“Estamos de olho em vocês”: Reino Unido adverte Moscovo após navio espião russo usar lasers contra pilotos da RAF

Incidente envolveu o navio ‘Yantar’, que operava a norte da Escócia e estava a ser acompanhado por aeronaves de vigilância britânicas

Francisco Laranjeira

O secretário da Defesa britânico lançou esta quarta-feira um aviso firme a Vladimir Putin depois de um navio espião russo ter apontado lasers a pilotos da RAF (Royal Air Force) nas águas ao largo do Reino Unido, noticiou o ‘The Independent’. O incidente envolveu o navio ‘Yantar’, que operava a norte da Escócia e estava a ser acompanhado por aeronaves de vigilância britânicas.

Numa declaração em Westminster, John Healey afirmou que Londres está preparada para responder caso o navio avance para sul, sublinhando: “Estamos de olho em vocês. Sabemos o que estão a fazer.”

De acordo com o jornal britânico, esta é a segunda vez num ano que o ‘Yantar’ entra em águas britânicas alargadas. Healey descreveu o navio como sendo concebido para colocar em risco a infraestrutura submarina do Reino Unido e dos seus aliados, integrando um programa russo operado pelo GUGI — a Direção Principal de Pesquisa em Águas Profundas.

O secretário da Defesa afirmou que, sempre que a embarcação russa se aproxima do território marítimo britânico, as forças armadas reagem de imediato: “Rastreamo-lo, dissuadimo-lo e enviamos a mensagem de que estamos prontos”, disse, destacando a cooperação com os aliados da NATO.

Healey acrescentou que o Reino Unido “não tolerará qualquer ameaça às conexões essenciais” que atravessam o fundo do mar, numa referência aos cabos e infraestruturas críticas.

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Contexto de tensão e desafios globais

O governante alertou ainda para aquilo que descreve como uma “nova era de poder militar”, marcada por riscos crescentes. Mencionou o impacto da guerra entre Israel e o Irão, o conflito armado entre a Índia e o Paquistão e os alegados casos de espionagem chinesa dirigidos a parlamentares britânicos.

Segundo Healey, o último ano registou múltiplas perturbações nos céus europeus causadas por drones, enquanto as incursões russas no espaço aéreo da NATO duplicaram. No mesmo período, o sistema de defesa britânico registou 90.000 ataques cibernéticos.

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Relatório parlamentar expõe fragilidades britânicas

O alerta do secretário da Defesa coincidiu com a divulgação de um relatório do Comité de Defesa da Câmara dos Comuns, que concluiu que o Reino Unido não está preparado para se defender de um ataque de grande escala e não dispõe de um plano abrangente para proteger o território nacional e as áreas ultramarinas.

Tan Dhesi, presidente do comité, sublinhou que a invasão russa da Ucrânia tornou evidente a necessidade de reforçar a defesa britânica. O documento defende que o público deve ser informado sobre a dimensão das ameaças e sobre os níveis de preparação necessários.

Aumento da produção militar e criação de empregos

No mesmo dia, Healey anunciou planos para ampliar a produção de munições e explosivos, com 13 locais já identificados para novas fábricas. A primeira unidade deverá começar a ser construída no próximo ano, num investimento que poderá criar mais de 1.000 postos de trabalho.

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O ministro das Forças Armadas, Luke Pollard, afirmou posteriormente que o Reino Unido “está seguro”, mas enfrenta ameaças emergentes. Segundo o governante, o país precisa de reforçar capacidades tecnológicas e operacionais, acompanhando a evolução dos conflitos modernos.

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