‘Escudo Democrático’ da UE afinal é de barro… Plano contra IA e Rússia nasce fraco para não incomodar as tecnológicas dos EUA

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou esta quarta-feira, em Bruxelas, o aguardado “Escudo Europeu da Democracia”, uma iniciativa que pretende combater a desinformação russa, os conteúdos manipulados por inteligência artificial e as interferências em processos eleitorais.

Pedro Gonçalves

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou esta quarta-feira, em Bruxelas, o aguardado “Escudo Europeu da Democracia”, uma iniciativa que pretende combater a desinformação russa, os conteúdos manipulados por inteligência artificial e as interferências em processos eleitorais. No entanto, o plano, anunciado um ano após ter sido prometido no discurso de investidura do segundo mandato de Von der Leyen, foi recebido com críticas generalizadas por ser considerado vago, insuficiente e sem orçamento definido, segundo o jornal El Español.

A proposta surge num contexto de crescente preocupação com a influência de Moscovo nos debates públicos europeus e com a disseminação de “deepfakes”, vídeos e imagens falsos de líderes políticos criados com recurso à IA. Apesar disso, o documento agora apresentado pela Comissão repete medidas já existentes e oferece poucas novidades práticas, mantendo um tom mais declarativo do que executivo.



O El Español revela que o Executivo europeu terá agido com extrema cautela para não reavivar tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou impor novas tarifas aduaneiras à União Europeia caso esta endureça a aplicação das suas leis digitais — a Lei dos Serviços Digitais e a Lei dos Mercados Digitais — às grandes tecnológicas norte-americanas.

Essa pressão explica, em parte, a postura prudente da vice-presidente da Comissão responsável pela Soberania Tecnológica, a finlandesa Henna Virkkunen, que se recusou a esclarecer quando serão aplicadas sanções à plataforma X (antigo Twitter), de Elon Musk, alvo de investigação há dois anos por difusão de conteúdos ilegais e desinformação. “Estas são novas leis e é essencial reunir todas as provas antes de tomar qualquer decisão”, declarou Virkkunen durante a apresentação do projeto.

O jornal acrescenta que os dirigentes das grandes plataformas digitais, incluindo Musk, alinharam com Trump nesta legislatura para bloquear a regulamentação digital europeia, o que explica a ausência de medidas punitivas imediatas.

Falta de respostas a casos concretos e medidas sem prazos
Questionada sobre os vídeos falsos divulgados por membros do Governo de Viktor Orbán contra o líder da oposição húngara, a vice-presidente não anunciou novas medidas, limitando-se a referir que, segundo a Lei dos Serviços Digitais, as plataformas são obrigadas a “avaliar e mitigar permanentemente os riscos sistémicos que representam para os processos eleitorais”.

O chamado Escudo da Democracia prevê “incentivar o desenvolvimento de ferramentas para detetar conteúdos manipulados com IA”, incluindo deepfakes e padrões de comportamento coordenado em redes sociais, desde bots automáticos até à amplificação algorítmica. No entanto, a Comissão não apresentou nenhum calendário, orçamento ou estrutura operacional que garanta a aplicação destas intenções.

Centro Europeu para a Resiliência Democrática sem recursos definidos
A medida mais tangível do plano é a criação do Centro Europeu para a Resiliência Democrática, destinado a partilhar informações e reforçar capacidades na luta contra a manipulação da informação, as ingerências estrangeiras e a desinformação. Contudo, Bruxelas não revelou nem o número de funcionários, nem o orçamento, nem a localização do centro, sublinhando apenas que a participação dos Estados-membros será voluntária.

Também foi anunciada uma rede europeia independente de verificadores de factos e um apoio financeiro reforçado ao jornalismo local e independente, mas novamente sem valores concretos. Além disso, a Comissão planeia criar uma rede de “influencers” voluntários para promover a alfabetização digital e sensibilizar para as regras europeias sobre integridade da informação e transparência online.

Paralelamente, o executivo de Von der Leyen prepara-se para aprovar, já na próxima semana, propostas que flexibilizam e adiam a aplicação do regulamento europeu da Inteligência Artificial, uma decisão vista como cedência à pressão das grandes plataformas tecnológicas e da administração Trump.

O plano prevê ainda orientações sobre o uso ético da IA em campanhas eleitorais e a atualização do conjunto de ferramentas eleitorais previstas na Lei dos Serviços Digitais, mas sem qualquer nova legislação vinculativa.

Rússia apontada como principal fonte de desinformação
No documento estratégico, a Comissão identifica o Kremlin como o principal responsável pelas campanhas de desinformação e interferência eleitoral na Europa, referindo exemplos recentes na Roménia e na Moldávia. “Além da sua brutal guerra de agressão contra a Ucrânia, a Rússia está a intensificar os ataques híbridos e a travar uma batalha de influência contra a Europa”, alerta Bruxelas.

Segundo o texto, estas campanhas “penetram profundamente no tecido das sociedades europeias, minando a confiança nos sistemas democráticos”. A Comissão aponta ainda outros fatores de vulnerabilidade, como o aumento do extremismo, a polarização política, a queda na participação cívica e a erosão da liberdade de expressão, agravados pela transformação digital e pela influência dos algoritmos na formação da opinião pública.

Apesar da retórica firme, analistas consideram que o “Escudo Europeu da Democracia” de Ursula von der Leyen fica muito aquém da dimensão dos desafios que a própria Comissão reconhece. A ausência de novas medidas concretas, prazos definidos e orçamento dedicado reforça a perceção de que o projeto é, no essencial, um gesto simbólico mais do que uma resposta efetiva à ameaça da desinformação e à manipulação digital que continua a pôr à prova a democracia europeia.

