UE declara ‘guerra’ aos alimentos não saudáveis ​​e bebidas alcoólicas mistas: o que está em causa?

Prevenção é a medida mais eficaz em termos de custo para reduzir a mortalidade cardiovascular, que atualmente atinge mais de 1,7 milhões de pessoas por ano na UE, com custos económicos superiores a 280 mil milhões de euros

Francisco Laranjeira
Novembro 17, 2025
15:38

A Comissão Europeia está a desenvolver um plano abrangente para enfrentar o principal problema de saúde da União Europeia: as doenças cardiovasculares. De acordo com informações obtidas pelo ‘Euroactiv’ e pelo jornal germânico ‘Welt’, a primeira versão do documento inclui a introdução de taxas sobre alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas mistas, com implementação prevista a partir de 2026.

O plano, que será apresentado em dezembro, pretende seguir os moldes do anterior “Plano Europeu de Combate ao Cancro” e está estruturado em três pilares: prevenção, deteção precoce e rastreio, e tratamento e cuidados. Segundo o comissário de Saúde, Olivér Várhelyi, a prevenção é a medida mais eficaz em termos de custo para reduzir a mortalidade cardiovascular, que atualmente atinge mais de 1,7 milhões de pessoas por ano na UE, com custos económicos superiores a 280 mil milhões de euros.

Foco na prevenção e hábitos alimentares

A proposta da Comissão prevê a criação de uma “microtaxa” europeia sobre alimentos altamente processados, ricos em gordura, açúcar e sal, assim como sobre bebidas alcoólicas mistas. O objetivo é induzir mudanças comportamentais sem impor encargos financeiros excessivos aos consumidores, incentivando simultaneamente os fabricantes a tornarem os seus produtos mais saudáveis. A receita proveniente desta taxa será utilizada exclusivamente em programas de promoção da saúde em toda a União Europeia.

Além disso, o plano contempla a revisão da legislação sobre o tabaco até 2027, visando reduzir a proporção de consumidores adultos para menos de 5% até 2040. Medidas específicas serão implementadas para reduzir desigualdades na saúde das mulheres e aumentar as taxas de vacinação.

Metas até 2035 e inovação tecnológica

O documento define objetivos concretos até 2035: redução de 20% da mortalidade cardiovascular, diagnóstico e controlo de 70% da hipertensão arterial e de 80% em casos de diabetes e obesidade. Para alcançar estas metas, será lançado o programa “UE cuida do seu coração”, que incluirá cuidados personalizados ao longo da vida com suporte digital e o apoio aos Estados-Membros para desenvolver planos nacionais de saúde cardiovascular até 2027.

A inovação tecnológica também faz parte do plano. Serão criados centros cardiovasculares especializados em toda a UE e um “incubador de IA” com orçamento de 20 milhões de euros, destinado a testar ferramentas digitais para deteção precoce e medicina personalizada. No campo da investigação, a Comissão prevê 65 milhões de euros para cuidados de saúde inovadores e 12 milhões de euros para a promoção de alimentação saudável e sustentável.

Rastreio e classificação de alimentos

O plano inclui ainda novas recomendações do Conselho Europeu em 2026 para melhorar os exames de saúde cardiovasculares e estabelecer metas vinculativas de rastreio. Será implementado um sistema de classificação de alimentos processados em toda a União Europeia e realizado um estudo sobre o impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde.

Com esta estratégia, a Comissão Europeia pretende reduzir significativamente os fatores de risco e promover hábitos de vida mais saudáveis, marcando um passo importante na luta contra a principal causa de morte na União Europeia.

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