“Inadmissível, miserável e racista”: Direção‑Geral da Saúde apaga publicação polémica sobre o combate à sida

A polémica gerou-se porque a imagem utilizada mostrava apenas pessoas negras, o que levou a acusações de estigmatização e representação discriminatória.

Executive Digest
Dezembro 1, 2025
17:09

A Direção-Geral da Saúde (DGS) removeu uma publicação relacionada com o Dia Mundial da SIDA após críticas que a qualificaram como “inadmissível”, “miserável” e “racista”. A polémica gerou-se porque a imagem utilizada mostrava apenas pessoas negras, o que levou a acusações de estigmatização e representação discriminatória.

Várias reações surgiram imediatamente após a divulgação do cartaz, com críticas que apontavam a associação da doença a uma única população como um erro grave de comunicação institucional. As expressões refletem o tom de indignação demonstrado por muitos utilizadores das redes sociais, que consideraram a campanha ofensiva e inadequada.

Segundo a CNN, em resposta escrita a perguntas enviadas, a DGS afirma ter utilizado “uma imagem produzida e disponibilizada pela ONUSIDA” para assinalar o Dia Mundial da SIDA, indicando que se tratava de material oficial, traduzido e partilhado com parceiros comunitários. A entidade explica que o objetivo era reforçar a mensagem internacional de que “a SIDA ainda não acabou” e de que existe um caminho global a percorrer até 2030.

A DGS acrescenta que, “para reforçar a perceção da mensagem e a sua origem”, decidiu partilhar o post original da agência das Nações Unidas. Na mesma resposta, a instituição sublinha rejeitar “discriminação seja por que motivo for, designadamente sexo, raça, cor, origem étnica ou social”, reiterando que não teve qualquer intenção de estigmatizar comunidades.

Apesar destes esclarecimentos, a publicação acabou por ser retirada das plataformas oficiais da DGS. Segundo descreve a CNN Portugal, a decisão foi tomada após a crescente contestação pública e a perceção de que a imagem escolhida poderia transmitir uma mensagem errada ou prejudicial.

O caso reabre o debate sobre a responsabilidade das entidades públicas na escolha das imagens e mensagens usadas em campanhas de saúde. A polémica mostra a importância de avaliar o impacto visual e social das campanhas, sobretudo quando se trata de doenças historicamente associadas a estigma e discriminação.

A remoção da campanha e o esclarecimento posterior evidenciam a necessidade de comunicação mais cuidadosa e sensível, capaz de informar sem reforçar preconceitos.

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