Florença proíbe refeições ao ar livre no centro da cidade: caos turístico transforma ruas em “pistas de obstáculos”

A medida gerou indignação generalizada: os moradores da cidade italiana argumentaram que as proibições não são suficientes, mas os restaurantes dizem que isso reduz o movimento

Francisco Laranjeira

Muitas das grandes praças da cidade de Florença (Itália) e famosas estátuas renascentistas não poderão mais ser vistas de uma mesa de jantar, já que a câmara municipal parece determinada a impor restrições após reclamações de moradores sobre congestionamento e crescente poluição visual.

Segundo o jornal ‘The Times’, as regras que entrarão em vigor no próximo ano proibirão mesas e cadeiras ao ar livre em 50 ruas dentro do centro histórico protegido pela UNESCO e imporão regulamentações mais rigorosas em mais de 70 locais.

A medida gerou indignação generalizada: os moradores da cidade italiana argumentaram que as proibições não são suficientes, mas os restaurantes dizem que isso reduz o movimento.

Daniela, proprietária do ‘Ristorante Pizzeria Il David’, indicou que o seu restaurante poderá ser afetado. “Os nossos lugares ao ar livre são fundamentais”, apontou, sublinhando que tem capacidade para cerca de 60 pessoas na área externa: parte do sucesso deve-se ao facto de estar localizado perto do Palazzo Vecchio, um dos destinos mais populares da cidade transalpina. “Algo vai mudar, mas neste momento não sabemos o quê”, frisou.

O Palazzo Vecchio foi construído no século XIV e posteriormente modificado pelo último duque da Toscana, Cosimo I de’ Medici. Outros pontos turísticos onde será proibido o uso de mesas ao ar livre incluem a Ponte Vecchio, a Piazzale degli Uffizi e a Galeria Uffizi.

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Outros 73 locais receberão orientações rigorosas sobre se os assentos ao ar livre podem incluir guarda-sóis ou barreiras de acrílico.

Nos próximos 30 dias, os vereadores decidirão se a cobertura plástica contra intempéries deve ser eliminada das grandes praças, incluindo as praças Signoria, Santa Maria Novella, Pitti e Repubblica.

Entretanto, os restaurantes serão incentivados a usar tapetes verdes que imitem relvado para indicar as áreas externas permitidas.

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Ilaria Agostini, especialista em património cultural da Universidade de Bolonha, escreveu na revista online de esquerda ‘La Citta Manifesta’ que a medida não foi suficiente. No entanto, outros argumentam que as restrições causarão uma queda nas vendas de restaurantes, principalmente aqueles especializados em pratos tradicionais florentinos, como bistecca alla fiorentina, ribollita e pappa al pomodoro, e que esses restaurantes serão substituídos por estabelecimentos voltados para turistas, que servem comida italiana genérica.

O crítico gastronómico Leonardo Romanelli lamentou que os verdadeiros donos de restaurantes tenham começado a fechar as portas. “Eles são esmagados por custos impossíveis e por políticas municipais mais preocupadas com a estética dos espaços ao ar livre do que com a sobrevivência daqueles que deram vida a esses espaços”, disse Romanelli.

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