Três emigrantes portugueses estão a ser julgados no Luxemburgo, acusados de terem participado num plano familiar que culminou na morte de Marco Santos, também português e residente no grão-ducado. O Ministério Público luxemburguês pede prisão perpétua para três dos arguidos, num caso que tem chocado a comunidade lusa.
De acordo com o Correio da Manhã, a investigação aponta para uma conspiração que envolveria Rosa Dias, companheira da vítima desde 2016, e três familiares próximos: a mãe, Maria Clara; o companheiro desta, João — com quem Rosa manteria uma alegada relação secreta —; e o filho mais velho da arguida, Marco António. Todos viviam no Luxemburgo e terão delineado um plano para matar Marco com a expectativa de receber um seguro de vida que, afinal, não existia.
A acusação descreve que, durante férias na Figueira da Foz, em agosto de 2021, Rosa e os restantes suspeitos teriam administrado à vítima um licor misturado com pesticida e comprimidos para dormir. Nessa mesma noite, Rosa terá sugerido a Marco que casassem, um desejo antigo do homem. Já inconsciente, Marco foi transportado de automóvel e lançado ao rio Mondego, onde acabou por morrer afogado. A autópsia confirmou a causa da morte, e o corpo foi encontrado horas depois. Apesar do homicídio, os suspeitos mantiveram as rotinas e Rosa chegou a levantar 7 mil euros com os cartões do companheiro. As autoridades acreditam ainda que os arguidos publicaram na conta de Facebook de Marco uma mensagem falsa a anunciar o fim da relação, além de terem enviado à irmã da vítima um SMS em que este se dizia gravemente doente. Foi essa mesma irmã quem apresentou a queixa que deu início ao processo.
A investigação, conduzida pela PJ do Luxemburgo com apoio das autoridades portuguesas, levou à detenção de Rosa, Maria Clara e João a 9 de março de 2022 — todos permanecem em prisão preventiva e enfrentam acusações de associação criminosa, homicídio, envenenamento premeditado e roubo. Marco António, de 27 anos, responde em liberdade com supervisão judicial, acusado de participar na conspiração mas sem envolvimento direto no homicídio. Em tribunal, foram reveladas mensagens entre Rosa e a mãe que, segundo os procuradores, demonstram a intenção de “eliminar Marco”. A irmã da vítima descreveu os arguidos como “monstros” e o juiz salientou a “frieza” do plano que levou à morte do homem que vivia em Bascharage.
O motivo financeiro caiu por terra quando Rosa se dirigiu à seguradora para reclamar um alegado seguro de vida no valor de 500 mil euros. Foi informada de que a apólice tinha sido cancelada meses antes e de que não teria direito a qualquer compensação por não ser casada — condição que evitara para manter o acesso ao rendimento social luxemburguês. O julgamento decorre no Luxemburgo, onde o crime terá sido planeado e onde residiam tanto a vítima como os arguidos.




