A descapitalização e o amadurecimento dos projetos são os principais entraves no acesso das pequenas e médias empresas (PME) ao financiamento, defendeu a Yunit Consulting, que também destacou a falta de previsibilidade nos fundos europeus.
“As principais dificuldades prendem-se com duas ordens de razão – uma primeira interna, ou seja, [as PME] estão bastante descapitalizadas na sua generalidade, o que dificulta tudo aquilo que são as análises de crédito, nomeadamente da banca”, apontou, em declarações à Lusa, o presidente executivo da consultora, Bernardo Maciel.
Por outro lado, o próprio amadurecimento dos projetos de investimento dificulta o acesso das empresas ao financiamento.
Bernardo Maciel defendeu que, nos últimos anos, tem havido um esforço para resolver algumas destas dificuldades, como um conjunto de instrumentos de capitalização e alertas generalizados, nomeadamente, da banca, para que as empresas tenham estruturas de capitais mais adequadas.
Outro aspeto que tem penalizado as PME prende-se com os prazos de pagamento, que a Yunit Consulting classificou como “o calcanhar de Aquiles” da economia portuguesa, uma vez que, muitas vezes, as empresas ficam sem liquidez para os pagamentos regulares e, assim, a sua capacidade de recorrer a financiamento fica mais diminuída.
Para reforçar os capitais, financiar projetos e diminuir a exposição à banca, as PME recorrem a linhas, como, por exemplo, de fundos comunitários.
Contudo, o presidente executivo da Yunit vincou que existe falta de previsibilidade no que se refere ao calendário dos concursos aos fundos europeus e lembrou que, se as empresas fizerem investimentos antes de apresentarem uma candidatura, estes não podem ser apoiados.
A isto somam-se os atrasos na resposta às candidaturas que, em alguns casos, podem “chegar a um ano”.
A Yunit Consulting faturou 2,8 milhões de euros em 2024 e espera ultrapassar os três milhões de euros este ano.
Já para os próximos três anos, o objetivo passa por atingir um volume de negócios de cinco milhões de euros, com um “crescimento sustentado e sem grandes aventuras”.
Constituída em 2001, a consultora tem escritórios em Lisboa e no Porto.













