aos homens (41%), e volta a ser mais acentuado na Geração Z, onde atinge 52%. A análise baseou-se em mil respostas de adultos responsáveis, total ou parcialmente, pela gestão financeira pessoal ou doméstica.

Continue a ler após a publicidade

Apesar do contexto adverso, 60% dos portugueses afirmam poupar mensalmente para um fundo de emergência, um valor alinhado com a média europeia. As mulheres revelam maior propensão para a poupança (64%), comparativamente aos homens (56%), sobretudo nas regiões Norte e Centro. Ainda assim, a incerteza económica pesa nas decisões estruturais: 68% dos consumidores hesitam em comprar casa ou automóvel e 62% mostram receio em mudar de emprego ou iniciar um negócio, níveis significativam

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.