Pela primeira vez, um país aliado da NATO identificou os Estados Unidos como uma potencial ameaça à segurança do país, devido às disputas geopolíticas da Administração Trump em redor da Gronelândia, avançou esta quarta-feira a ‘Bloomberg’.
Recorde-se que Donald Trump sugeriu já a possível anexação da ilha. Tal precedente poderia ter justificado a tomada da Crimeia pela Rússia e legitimado a ocupação. A Dinamarca também afirmou que a Rússia disseminou desinformação sobre a Gronelândia para alimentar a hostilidade com os EUA.
Política dos EUA na Europa fortalece a China e a Rússia
Segundo o relatório de inteligência dinamarquesa, a incerteza quanto ao papel dos EUA como garante da segurança da Europa aumenta a probabilidade de a Rússia intensificar os ataques híbridos contra a NATO, enquanto a utilização de instrumentos económicos e militares pela China continua a desafiar a influência ocidental.
“A região do Mar Báltico é a área onde existe o maior risco de a Rússia usar a força militar contra a NATO”, observou o relatório.
Na previsão para 2025, publicada esta quarta-feira, o Serviço Dinamarquês de Inteligência de Defesa (DDIS) afirmou que os EUA estão cada vez mais a priorizar os seus próprios interesses e “atualmente usam o seu poder económico e tecnológico como ferramenta de influência sobre os aliados”.
“Os EUA usam o poder económico, incluindo ameaças de altas tarifas, para impor a sua vontade, e já não descartam o uso da força militar, mesmo contra aliados”, refere o relatório da agência, que também destacou o crescente interesse dos EUA na Gronelândia, que é um território do Reino da Dinamarca.
A Rússia e a China continuam a ser os principais riscos
A avaliação anual de ameaças realizada pela DDIS surge após repetidas declarações de Trump a expressar o desejo de assumir o controle da Gronelândia, o que fez aumentar a tensão nas relações diplomáticas entre Copenhaga e Washington. O presidente americano não descartou a possibilidade de tomar a ilha ártica pela força.
No entanto, de acordo com a DDIS, a Rússia e a China continuam a ser os principais riscos, e a ameaça geral que a Dinamarca enfrenta “tornou-se mais séria”.




