Cientistas alertam para tempestade solar que ameaça a Terra: já causou apagões e pode piorar esta semana

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um alerta global para a chegada de uma tempestade solar de grandes proporções, que deverá impactar a Terra entre esta quinta e sexta-feira, dias 6 e 7 de novembro.

Pedro Gonçalves
Novembro 6, 2025
19:30

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um alerta global para a chegada de uma tempestade solar de grandes proporções, que deverá impactar a Terra entre esta quinta e sexta-feira, dias 6 e 7 de novembro. Segundo os especialistas, o fenómeno já provocou apagões em comunicações de rádio em várias regiões do planeta e poderá intensificar-se nos próximos dias.

De acordo com a NOAA, o Sol libertou recentemente duas poderosas erupções de classe X — o nível mais elevado de intensidade —, o que provocou perturbações significativas nas comunicações. O evento foi classificado como R3 na escala de interferências de rádio (que varia de R1 a R5), um nível considerado “forte”. Essas erupções solares foram acompanhadas por ejeções de massa coronal (CME) que, ao interagirem com o vento solar, poderão originar uma tempestade geomagnética de nível G3.

As tempestades solares deste tipo podem causar interrupções nas comunicações de rádio de alta frequência e nas redes de navegação aérea e marítima durante mais de uma hora, afetando especialmente o lado do planeta voltado para o Sol no momento do impacto. Estas falhas já começaram a ser registadas em ambos os hemisférios, confirmando o alerta da NOAA.

A agência norte-americana explicou nas suas redes sociais que os seus meteorologistas espaciais estão a analisar uma ejeção de massa coronal associada a uma erupção solar de classe M7.4 detetada na madrugada de 5 de novembro, acrescentando que “assim que houver uma determinação sobre a direção e o potencial impacto na Terra, serão fornecidas atualizações adicionais”.

Ciclo solar em máximos potencia tempestades
O motivo pelo qual se registaram duas erupções solares em menos de 12 horas está relacionado com o atual pico do ciclo solar, que ocorre aproximadamente a cada 11 anos. Durante este período, a atividade magnética do Sol atinge o seu auge, aumentando a frequência de explosões solares e ejeções de massa coronal.

Embora as tempestades solares não representem perigo direto para a vida humana na superfície terrestre — uma vez que a atmosfera e o campo magnético da Terra oferecem proteção natural —, os efeitos indiretos podem ser significativos. Entre eles estão apagões elétricos, danos em satélites e perturbações em infraestruturas tecnológicas críticas, como sistemas de comunicação e redes energéticas.

Os especialistas advertem que não é possível prever com precisão a intensidade dos próximos eventos, mas a NOAA estima uma probabilidade de 65% de ocorrência de novas erupções solares de classe M e 15% de erupções de classe X nos próximos dias. Caso a atividade continue elevada, poderão verificar-se fenómenos luminosos no céu — as chamadas auroras boreais e austrais — mais vibrantes e visíveis a latitudes invulgarmente baixas.

Os cientistas sublinham que as tempestades solares fazem parte de um processo natural do ciclo solar, mas reforçam a importância de monitorizar constantemente a atividade do Sol, uma vez que estas ocorrências podem afetar significativamente as comunicações, o transporte e até os sistemas de defesa de países altamente dependentes da tecnologia.

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