O secretário da Defesa britânico lançou esta quarta-feira um aviso firme a Vladimir Putin depois de um navio espião russo ter apontado lasers a pilotos da RAF (Royal Air Force) nas águas ao largo do Reino Unido, noticiou o ‘The Independent’. O incidente envolveu o navio ‘Yantar’, que operava a norte da Escócia e estava a ser acompanhado por aeronaves de vigilância britânicas.
Numa declaração em Westminster, John Healey afirmou que Londres está preparada para responder caso o navio avance para sul, sublinhando: “Estamos de olho em vocês. Sabemos o que estão a fazer.”
De acordo com o jornal britânico, esta é a segunda vez num ano que o ‘Yantar’ entra em águas britânicas alargadas. Healey descreveu o navio como sendo concebido para colocar em risco a infraestrutura submarina do Reino Unido e dos seus aliados, integrando um programa russo operado pelo GUGI — a Direção Principal de Pesquisa em Águas Profundas.
O secretário da Defesa afirmou que, sempre que a embarcação russa se aproxima do território marítimo britânico, as forças armadas reagem de imediato: “Rastreamo-lo, dissuadimo-lo e enviamos a mensagem de que estamos prontos”, disse, destacando a cooperação com os aliados da NATO.
Healey acrescentou que o Reino Unido “não tolerará qualquer ameaça às conexões essenciais” que atravessam o fundo do mar, numa referência aos cabos e infraestruturas críticas.
Contexto de tensão e desafios globais
O governante alertou ainda para aquilo que descreve como uma “nova era de poder militar”, marcada por riscos crescentes. Mencionou o impacto da guerra entre Israel e o Irão, o conflito armado entre a Índia e o Paquistão e os alegados casos de espionagem chinesa dirigidos a parlamentares britânicos.
Segundo Healey, o último ano registou múltiplas perturbações nos céus europeus causadas por drones, enquanto as incursões russas no espaço aéreo da NATO duplicaram. No mesmo período, o sistema de defesa britânico registou 90.000 ataques cibernéticos.
Relatório parlamentar expõe fragilidades britânicas
O alerta do secretário da Defesa coincidiu com a divulgação de um relatório do Comité de Defesa da Câmara dos Comuns, que concluiu que o Reino Unido não está preparado para se defender de um ataque de grande escala e não dispõe de um plano abrangente para proteger o território nacional e as áreas ultramarinas.
Tan Dhesi, presidente do comité, sublinhou que a invasão russa da Ucrânia tornou evidente a necessidade de reforçar a defesa britânica. O documento defende que o público deve ser informado sobre a dimensão das ameaças e sobre os níveis de preparação necessários.
Aumento da produção militar e criação de empregos
No mesmo dia, Healey anunciou planos para ampliar a produção de munições e explosivos, com 13 locais já identificados para novas fábricas. A primeira unidade deverá começar a ser construída no próximo ano, num investimento que poderá criar mais de 1.000 postos de trabalho.
O ministro das Forças Armadas, Luke Pollard, afirmou posteriormente que o Reino Unido “está seguro”, mas enfrenta ameaças emergentes. Segundo o governante, o país precisa de reforçar capacidades tecnológicas e operacionais, acompanhando a evolução dos conflitos modernos.