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Volvo ES90 – A ascensão da serenidade sueca no paradigma do luxo elétrico A indústria automóvel vive hoje um momento de inovação tecnológica e de disrupção onde a potência bruta é frequentemente utilizada mas não mostra a verdadeira alma/essência de um automóvel Contudo ao sentar-me ao volante o novo Volvo ES90 percebi de imediato que não estamos perante mais um sedan elétrico mas sim uma nova filosofia de automóvel Este é para mim um dos melhores Volvo já fabricados e talvez dos mais bonitos, o que é difícil dizer porque sempre os considerei todos eles muito elegantes. A marca conseguiu manter a verdadeira essência do minimalismo e rigor/luxo discreto, mas elevando-o a uma experiência sensorial sem precedentes, onde o rigor construtivo e o conforto – absurdo é mesma palavra – dita as regras. O Volvo ES90 pertence ao segmento E- Premium e trata-se de modelo “hibrido” pois está posicionado acima das segmentações tradicionais, e trata‑se de um fastback mas com alma de SUV. Desafia também as convenções volumétricas pois tem 4,99 m de comprimento, mas um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25, Trata-se de um modelo desenhado sobre a batuta da equipa de design da Volvo em Gotemburgo mas respira ADN escandinavo Os faróis martelo de Thor evoluíram para uma assinatura digital pixelizada enquanto a traseira apresenta uma porta de abertura ampla sublinhando a versatilidade. Foi exaustivamente testado na Suécia enfrentando condições de frio extremo para garantir que a dinâmica de condução e a gestão térmica da bateria são infalíveis. Testei a unidade com tração integral Twin Motor que revelou um comportamento de exceção. A plataforma SPA2, a mesma do EX90, confere uma rigidez estrutural que há muito não se via no segmento. Nas estradas portuguesas, entre o empedrado cidadino, estradas de terra batida, AE para Évora e as nacionais, vejo que o ES90 isola os ocupantes de forma magistral (até o teto de abrir escurece). A suspensão pneumática com tecnologia ativa adapta-se em milissegundos eliminando qualquer vibração O espaço interior é o habitual, ou seja, muito amplo, minimalista mas de um conforto e desenho discretos. A experiência é de um silêncio absoluto sendo que a Volvo afirma ser o habitáculo mais silencioso de sempre da marca, graças ao uso extensivo de materiais de isolamento acústico e vidros laminados duplos de série. A ergonomia dos bancos segue o habitual da marca com a certificação ortopédica e redefina o que esperamos de uma viagem de longo curso. Mas o ES90 não é simplesmente um automóvel, mas também um computador sobre rodas equipado com um sistema de computação central e com vários processadores Nvidia onde a capacidade de processamento inteligência artificial é oito vezes superior aos modelos anteriores. Através dos sensores lidar e dos radares da última geração, cria-se um escudo de 360° detectando objetos a 250 m mesmo em escuridão total. O sistema de infotainment com inteligência artificial da Google permite um controlo por voz natural e uma personalização preditiva de rotas baseada nos hábitos do condutor. O ecrã central é hoje muito mais intuitivo e apresenta vários modos de condução e os habituais comandos de voz natural e da afinação dos espelhos etc. As baterias também estão associadas a algoritmos de inteligência artificial para otimizar a saúde da mesma, permitindo carregamentos mais rápidos mas sem degradar as células. Este modelo é fabricado na unidade de última geração da Volvo que tal como a marca preconiza utiliza energia 100% energia renovável As baterias desenvolvidas com as melhores marcas, da CATL à Northvolt possuem uma capacidade líquida até 106 kW na versão ultra. A grande inovação reside aqui no sistema elétrico de 800 wattts, que é uma estreia na marca e que permite recuperar 300 km em apenas 10 minutos As células têm também uma vantagem pois utilizam uma química de baixo teor de cobalto (caro, volátil em preço, associado a riscos na cadeia de abastecimento e frequentemente ligado a preocupações éticas na sua extração) Muito importante é o passaporte da bateria recorre a blockchain para garantir a reestabilidade total dos materiais. Já falamos do luxo do minimalismo, da qualidade de construção e dos materiais, de um bem-estar a bordo que convida alongas viagens num conforto sem precedentes e um comportamento demasiado preciso. E é isso mesmo que este Volvo transmite para o cliente que valoriza o estatuto mas sem ostentação; o executivo ou aquela família que procura segurança máxima e sustentabilidade real. Concorre com os BMW e a Mercedes e o Audi, contudo pela sua versatibilidade e altura posiciona-se numa zona cinzenta de conforto superior que o torna único. Temos finalmente ao rival à altura das marcas premium mais conceituadas. O Volvo está disponível em três versões com preço a partir dos 72.945 para particulares ou 55.000 mais IVA para as empresas. Possui uma autonomia até 700 km na versão single Motor extended range e a potência pode ir até aos 680 cavalos Twin Motor Performance. “O ES90 representa a nossa abordagem holística à sustentabilidade e à segurança, sendo o sedan mais avançado que alguma vez concebemos.” — Vanessa Butani, Head of Global Sustainability da Volvo Cars. “Com o ES90, elevamos o padrão do que uma berlina de luxo deve ser na era elétrica: equilibrada, inteligente e profundamente humana.” — Jim Rowan, CEO da Volvo Cars.

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