A campanha de recolha da azeitona em Portugal referente a 2025/2026, iniciada no começo de Outubro, está a confirmar uma quebra de produção que poderá atingir os 20% face às 177 mil toneladas registadas na campanha anterior. As previsões iniciais já apontavam para incerteza, num ano marcado por condições climáticas atípicas na Primavera e no Outono, que acabaram por afectar o desenvolvimento do fruto em várias regiões produtoras.
De acordo com informação avançada pelo jornal PÚBLICO, a diretora executiva da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, Susana Sassetti, explica que a quebra resulta da “ausência de chuva nos meses mais decisivos, necessária à manutenção do crescimento normal das azeitonas, combinada com calor intenso”, fatores que provocaram a desidratação do fruto e reduziram o rendimento, “até mesmo nos olivais com rega”.
Apesar das condições adversas, os produtores escaparam a problemas fitossanitários mais graves. Susana Sassetti sublinha que, embora as condições atmosféricas “não tenham sido ideais” nos momentos críticos da formação do fruto, existia o receio de ataques de gafa após episódios de calor extremo e chuva excessiva, “o que felizmente não aconteceu”. Esta estabilidade sanitária contribuiu para um desfecho positivo ao nível da qualidade do azeite obtido.
Essa avaliação é partilhada por Jeremias Lancastre e Távora, diretor-geral da Olivogestão, empresa que detém um lagar de extração em Serpa, ao salientar que os olivicultores beneficiaram de um ano “supertranquilo”, sem mosca da azeitona, geadas, gafa ou roubos. Embora a produção seja menor, garante que o Alentejo irá produzir “100% de azeite virgem extra com um grau de acidez muito baixo”, reforçando o posicionamento de qualidade do produto nacional.
As estimativas do Instituto Nacional de Estatística apontam igualmente para uma quebra de produtividade próxima dos 20%, explicada pelas condições meteorológicas adversas durante a floração e pela destruição de áreas significativas de olival tradicional nos incêndios da região transmontana. Nesta zona do país, o INE antecipa uma redução ainda mais acentuada, entre 30% e 35%, em comparação com a campanha anterior.
A par da quebra produtiva, o sector enfrenta dificuldades crescentes na contratação de mão-de-obra imigrante e na descida do preço pago ao produtor. Empresários reunidos numa sessão promovida pela Câmara de Beja denunciaram entraves burocráticos associados à nova legislação, com Helena Lança a afirmar ser “extremamente difícil” garantir contratação legal e alojamento condigno. Já no plano económico, Lancastre e Távora alerta que o preço do azeite virgem extra pago ao produtor desceu de cinco para 4,5 euros por quilo desde Outubro, enquanto as grandes superfícies mantêm preços mais elevados e adiam contratos de compra, agravando a pressão sobre a rentabilidade das explorações.




