A corrida às eleições presidenciais de 18 de Janeiro permanece marcada pela incerteza, apesar de começarem a desenhar-se cenários mais prováveis quanto à passagem à segunda volta e ao eventual vencedor. Numa disputa que envolve cinco candidatos com hipóteses reais, André Ventura lidera as intenções de voto na primeira volta, mas Luís Marques Mendes é quem aparece melhor posicionado para vencer no desfecho final marcado para 8 de Fevereiro.
Segundo uma sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica para o Público, RTP e Antena 1, André Ventura reúne 22% das intenções de voto, seguido de Marques Mendes com 20%, Henrique Gouveia e Melo com 18%, António José Seguro com 16% e João Cotrim de Figueiredo com 14%, valores que, tendo em conta a margem de erro de 2,8%, colocam quatro candidatos muito próximos na disputa pela ida à segunda volta.
O estudo revela vários empates técnicos, tanto na luta pelo primeiro como pelo segundo lugar, com Ventura, Mendes e Gouveia e Melo praticamente lado a lado, e Seguro muito próximo desse grupo. Também Cotrim de Figueiredo surge à beira da contenda, ficando, no seu melhor cenário, apenas a um ponto percentual dos valores mais baixos registados por Marques Mendes. Já à esquerda de Seguro, Catarina Martins e António Filipe obtêm 3% cada, Jorge Pinto 2%, e Manuel João Vieira surge abaixo de 1%, sem hipóteses de alcançar a segunda volta.
Quando analisada a intenção direta de voto, sem redistribuição dos 18% de indecisos, mantém-se a hierarquia, com Ventura na frente (16%), seguido de Marques Mendes (15%), Gouveia e Melo (13%), Seguro (12%) e Cotrim de Figueiredo (11%). No entanto, é nas simulações de segunda volta que o cenário se altera de forma significativa: André Ventura perde contra todos os principais adversários, enquanto Marques Mendes vence Ventura, Gouveia e Melo e António José Seguro.
O perfil de Henrique Gouveia e Melo destaca-se pelo apoio transversal, captando votos de eleitores que nas legislativas votaram na AD (34%), no PS (32%) e no Chega (18%), o que lhe permite disputar eleitorado tanto ao centro como fora das lógicas partidárias tradicionais. Já Cotrim de Figueiredo obtém mais apoio entre eleitores da AD do que da própria Iniciativa Liberal, enquanto Ventura é o candidato que melhor fixa o eleitorado do seu partido, com 73% de fidelização.
A sondagem confirma ainda que André Ventura apresenta a maior taxa de rejeição entre os candidatos com hipóteses reais, com 71% dos inquiridos a garantirem que não votariam nele, embora os valores mais elevados de rejeição sejam registados entre os candidatos da esquerda. Em termos sociodemográficos, Cotrim de Figueiredo lidera entre os eleitores mais jovens e com ensino superior, enquanto Gouveia e Melo tem maior expressão entre os mais velhos, e Marques Mendes destaca-se no eleitorado feminino, num quadro que reforça a fragmentação e imprevisibilidade destas presidenciais.







