Web Summit: Lisboa despede-se hoje do maior evento tecnológico do mundo. Conheça os números desta edição

De acordo com o relatório ‘Web Summit x Crunchbase Funding 2025’, quase 200 startups que participaram na edição anterior conseguiram angariar mais de 715 milhões de dólares em financiamento, sinal de que o evento se consolidou como um motor global de investimento e não apenas uma montra tecnológica

Executive Digest

Lisboa voltou a ser, por estes dias, o ponto de encontro global de CEOs, fundadores, investidores e visionários. A Web Summit 2025, que decorre na capital portuguesa até esta quinta-feira, reuniu 71.386 participantes de 157 países, segundo dados da organização — o maior número de sempre desde que o evento chegou a Portugal, em 2016.

Entre os participantes, contam-se 1.857 investidores de 86 países, um aumento de 74% face ao ano passado. Nunca tantos fundos, business angels e gestoras de capital de risco tinham passado pelas portas da FIL e do Altice Arena.



De acordo com o relatório ‘Web Summit x Crunchbase Funding 2025’, quase 200 startups que participaram na edição anterior conseguiram angariar mais de 715 milhões de dólares em financiamento, sinal de que o evento se consolidou como um motor global de investimento e não apenas uma montra tecnológica.

“Davos tecnológico” reforça papel de Portugal no mapa da inovação

Ao longo de quatro dias, Lisboa acolheu aquilo que muitos já chamam o “Davos tecnológico”, um evento que simboliza o peso crescente de Portugal na cena internacional da inovação. O impacto é visível nas ruas e na economia local — com hotéis esgotados, restaurantes cheios e milhares de visitantes qualificados —, mas o desafio vai mais além: converter este sucesso mediático em crescimento estrutural, empregos qualificados e investimento sustentável.

Na abertura do evento, o fundador e CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave, destacou que “Portugal é hoje um caso de estudo de como a tecnologia pode reanimar uma economia”. Ainda assim, o entusiasmo não dispensa reflexão: será o país capaz de reter talento e escalar as suas startups para competir com os grandes polos tecnológicos globais?

Inteligência artificial domina o palco

A inteligência artificial (IA) foi o tema dominante desta edição. Startups, conferencistas e investidores convergem num discurso unânime: a IA é a força transformadora da década. As rondas de investimento continuam a disparar nesta área e a maioria das empresas que mais capital atraíram após a edição de 2024 atua neste domínio.

O debate, contudo, vai além da tecnologia. A ética, a regulação e o impacto sobre o emprego são questões centrais. O próprio Cosgrave admitiu que “a inovação rápida exige um debate igualmente rápido sobre responsabilidade”.

Recordes de participação e diversidade

A Web Summit 2025 conta com 2.725 startups de 108 países, e 40% têm mulheres na sua fundação — um dado que reforça o compromisso com a diversidade e a inclusão. Segundo a organização, este é o maior número de participantes na história do evento, consolidando Lisboa como uma das capitais mundiais da inovação tecnológica.

O presidente da Startup Portugal, Alexandre Santos, destacou à Lusa que o ecossistema nacional de startups cresceu 8% em 2025, totalizando 5.091 empresas e 28 mil postos de trabalho. O setor gerou 2.856 milhões de euros em volume de negócios, representando 1% do PIB nacional e 1,5% das exportações.

“Estamos a provar que isto começa a ter impacto real na economia portuguesa”, afirmou Santos, acrescentando que 70% das startups nasceram nos últimos cinco anos, o que demonstra “uma nova geração de empresas no mercado”.

Portugal quer ser hub global de inovação

Alexandre Santos elogiou a presença portuguesa na cimeira, sublinhando que 115 startups nacionais integram o programa Road to Web Summit, mais de metade provenientes de fora de Lisboa e Porto. O responsável destacou ainda o papel do Governo na redução da burocracia e na utilização da inteligência artificial para simplificar processos e impulsionar o empreendedorismo.

O dirigente acredita que Portugal tem condições para afirmar-se como um hub internacional de inovação, mas alerta para a necessidade de garantir “capital paciente e apoio público consistente” que sustentem o crescimento a longo prazo.

Entre a euforia e a maturidade

Os números recorde confirmam que a Web Summit recuperou o fôlego e reforçou a reputação de Lisboa como polo de inovação global, mas também levantam desafios. Especialistas ouvidos pelo Expresso alertam para o risco de concentração de capital em startups mais mediáticas e para a necessidade de políticas públicas duradouras que consolidem o ecossistema tecnológico nacional.

Lisboa é, mais uma vez, o palco das ideias que prometem mudar o mundo. Mas o verdadeiro desafio para Portugal será transformar quatro dias de futuro em progresso concreto e duradouro para os próximos anos.

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