O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) está preocupado com as fugas de informação registadas nas provas finais do 9º ano do último ano letivo. O problema ocorreu logo na estreia do novo modelo de avaliação externa, em que os enunciados dos exames deixaram de ser tornados públicos, segundo avançou o ‘Correio da Manhã’.
O novo sistema pretende permitir a aplicação de provas semelhantes todos os anos, de forma a garantir maior comparabilidade entre resultados. No entanto, na prova de Matemática verificou-se a divulgação de enunciados nas redes sociais, o que levou o MECI a planear medidas preventivas.
A tutela vai promover ações de sensibilização junto da comunidade educativa — alunos, famílias e professores — para reforçar a importância do caráter não público das provas e preservar a integridade do processo. A orientação consta da Carta de Solicitação para a Avaliação Externa da Aprendizagem, enviada ao novo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), responsável pela elaboração das provas e exames.
Diretores escolares manifestam ceticismo
Alguns diretores de escolas mostram-se pouco confiantes quanto à eficácia das medidas. “Não é tarefa fácil evitar que os enunciados sejam divulgados. Qualquer aluno pode memorizar e reproduzir perguntas cá fora. Nós vamos sensibilizar, mas isso não depende dos diretores”, afirmou ao ‘Correio da Manhã’ Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep).
Além das ações de sensibilização, o MECI determinou que o EduQA implemente uma monitorização formal do processo de avaliação, tanto no final de cada ano letivo como após a publicação dos relatórios de resultados, podendo recorrer à colaboração das escolas, da Inspeção-Geral da Educação e da Agência para a Gestão do Sistema Educativo.
Provas ModA realizam-se no mesmo dia
As provas de monitorização das Aprendizagens (ModA), que substituíram as provas de aferição nos 4º e 6º anos, vão ser realizadas todas no mesmo dia para cada disciplina. No ano passado, as escolas dispunham de cinco dias para cada prova.
A mudança poderá pressionar a rede informática das escolas, já que todos os alunos de cada ano vão realizar as provas digitais em simultâneo. “É preciso que o MECI assegure a qualidade da rede Wi-Fi, que nem sempre é fiável”, alertou Filinto Lima.
Provas-ensaio e exames sem calendário definido
O MECI confirmou ainda a realização de provas-ensaio a meio do ano letivo, durante o mês de fevereiro, cabendo a cada escola escolher um de dois dias disponíveis para a aplicação de cada exame.
Contudo, as escolas continuam sem conhecer o calendário oficial dos exames nacionais e provas finais, o que está a dificultar o planeamento do ano.
“Precisamos de saber as datas rapidamente para organizar as atividades”, sublinhou o presidente da Andaep.
Os exames do ensino secundário manterão o formato com perguntas obrigatórias e opcionais, contando apenas as respostas mais bem classificadas.














