Alemanha alerta que a Rússia entrará em guerra com a NATO até 2029: Os cenários que podem desencadear o conflito

A Alemanha voltou a lançar um aviso considerado urgente no seio europeu: as suas estruturas de inteligência militar acreditam que a Rússia poderá avançar para um ataque contra a NATO até, no máximo, 2029.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Alemanha voltou a lançar um aviso considerado urgente no seio europeu: as suas estruturas de inteligência militar acreditam que a Rússia poderá avançar para um ataque contra a NATO até, no máximo, 2029. Este cenário, ainda que descrito como extremo, está já a moldar a discussão sobre o reforço da defesa europeia e a preparar o terreno para um debate sobre a capacidade real da Aliança Atlântica de responder a uma agressão direta do Kremlin.

Num relatório interno citado pelas autoridades alemãs, sublinha-se que Moscovo tem demonstrado disposição para testar os limites da NATO, desde incursões de drones até ações híbridas em zonas de fricção geopolítica. A análise ecoa avaliações divulgadas por outros serviços de inteligência aliados, apesar de Vladimir Putin reiterar frequentemente que atacar a NATO seria “uma loucura”.

A avaliação alemã sugere que o Kremlin poderá tentar abrir um foco de tensão mesmo sem ter a guerra na Ucrânia resolvida em 2029. O texto lembra que, caso Moscovo não consiga impor uma vitória clara naquele conflito ou pretenda mascarar impasses militares, um segundo confronto no flanco oriental serviria para reafirmar poder e prestígio interno. A motivação principal seria simbólica: uma tentativa de restaurar influência imperial antes que o atual líder russo perca margem política e tempo histórico para o fazer.

O documento questiona também o que significa, na prática, “um ataque contra a NATO”. Poderia passar por ofensivas convencionais, operações híbridas, ações de falsa bandeira ou confrontos localizados com potencial de escalar rapidamente. Para os autores, Europa e Estados Unidos terão de decidir se responderiam sem hesitação ao abrigo do Artigo 5.º, defendendo países de pequeno território mas de enorme valor estratégico, como Estónia, Letónia ou Lituânia.

A vulnerabilidade dos Países Bálticos
A análise sublinha que os países bálticos permanecem o elo mais frágil da Aliança. A sua história, mais ligada ao norte da Europa do que à esfera russa, e a forma relativamente pacífica como recuperaram a independência após a queda soviética, tornam-nos alvos potenciais para testar a coesão da NATO.

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Apesar do reforço militar no terreno, o documento admite que forças russas poderiam chegar rapidamente a cidades como Tallin, Vilnius ou Riga. O verdadeiro desafio estaria depois na recaptura desses territórios. A dúvida sobre se todos os aliados, incluindo Estados Unidos, Portugal, Espanha ou Grécia, aceitariam iniciar uma guerra de larga escala por cada quilómetro quadrado do Báltico é um dos pontos mais sensíveis da análise alemã.

Kaliningrado e o corredor de Suwalki
Outro dos cenários examinados diz respeito ao corredor de Suwalki, uma estreita faixa de 65 quilómetros entre Kaliningrado e a fronteira polaco-bielorrussa. Este é considerado o ponto mais vulnerável da geografia da NATO: se fosse cortado, isolar-se-iam as forças aliadas no Báltico.

A inteligência alemã relembra episódios anteriores de pressão híbrida naquela zona, incluindo o uso instrumental de migrantes em 2021 para testar a resposta europeia. Moscovo e Minsk poderão, segundo o documento, ver vantagem em repetir movimentos semelhantes, desta vez com implicações militares diretas.

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A escalada com drones e a resposta da NATO
Nos últimos anos, vários drones russos têm cruzado, “por erro”, o espaço aéreo da Polónia e da Roménia, caindo em território da NATO. Estes incidentes já motivaram apelos ao Artigo 4.º por parte dos governos afetados.

O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, tem adotado uma postura prudente, não querendo permitir que Moscovo provoque uma escalada intencional. A avaliação alemã, porém, levanta uma questão crítica: como reagir quando a intrusão deixar de ser acidental e passar a envolver centenas ou milhares de aeronaves não tripuladas com alvos militares claros?

Risco de ataques de falsa bandeira
O relatório aponta também para a possibilidade de ataques de falsa bandeira, especialidade já demonstrada por Moscovo. Transnístria é identificada como cenário provável: região moldava controlada por líderes pró-russos desde 1990, onde um suposto ataque poderia servir de pretexto para a entrada de tropas russas, arrastando a Moldávia para uma guerra e obrigando a Europa — e especialmente a Roménia — a definir limites claros de intervenção.

Os analistas recordam que, tal como na Ucrânia em 2014, bastaria uma operação encenada para desencadear um conflito real, testando uma vez mais a determinação ocidental.

A hipótese mais extrema: guerra nuclear
O cenário final analisado, descrito como “disparatado mas inevitável de considerar”, é o de uma guerra nuclear de grande escala. O relatório menciona que esta ameaça, apesar de pouco provável, é usada repetidamente pela propaganda russa como instrumento de intimidação.

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Entre submarinos equipados com torpedos nucleares, mísseis hipersónicos e capacidade para atingir múltiplos países antes de qualquer defesa ser ativada, trata-se de um quadro de destruição global que arrastaria Europa, Rússia, Estados Unidos e possivelmente a China para um ciclo de retaliações impossíveis de controlar. Seria, afirma o texto, o “fim da civilização tal como a conhecemos”.

Ainda assim, o relatório nota que a China — principal parceiro estratégico de Moscovo — dificilmente teria interesse num cenário de destruição global, servindo como último travão racional perante a tentação da escalada total.

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