Realiza-se a partir desta segunda-feira – e durante dois dias – a cimeira luso-moçambicana, depois de ter sido adiada, com a expectativa de serem assinados cerca de duas dezenas de acordos bilaterais entre Portugal e Moçambique.
Segundo o embaixador português em Maputo, Jorge Monteiro, os documentos abrangem domínios como finanças públicas, digitalização, energias renováveis e cooperação na reforma da administração pública, num esforço conjunto para reforçar a relação política, económica e institucional entre os dois países.
O diplomata adiantou que continua em avaliação o valor global dos projetos e negócios que poderão ser concluídos durante o encontro, que decorre em Portugal. De acordo com o embaixador, a cimeira deverá ainda discutir novos instrumentos de apoio ao financiamento da economia moçambicana, com o objetivo de relançar a cooperação bilateral numa altura em que o setor privado português conta com cerca de 500 empresas presentes em Moçambique.
Fórum empresarial e novos instrumentos de cooperação
À margem da cimeira decorrerá um fórum de negócios que reunirá empresas portuguesas e moçambicanas, com o propósito de divulgar oportunidades em ambos os mercados. Segundo Jorge Monteiro, a intenção é aprofundar uma presença empresarial que considera de longo prazo, sublinhando que as empresas portuguesas “conhecem bem a realidade moçambicana” e mantêm uma ligação histórica ao país.
No encontro deverá também ser abordada a possibilidade de investimentos de empresas moçambicanas em Portugal, numa fase que o diplomata descreve como propícia ao relançamento das relações económicas bilaterais.
Novo ciclo político e reforço da cooperação
A realização da cimeira tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro, após um encontro com o presidente moçambicano, Daniel Chapo. Na altura, Montenegro destacou que ambos os países vivem “uma primeira fase do ciclo político”, o que permite “dar nova energia” à relação bilateral e recuperar o modelo de cimeiras regulares entre os dois governos.
Segundo o primeiro-ministro, a reunião procurará “desenvolver os instrumentos de cooperação em áreas como saúde, educação, mobilidade, segurança e defesa”, além de incentivar o aumento das trocas comerciais e do investimento de empresas portuguesas em Moçambique.
Estabilidade, reformas e segurança em Cabo Delgado
Luís Montenegro afirmou ainda que Portugal tem acompanhado o processo de estabilização política e implementação de reformas em Moçambique, salientando que estes desenvolvimentos são essenciais para o reforço da cooperação económica e empresarial.
O chefe do Governo sublinhou igualmente o compromisso português no apoio à estabilização da província de Cabo Delgado, palco de ataques terroristas, assegurando que Portugal continuará a apoiar Moçambique a nível político, financeiro e no âmbito da União Europeia, onde tem defendido a continuidade do apoio ao país.














