Variante selvagem do vírus da poliomielite detetada em amostras de esgoto na Alemanha

O Instituto Robert Koch (RKI), principal autoridade de saúde pública da Alemanha, confirmou esta quarta-feira a deteção da forma selvagem do vírus da poliomielite em amostras de águas residuais recolhidas no país. Trata-se de um retrocesso simbólico nos esforços globais para erradicar uma doença que, apesar de quase eliminada, continua a representar uma ameaça em algumas regiões do mundo.

Pedro Gonçalves
Novembro 12, 2025
18:39

O Instituto Robert Koch (RKI), principal autoridade de saúde pública da Alemanha, confirmou esta quarta-feira a deteção da forma selvagem do vírus da poliomielite em amostras de águas residuais recolhidas no país. Trata-se de um retrocesso simbólico nos esforços globais para erradicar uma doença que, apesar de quase eliminada, continua a representar uma ameaça em algumas regiões do mundo.

Segundo informações avançadas pela Reuters, esta é a primeira vez que o vírus selvagem é identificado em amostras ambientais na Alemanha desde que o país iniciou este tipo de monitorização sistemática, em 2021. O último caso de infeção humana por poliovírus selvagem registado em território alemão remonta a 1990.



Em comunicado, o Instituto Robert Koch especificou que se trata do “poliovírus selvagem tipo 1 (WPV1)”, identificado numa amostra de esgoto. O organismo sublinhou, no entanto, que não há qualquer registo de infeções em pessoas e que o risco para a população é “muito baixo”, devido às elevadas taxas de vacinação e ao facto de os casos de deteção em águas residuais serem “isolados”.

A poliomielite, mais conhecida como pólio, é uma doença viral altamente contagiosa que pode causar paralisia e, em casos graves, ser fatal. A infeção é prevenível através da vacinação, que tem sido a principal ferramenta na luta global contra o vírus. Atualmente, subsistem dois tipos de poliovírus em circulação: o selvagem, ainda presente apenas no Afeganistão e no Paquistão, e o derivado da vacina, que pode surgir em situações raras quando o vírus enfraquecido da vacina oral sofre mutações e se propaga.

De acordo com o RKI, a Alemanha já tinha detetado poliovírus derivados da vacina em diversas amostras de águas residuais desde o final de 2024. Contudo, a presença do vírus selvagem representa um caso distinto, sem relação direta com os anteriores. O instituto reiterou que “não há motivo para alarme” e que a deteção demonstra o funcionamento eficaz dos mecanismos de vigilância epidemiológica.

A técnica de monitorização de esgotos, utilizada em vários países, permite identificar a circulação de vírus na comunidade mesmo antes da ocorrência de casos clínicos. Este tipo de rastreamento tem sido crucial para detectar potenciais reintroduções do poliovírus e prevenir surtos.

O último caso de poliomielite importado na Alemanha foi registado em 1992, envolvendo infeções trazidas do Egito e da Índia. Desde então, o país manteve-se livre da doença, apoiando as campanhas internacionais de erradicação lideradas pela Organização Mundial da Saúde.

A descoberta agora anunciada surge como um alerta para a necessidade de manter altos níveis de imunização e reforçar a vigilância sanitária, mesmo em países onde a pólio foi considerada eliminada há décadas.

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